Exército egípcio reforça segurança do oleoduto

0
72
Exército egípcio reforça segurança do oleoduto

Exército egípcio reforça segurança do oleodutoO Egipto abana, mas o Golfo Pérsico não pára de produzir petróleo e o Ocidente não reduz a dependência energética – menos mal que o Canal do Suez perdeu a importância de outros tempos e interessa mais aos egípcios que ao mundo.

 De motivo de guerra em 1956, quando rebentou a Crise do Suez, colocando Inglaterra, França e Israel contra o Egipto do presidente Nasser, que tinha nacionalizado o canal, o Suez tornou-se agora intocável, para opositores e para apoiantes do actual presidente Hosni Mubarak.
 A tecnologia e a história, no entanto, estão a retirar importância ao canal que, quando foi inaugurado, em 1869, era considerado uma maravilha da engenharia humana, os seus 195 quilómetros a ligar o Mar Vermelho ao Mediterrâneo e a poupar aos navios a volta a África pela rota de Vasco da Gama, pelo Cabo da Boa Esperança.

 Hoje, o canal não consegue dar passagem aos super-petroleiros de grande calado. A solução tem o nome de oleoduto Sumed, paralelo ao canal, cujo eventual encerramento devido à contestação no país, está a assustar os mercados petrolíferos.
 “O encerramento do canal teria pouco impacto para os grandes petroleiros, mas o fecho do Sumed criaria problemas. Se encerrar, vai distorcer o abastecimento de crude ao Sul da Europa”, disse Erik Stavseth, analista da Arctic Securities.

 A única forma dos super petroleiros atravessarem o Suez é descarregarem crude para o Sumed, que depois o devolve aos navios. O oleoduto que, disse Erik Stavseth, transpor-tou 1,1 milhões de barris por dia em 2009, tem uma capacidade máxima de 2,5 milhões de barris por dia, equivalente à capacidade produtiva do Ira-que e cerca de três por cento do consumo mundial.

 A 28 de Janeiro, três dias depois de terem rebentado os confrontos contra Mubarak – que ainda persistem – o exército egípcio atribuiu ao Sumed “honras” de receber reforços. De 14 postos de vigilância, o Sumed passou a ter 30, um por cada doze quilómetros.
 Na actualidade, são os navios de carga os maiores utilizadores do Suez, segundo Stavseth, com os petroleiros a representar entre 15 e 20 por cento do tráfego total.

 David Butter, Director Regional para o Médio Oriente e Norte de África do Economist Intelligence Unit, defende também que o corte do canal não passaria de um “inconveniente”, a resolver voltando à rota de Vasco da Gama.
 “Se o Suez encerrar, a Europa não vai perder o abastecimento de nada. Perdem-se cinco ou seis dias para os bens irem à volta de África, haveria uma subida de curto prazo nos preços do petróleo, e algum pânico, mas rapidamente seria óbvio que há alternativas”, disse Butter.