Estudos de viabilidade do projecto de rede de transmissão de energia em Moçambique

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Estudos de viabilidade do projecto de rede de transmissão de energia em Moçambique

Os estudos de viabilidade do Projecto de Desenvolvimento Regional de Transporte de Energia entre o Centro e o Sul (Cesul) estão quase concluídos e devem ser apresentados durante os primeiros meses de 2015, avançou em Maputo fonte da embaixada da Noruega em Moçambique.

 Através da sua representação diplomática, a Noruega apoiou financeiramente a execução dos estudos de viabilidade, que estão a ser desenvolvidas pela consultora norueguesa Norconsult, compreendendo a criação de uma rede de transmissão de energia entre a região centro e sul de Moçambique, além de uma segunda ligação da primeira com o Maláui.

 Com um custo de cerca de 76,6 milhões de dólares (500 milhões de coroas norueguesas), a consultoria tem também o apoio do Banco Mundial, devendo os seus resultados ser apresentados durante os primeiros meses do próximo ano, segundo indicou a conselheira da embaixada da Noruega, Camilla Helgø.

 Na estrutura accionista do projecto Cesul, também conhecido por “espinha dorsal”, encontram-se a China State Grid Corporation (CSGC), com uma participação maioritária de 46%, a eléctrica sul-africana Eskom, com 25%, a estatal Electricidade de Moçambique (EdM), com 15% e a portuguesa Redes Energéticas Nacionais (REN), com 14%, que é participada pela CSGC (25%).

 Apresentada há cerca de quatro anos, a “espinha dorsal” é um dos maiores projectos na área de energia previstos para Moçambique, estan-do orçamentada em mais de dois mil milhões de dólares.

 Embora, no passado, tenham já sido feitos estudos de viabilidade para o projecto, transformações na sua estrutura accionista terão originado algumas alterações no traçado inicialmente previsto, mantendo-se, contudo, projectada a construção de uma linha dupla de transmissão: uma alternativa de alta tensão de 400 quilovolts e outra de alta tensão contínua de 800 quilovolts.

 Atendendo aos atrasos verificados na construção da barragem de Mphanda Nkuwa, localizada a 61 quilómetros a jusante da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), no rio Zambeze, e cujo início estava programado para 2012, é expectável que o desenvolvimento da linha Centro/Sul não se materialize a curto prazo.

 A barragem, que têm como accionistas a moçambicana Insitec e a brasileira Camargo Corrêa, ambas com 40%, além da EdM (20%), apresenta um potencial de geração de 1500 megawatts (fase inicial), sendo classificada como preponderante para o projecto Cesul, que, a avançar agora, só seria alimentado com a produção de mais de 2000 megawatts da HCB, por sinal, insuficiente para alimentar o empreendimento, conforme já salientaram as autoridades moçambicanas.

 Entretanto, e a pedido da petroquímica Sasol, estudos de viabilidade foram já iniciados pela Norconsult visando o desenvolvimento de uma rede de transporte de energia entre Inhambane e Maputo, um projecto que tem como fundamento a produção de electricidade a partir do gás natural extraído pela empresa sul-africana nas regiões de Pande e Temane, e que procura repetir “o sucesso” da ligação Ressano Garcia-Maputo (sul), igualmente dependente de centrais termoeléctricas.

 Com uma estimativa de custo de 500 milhões de dólares, o projecto tem, por enquanto, a Sasol e a EdM interessadas no seu desenvolvimento, não devendo ser iniciado antes de 2016.

 Além do apoio aos estudos de viabilidade da “espinha dorsal”, a Noruega está também a prestar assistência técnica e financeira a quatro projectos centrados no desenvolvimento de redes de transmissão e distribuição de energia na província de Cabo Delgado (norte), no montante global de 50,4 milhões de dólares (342 milhões de coroas norueguesas), e que deverão ser concluídos brevemente, segundo assinalou a diplomata Camilla Helgo.

 Em projectos semelhantes, a Noruega, que apoia Moçambique desde meados da década de 1970, estima tenha garantido uma média anual de financiamento ao país na or-dem de 8,8 milhões de dólares (60 milhões de coroas norueguesas), entre 1980 e 2006, que se traduziu num aumento da capacidade de fornecimento de energia em 250 gigawatts por ano.

 O país europeu tem também estado envolvido com as autoridades moçambicanas em programas relacionados com o sector dos hidrocarbonetos, sendo exemplo um recente acordo de assistência legal e de desenvolvimento de capacidades, com um donativo de 7,3 milhões de dólares (50 milhões de coroas norueguesas), previsto para o pe-ríodo compreendido entre 2014-2018.