Exército português já recebeu preparação mínima para caso de retirada de cidadãos da Venezuela

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O Chefe do Estado-Maior do Exército, general Nunes da Fonseca, afirmou terça-feira no Funchal que houve uma “preparação mínima” para o caso de haver uma decisão política de retirar portugueses e lusodescendentes da Venezuela.

 “É uma decisão obviamente política. Os militares cumprem as directivas emanadas pela política. Houve, na sequência dos desenvolvimentos na Venezuela, uma preparação mínima relativamente a uma eventual intervenção mas esse cenário, neste momento, não está colocado em cima da mesa”, afirmou, no final de uma audiência com o presidente do Parlamento madeirense.

 José Nunes da Fonseca esteve na semana passada a realizar a sua primeira visita à Madeira desde que assumiu o cargo em outubro passado.

 Depois de se ter reunido com Tranquada Gomes, manteve uma segunda audiência com o Representante da República na Região, o juiz conselheiro Ireneu Barreto.

 O general recusou-se a comentar a polémica em redor do caso de Tancos, alegando que “está no domínio da justiça”, e reconheceu que a visita à Região serve para “conhecer o dispositivo do Exército na Madeira e prestar tributo e reconhecimento por tudo que está aqui a ser feito”.

De acordo com Nunes da Fonseca, nas competências atribuídas ao Exército, na Região, a missão está a ser cumprida.

 “Motivar e reconhecer que a Região Autónoma da Madeira, através da sua componente militar, no Exército, está a cumprir muito bem a missão que lhe incumbe em prol dos portugueses”, disse.

 Questionado sobre a importância da Zona Militar da Madeira no todo nacional, o CEME respondeu que o Exército responde “no apoio à melhoria e bem-estar das populações”.

 

* Banco de portugueses inoperacional

 

 O Banco Plaza, propriedade de empresários portugueses radicados na Venezuela, está inoperacional desde a penúltima quinta-feira, dia em que ocorreu um apagão que ainda mantém várias zonas do país às escuras.

 A situação, confirmada terça-feira pela Lusa, tem sido denunciada pela população, com relatos nas redes sociais sobre a impossibilidade de efectuarem pagamentos com cartão de débito ou aceder à página de Internet para realizar transferências.

“Hoje estive no supermercado, queria comprar água, plátanos (banana tropical), sal, café, massa e açúcar, mas o cartão não passou (funcionou). O terminal de pagamentos dizia que o emissor não respondia”, explicou a lusodescendente Elizabeth Vieira, em declarações à agência Lusa.

 Queixa-se que “desde a passada quinta-feira que o cartão não funciona”, o mesmo acontecendo com a central telefónica, pelo que “não há como comunicar-se” com o banco.

 “Não tenho nada de água em casa, porque falhou o serviço, desde o apagão. A luz está a chegar por ‘ratos’ (períodos curtos de tempo) e sobe e desce, temos que manter as coisas apagadas para não avariar. Está-se quase a acabar a comida que tenho em casa e mesmo com dinheiro na conta não posso usar para comprar nada”, desabafou.

 Vários comerciantes explicaram à agência Lusa que não estavam a aceitar pagamentos com os cartões do Banco Plaza, porque a instituição estava fora de serviço. Acrescentaram que no último fim de semana vários bancos apresentaram problemas, mas que apenas aquela instituição continua inoperacional.

 Vários utilizadores recorreram a mensagens na rede Twitter para tentar obter respostas sobre a situação.

 “Senhores Banco Plaza, que acontece com a plataforma? Necessito fazer compras e não tenho podido. Por favor agilizem a gestão”, escreveu Richie Teixeira.

 Por outro lado, Jennifer Arias advertia o banco que “o serviço ‘online’ não funciona”: “Como podemos ter acesso ao nosso dinheiro? Ninguém responde, por favor, urgente”, frisou.

 Algumas das dezenas de mensagens foram enviadas com cópia à Superintendência das Instituições do Sector Bancário, organismo que supervisiona o funcionamento da banca na Venezuela.

 A Venezuela está às escuras desde a penúltima quinta-feira, na sequência de uma avaria na central hidroeléctrica de El Guri, a principal do país, que afectou ainda dois sistemas secundários e a linha central de transmissão.

 Na segunda-feira, o Governo venezuelano suspendeu as actividades laborais e escolares por 24 horas, período entretanto renovado por mais 24 horas.

 Em Caracas, a eletricidade está a chegar a vários bairros, mas de forma intermitente.

O apagão afectou as comunicações fixas e móveis, os terminais de pagamentos e o acesso à Internet.