Estão a aumentar as deportações dos Estados Unidos e Canadá para os Açores

0
116
Estão a aumentar as deportações dos Estados Unidos e Canadá para os Açores

Os EUA e o Canadá deportaram para os Açores 1.175 emigrantes portugueses nos últimos 25 anos, indica um estudo apresentado em Ponta Delgada pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade dos Açores

 O documento, que descreve os efeitos e causas sociais da emigração nesta região autónoma, baseia-se em dados fornecidos pelos dois países, principais destinos da emigração dos Açores, e identifica que os EUA são o “principal emissor de cidadãos deportados” para o arquipélago.
 As deportações dos EUA representam 78,7 por cento do total das que foram contabili-zadas até ao primeiro trimestre de 2012, sendo que 12 por cento das deportações a partir de território norte-americano ocorreram até 1996 e 31 por cento entre 1997 e 2001.
 Entre EUA e Canadá, os maiores fluxos em deportações para os Açores aconteceram em 1999, 2006 e 2008, sobretudo devido à implementação de políticas de imigra-ção “mais restritivas”.
 “Apesar dos fluxos de saída do arquipélago terem diminuído desde os finais da década de oitenta, estando actualmente na ordem dos três dígitos, verificámos que a intensidade da deportação tem vindo gradualmente a aumentar”, lê-se no estudo.
 Em 2010, os estados de Mas-sachussetts, Califórnia e Rho-de Island concentravam mais de 66 por cento da população portuguesa nos EUA e das deportações.
 No Canadá, que representa 21 por cento das deportações do continente norte-americano para os Açores – e que registou o primeiro dos 1.175 casos contabilizados – a esmagadora maioria foi proveniente da província de Ontário (79,4%).
 O documento refere que, desde 1930, as autoridades dos EUA concederam 280 mil autorizações de residência legal permanente a cidadãos portugueses, supondo-se que a esmagadora maioria provenientes dos Açores, sobretudo nas décadas de 60 e 70.
 Os autores do estudo escrevem, contudo, existir uma “quebra acentuada” na última década, em que essas autorizações não ultrapassaram as 12.200.
 Além disso, entre 1991 e 2011, cerca de 68.750 portu-gueses naturalizaram-se norte-americanos, com o pico a registar-se em 1996, com 6.525 naturalizações.
 Ainda assim, trata-se de um processo que “tem vindo a decrescer” e passou de 4.728 pedidos em 2000 para pouco mais de 1.400 no ano passado.
 No Canadá, em 2006, estavam identificados cerca de 150.400 cidadãos nascidos em Portugal já com o estatuto de residente legal permanente e 1.350 residentes não permanentes, ou seja com vistos de trabalho ou de estudo.
 Entre os que possuíam estatuto de residente legal, o estudo identifica que sete por cento chegaram ao Canadá antes de 1960, número que na década seguinte chegou aos 44.600.