Estado já contribuiu com 27 milhões de euros para o Museu Berardo

0
83
Estado já contribuiu com 27 milhões de euros para o Museu Berardo

Estado já contribuiu com 27 milhões de euros para o Museu BerardoO secretário de Estado da Cultura considerou, no parlamento, “surpreendente” o contributo de 27 milhões de euros do Estado para o Museu Colecção Berardo entre 2007 e 2009, e pretende avaliar “se o acordo vale a pena”.

 Francisco José Viegas falava aos deputados da comissão parlamentar de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da República, em resposta a uma pergunta de Inês Teotónio, deputada do CDS sobre o financiamento público do museu instalado desde 2007 no CCB, em Lisboa.
 O CCB acolhe desde essa data a colecção de arte do coleccionador madeirense, com 862 obras, no âmbito de um acordo assinado em 2006 entre o Estado, através do Ministério da Cultura, e o empresário.

 O pedido da presença do titular da pasta da cultura na comissão tinha sido feito pelo Bloco de Esquerda e pelo Partido Comunista, com o apoio do Partido Socialista.
 A Secretaria de Estado da Cultura anunciou a semana passada que pediu à leiloeira internacional Sotheby´s uma nova avaliação do acervo da Colecção da Fundação Berardo, avaliado pela Christie´s em 316 milhões de euros em 2006, antes da criação do mu-seu em Lisboa.
 “A partir de 2009, setenta e cinco por cento da Colecção Berardo foi cedida [pelo colecionador] como garantia para um empréstimo bancário. Mas só o Estado tinha opção de compra por 316 milhões de euros, por isso queremos saber o valor”, sustentou Francisco José Viegas.

 “Foram feitas várias avaliações ao longo dos anos. Decidimos fazer outra, é uma questão de interesse público”, salientou o governante ainda sobre a colecção, que, segundo o acordo entre Berardo e o Estado português, pode ser comprada por 316 milhões de euros até 2016.
 O secretário de Estado da Cultura reiterou ainda, no parlamento, que “o governo está a preparar um census geral às fundações portuguesas, e a Fundação Berardo está incluída”.

 Nas últimas semanas, o coleccionador e empresário madeirense acusou a SEC de estar em falta com os pagamentos para com a Fundação Berardo – que entretanto a tutela negou, divulgando um documento com a transferência dos financiamentos – e rejeitando a possibilidade de uma reavaliação da colecção, garantindo que ela se mantém válida até 2016.

 Na altura, a tutela justificou a reavaliação da colecção com “a necessidade de – tendo em conta a transparência que deve estar associada ao montante do financiamento público envolvido na Fundação Berardo – conhecer e divulgar o valor actual das obras a preços de mercado, definidos por uma entidade idónea e reconhecida internacionalmente”.

 Também revelou as entidades que, ao longo do último ano, defenderam e recomendaram a realização de uma avaliação.
 Entre as entidades está um relatório da Inspecção-Geral de Actividades Culturais relativo a 2010, segundo o qual é recomendada “uma avaliação no final de cada ano, por motivos contabilísticos de uma eventual actualização do valor e também devido a uma eventual atualização do montante seguro”, e que segundo a tutela, a fundação se comprometeu, por escrito a “procurar implementar no mais breve prazo possível”.