Estudantes da Universidade do Minho participam em voluntariado em Cabo Verde

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Estudantes da Universidade do Minho participam em voluntariado em Cabo Verde

Cinco estudantes da Universidade do Minho (UMinho) partiram para Cabo Verde onde vão participar num programa de voluntariado que inclui apoio a instituições para crianças e jovens, mães adolescentes e toxicodependentes.

 Helena Nunes, aluna de mestrado de Psicologia Aplicada, soube que podia candidatar-se a passar cerca de mês e meio em Cabo Verde a dois dias de as candidaturas terminarem. Foi a tempo e já sabe que trabalhará no município cabo-verdiano de Santa Cruz na Tendas El-Shaddai, uma casa de resgate de toxicodependentes.

 "As expectativas são altas. Terei a missão de fazer acolhimento, orientação, acompa-nhamento psicológico e familiar ou seja não só aos utentes mas também às famílias", descreveu.

 O trabalho que os estudantes de Ciências, Educação, Psicologia e Ciências Sociais terão em Cabo Verde incluem ainda a criação de uma televisão comunitária, o reforço de uma escola de música, entre outros projectos que, explicou Sandra Fernandes, responsável pelo projecto ao nível do Centro de Recursos para a Cooperação e Desenvolvimento (CRCD) da UMinho, não se esgota nesta estadia.

 "Está previsto que mantenham a interação com as instituições cabo-verdianas através de ferramentas digitais, trabalhando à distância. E, numa terceira fase vão apoiar a construção do projecto no próximo ano", disse a responsável, apontando que estão em marcha contactos para que no futuro estudantes universitários sejam voluntários na Guiné-Bissau ou em S. Tomé e Príncipe, por exemplo.

 São considerados "países estratégicos" para este projecto-piloto os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor. Estes "não são os únicos mas são prioritários", explicou Sandra Fernandes, indicando que os objectivos passam pela sensibilização e mobilização da comunidade académica na reflexão e na acção sobre os desequilíbrios globais, tentando exatamente contribuir para minimizar esses desequilíbrios, não numa perspectiva caritativa, mas de justiça social.

 "Vemos isto numa perspectiva horizontal. Ninguém entra no projecto apenas para ajudar. Vai para ajudar e para ser ajudado. Vai para alargar horizontes e perceber como trabalhar na sua área num contexto completamente diferente", descreveu Sandra Fernandes.

 "As necessidades são muito elevadas para o tempo que vamos estar no terreno. Mas esperamos que isto seja um ponto de partida e sirva como salto para outros voluntários ou para outros projectos que sejam entretanto implementados", completou Helena Nunes.

 Os cinco voluntários que estão de partida para Cabo Verde têm entre 19 e 40 anos, sendo que puderam concorrer alunos e ex-alunos da UMinho, bem como a estudantes universitários residentes em Braga e Guimarães, cidades onde se localizam os polos desta instituição de ensino superior.

 Este projecto de voluntariado faz parte de um programa de mobilidade mais vasto, o "Muito Mais Mundo", que também inclui estágios académicos de mestrado em países do "Sul Global".

 Além do CRCD da UMinho, são promotores o Instituto das Comunidades Educativas e o município de Santa Cruz, com a parceria da Associação Solidarietà e Sviluppo, a câmara de Braga e a Associação Académica da UMinho.

 A acção acontece no âmbito do Ano Europeu para o Desenvolvimento e foi feita uma "grande aposta na formação" com mais e 30 horas e módulos como modelos de desenvolvimento, educação para a cidadania global, interculturalidade, contexto de Cabo Verde, planos de trabalho, entre outros.