Estado moçambicano admite vender parte da empresa pública de telemóveis

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telemóveisO Estado moçambicano admite vender parte das acções da empresa pública de telemóveis, Moçambique Celular (mCel), mas quer dar prioridade a empresas nacionais, disse o presidente do Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE).

 A operadora pública de tele-móveis, detida na totalidade pelo Estado moçambicano, possui quatro milhões clientes, representando uma quota de mercado de 70 por cento.
 “Ainda não está decidido”, mas “estamos a pensar nisso (em vender parcialmente a mCel) para dar oportunidade aos moçambicanos de ganharem dinheiro, serem accionistas de empresas rentáveis”, disse o presidente do IGEPE, Hipólito Hamela.
 Segundo dados do IGEPE, 27 por cento das 131 empresas participadas pelo Estado moçambicano estão paralisadas por diversas razões, daí que algumas serão privatizadas.

 “Neste momento estamos a dissolver e liquidar 10 empresas”, referiu o economista moçambicano, falando à margem de um encontro de reconhecimento aos administradores cessantes da empresa STEMA.
 Contudo, Hipólito Hamela as-sinalou que, relativamente à mCel, a pretensão do Estado é vender uma parte ao sector privado.
 “Esse é nosso objectivo: criar empresários nacionais fortes, moçambicanos com dinheiro e com capital é o que queremos. Não podemos vender apenas aos moçambicanos empresas que não são rentáveis, também queremos vender as empresas que são rentáveis”, disse o presidente do IGEPE.
 Recentemente, a mCel foi nomeada finalista para os “Global Mobile Awards de 2010”, competição mundial à qual se submeteram mais de 500 propostas de empresas do ramo das comunicações de telefonia móvel com padrões de qualidade expcecional.
 No ano passado, a empresa posicionou-se no terceiro lugar no “ranking” das 100 maiores empresas do sector de tecnologias de informação e comunicação de Moçambique, segundo a pesquisa anual realizada pela consultora KPMG.

Actualmente, operam em Moçambique duas empresas de telefones móveis: a mCel, com capitais públicos e a Vodacom, um consórcio sul-africano e moçambicano, com cerca de 2,5 milhões de clientes.
 A primeira operadora iniciou o negócio há mais de 10 anos, enquanto a segunda opera no país desde 2003. No início do ano, o Governo lançou um concurso para a entrada de terceira operadora de telemóveis. Um consórcio que integra a PT está entre os três candidatos.
 A empresa pública Telecomunicações de Moçambique detém o monopólio na área de comunicações fixas desde a independência do país, em 1975, mas a sua liberalização está para breve.

 Em Moçambique, 32 por cento das 131 empresas detidas pelo Estado funcionam de forma deficiente, enquanto
outras estão paradas há anos e 7,6 por cento das empresas participadas do Estado dão lucro, segundo o IGEPE.
 Daí que o Estado pretenda retirar-se de algumas delas e concentrar-se em apenas 46, um desafio a ser alcançado até 2014, de acordo com o Plano Estratégico da institui-ção.

 O desafio da instituição é melhorar a capacidade de controlo das participações esta-tais, bem como das empresas participadas pelo Estado de modo a serem mais lucrativas, de acordo com o presidente do IGEPE.