Estados Unidos aplicam tarifas na importação de aço e alumínio da União Europeia, Canadá e México

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O Departamento do Comércio norte-americano suspendeu a isenção dos direitos de importação de aço e alumínio da União Europeia, Canadá e México, numa decisão que dispara as tensões comerciais e provocará represálias dos parceiros.

 “Decidimos não estender a excepção para a União Europeia, Canadá e Médico, pelo que estarão sujeitos a tarifas de 25% e 10%” na importação de aço e alumínio”, respetivamente, indicou o secretário de Comércio dos Estados Uni-dos, Wilbur Ross, antes de terminar o prazo para a tomada de uma decisão sobre o assunto.

 

* UE vai denunciar decisão dos Estados Unidos perante OMC

 

 A União Europeia anunciou na quinta-feira que vai denunciar perante a Organização Mundial do Comércio (OMC) a decisão norte-americana de suspender a isenção dos direitos de importação de aço e alumínio e garantiu que irá responder de forma “proporcional”.

 “Os Estados Unidos não nos deixam agora outra escolha que não seja a de recorrer à resolução de litígios da OMC e à imposição de tarifas adicionais sobre diversas importações dos EUA. Vamos defender os interesses da União em total cumprimento da lei comercial internacional”, declarou o presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker.

 Num comunicado divulgado em Bruxelas pela Comissão Europeia imediatamente após o anúncio de Washington, Juncker reafirma que, para a UE, “estas tarifas unilaterais dos EUA são injustificadas e em discordância com as regras da OMC”.

 “Isto é proteccionismo puro e simples”, declarou o presidente do executivo comunitário.

 Também a comissária europeia do Comércio, Cecilia Malmström, lamentou a decisão de Washington, afirmando que “hoje é um dia mau para o comércio mundial”.

 “Fizemos tudo para evitar este desfecho. Agora que temos clareza, a resposta da UE será proporcional e de acordo com as regras da OMC. Vamos agora desencadear um caso de resolução de litígios na OMC, já que estas medidas dos EUA vão claramente contra as regras internacionais acordadas. Também iremos impor medidas de reequilíbrio e tomar os passos necessários para proteger o mercado da UE do desvio comercial provocado por estas restrições norte-americanas”, declarou a comissária.

 Lembrando que ao longo dos últimos meses falou “em inú-meras ocasiões com o secretário do Comércio norte-americano”, Wilbur Ross, a comissária Malmström lamentou ainda a atitude dos Estados Unidos ao longo das conversações, ao “usar a ameaça de restrições como forma de obter concessões da UE”.

 “Não é desta forma que fazemos negócios, e muito menos entre parceiros, amigos e aliados de longa data”, disse.

 O Departamento do Comércio norte-americano suspendeu a isenção dos direitos de importação de aço e alumínio da União Europeia, Canadá e México, numa decisão que dispara as tensões comerciais e provocará represálias dos parceiros.

 

* Canadá retalia e impõe taxas de 16,6 biliões de dólares aos bens dos EUA

 

 O Canadá vai responder às novas tarifas decididas por Washington impondo impostos sobre bens norte-americanos no valor de 16.600 milhões de dólares e cancelou uma reunião com Donald Trump, considerando a política comercial dos EUA “totalmente inaceitável”.

 “Estas tarifas são uma afronta à parceria de longa data que existe entre o Canadá e os Estados Unidos e, em particular, uma afronta aos milhares de canadianos que lutaram e morreram ao lado de seus irmãos de armas”, disse o primeiro-ministro do Cana-dá, Justin Trudeau, lamentando que os Estados Unidos da América (EUA) tenham justificado a decisão com “segurança nacional”.

 “Devemos acreditar que, eventualmente, o bom senso triunfará, mas, infelizmente, as acções tomadas pelo Governo dos EUA não parecem ir nessa direcção”, afirmou Justin Trudeau na rede social Twitter.

 Segundo a ministra dos Negócios Estrangeiros do Canadá, Chrystia Freeland, as novas tarifas canadianas vão afectar a partir do dia 1 de julho as importações norte-americanas de aço e alumínio, bem como bens de consumo, como iogurtes, café, açúcar, papel higiénico, colchões, máquinas de lavar e cortadores de relva.

 O objectivo é pressionar os principais estados dos EUA que exportam esses produtos para o Canadá. desafiar a decisão dos EUA sob o acordo de comércio livre norte-americano (NAFTA, na sigla em Inglês) e na Organização Mundial do Comércio (OMC

 Ao mesmo tempo, Otava pretende), disse Justin Trudeau.

 O primeiro-ministro do Canadá disse que se ofereceu a ir a Washington para concluir as renegociações do NAFTA, mas que o vice-presidente dos EUA Mike Pence lhe ligou a dizer que um encontro com Donald Trump só aconteceria se Trudeau concordasse com uma cláusula que adiaria por cinco anos a entrada em vigor do acordo.

 Trudeau recusou, assim, ir aos EUA, devido à pré-con-dição “totalmente inaceitável”, um comentário feito também acerca da suspensão da im-portação de aço e alumínio da União Europeia (UE), do Canadá e do México.

 

* Marcelo critica “medidas unilaterais”  e “regras só para alguns” dos EUA

 

 O Presidente da República  Marcelo Rebelo de Sousa criticou, acerca da nova política comercial norte-americana, a imposição de “regras só para alguns e de vez em quando”, referindo que se deve “pensar duas vezes” em tomar “medidas unilaterais que atingem o aliado”.

 “Quando há regras que valem para todos e sempre, não é para valerem só para alguns e de vez em quando, senão não é possível haver regras no comércio internacional”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, no Porto, após ter sido questionado pelos jornalistas sobre a decisão dos Estados Unidos da América (EUA) de suspender a isenção dos direitos de importação de aço e alumínio da União Europeia, do Canadá e do México.