Estados Unidos querem reforçar a sua presença no continente africano

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Estados Unidos querem reforçar a sua presença no continente africano

Os Estados Unidos querem reforçar a sua presença em África, um continente onde as economias emergentes, lideradas pela China, estão a ganhar força. Antes da actual digressão pelo Senegal, África do Sul e Tanzânia, o presidente norte-americano Barack Obama só havia visitado um país africano, o Gana, em 2009.

 O presidente Obama terminou ontem uma visita oficial de dois dias à África do Sul, onde anunciou uma ajuda de sete biliões de dólares para a África Subsariana. As verbas vão permitir que milhares de famílias passem a ter electricidade.

 Mais de 2/3 da população da África subsaariana vive sem electricidade, e mais de 85% da população rural não tem acesso à luz.

 Outro projecto dos Estados Unidos é uma cimeira no próximo ano, em Washington, com líderes africanos. O vice conselheiro de Segurança da Casa Branca, Ben Rhodes, disse que "isso é algo que nunca fizémos antes, mas que outras nações já fizeram".

 Barack Obama chegou à África do Sul com Mandela no pensamento, mas informou que não o visitaria no hospital por respeito à família. “Este é um momento difícil para a família e não quero interferir”, disse o chefe de Estado norte-americano

 Em conferência de imprensa ao lado do presidente sul-africano, Jacob Zuma, no sábado em Pretória, Obama elogiou a coragem de Mandela e considerou-o  “uma inspiração para o mundo”.

 “A demonstração de amor que temos visto nos últimos dias mostra que o triunfo de Nelson Mandela e a sua nação fala de algo muito profundo no espírito humano, o anseio por justiça e dignidade que transcende as fronteiras de raça, classe, fé e país”, declarou Obama.

 Zuma disse que Obama e Mandela foram “ligados pela história como os primeiros presidentes negros dos seus respectivos países, assim ambos carregam os sonhos de milhões de pessoas em África e na diáspora que antes eram oprimidos”.

 O presidente sul-africano destacou ainda que a visita de Obama foi “bem programada” para tirar proveito de um mercado crescente na África do Sul, e pediu maior investimento dos Estados Unidos no país.

 Ontem, último dia da visita oficial à África do Sul, o presidente americano e a família visitaram a Cidade do Cabo e a ilha de Robben Island, onde Nelson Mandela esteve preso durante 18 anos. Mais tarde, no discurso de encerramento,  na Universidade do Cabo, Obama confirmou os investimentos dos Estados Unidos na melhoria da rede eléctrica em África.

 O líder democrata, a primeira-dama Michelle e as filhas Malia e Sasha, chegaram à Cidade do Cabo pela manhã e ao início da tarde foram de helicóptero para a ilha-prisão de Robben Island, onde o líder da luta anti-apartheid, actualmente hospitalizado em estado crítico em Pretória, esteve preso.

 Após visitar o presídio e se recolher por alguns instantes sozinho diante da cela de Mandela, Obama escreveu no livro de visitas a seguinte mensagem: "Em nome da minha família, quero expressar um sentimento de profunda humildade por estar num local onde pessoas de tamanha coragem não se intimidaram diante da injustiça e se recu-saram a ceder."

 A visita de Obama à cela de Mandela, hoje transformada em museu, provocou emoção entre os sul-africanos pelo frágil estado de saúde do ex-presidente. Mandela, que fará 95 anos no dia 18 de julho, continua hospitalizado com uma grave infecção pulmonar.

 Assim como Obama nos Estados Unidos, Mandela foi o primeiro presidente negro da África do Sul. Mas antes de entrar para os livros de história como o líder que derrotou de forma pacífica o regime do apartheid, Mandela esteve preso por dois períodos em Robben Island. Uma primeira

, em 1963, durante seis semanas, e depois, de julho de 1964 a março de 1982. Em seguida, Mandela foi transferido para outras prisões perto da Cidade do Cabo. Em fevereiro de 1990, foi libertado depois de ter passado 27 anos nas prisões do regime.

 "Estou feliz que vá visitar a minha antiga casa, Robben Island", disse na noite de sábado o presidente sul-africano, Jacob Zuma, que também passou 10 anos na ilha-presídio.

 Zuma apreciou que Obama fizesse a visita acompanhado da família. "As suas filhas devem saber o que passaram Madiba e todos os militantes da liberdade", acrescentou Zuma.

 Durante a visita à ilha, a família Obama foi guiada por Ahmed Kathrada, de 84 anos, ex-companheiro de presídio de Mandela, condenado a prisão perpétua em 1964.

 Depois de visitar Robben Island, Obama ainda se reuniu com o ex-arcebispo anglicano e Prémio Nobel da Paz Desmond Tutu, de 81 anos, no Centro que ele fundou para ajudar os jovens com HIV.

 No sábado, Obama falou num auditório municipal do Soweto. Ali, Obama pediu aos líderes africanos e aos jovens para seguirem o exemplo de Mandela e não se perpetuarem no poder.

 Mandela tem estado, em todas as etapas desta visita, presente no pensamento de todos, disse Barack Obama.

 Ontem, no discurso na Universidade da Cidade do Cabo,  o presidente dos Estados Unidos lembrou mais uma vez o legado de Mandela e elogiou a forma como ajudou a libertar a África do Sul e a construir um país com base numa constituição democrática.

 O jornal sul-africano Mail & Guardian acrescentava que na intervenção do último dia da visita antes de seguir segunda-feira para a Tanzânia, Obama associaria a luta contra o apartheid ao movimento pelos direitos cívicos nos EUA, definindo-os como dois exemplos de movimentos que souberam enfrentar os obstáculos e mudar o mundo.

 No sábado, o Presidente norte-americano disse que os Estados Unidos não se sentiam ameaçados pela crescente presença da China no continente africano. “Estou aqui em África porque penso que os Estados Unidos têm de se envolver com um continente promissor e cheio de possibilidades”, afirmou Obama no sábado, citado pelo New York Times.

 Descreveu África como um continente “em movimento” (“on the move”), e saudou “a nova África” que disse ser “mais próspera, mais confiante" e que tomava "o seu lugar no palco mundial”.