Estado empresta 1,5 biliões de euros à Região da Madeira

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Estado empresta 1,5 biliões de euros à Região da Madeira

A Região Autónoma da Madeira irá receber 1.500 milhões de euros de financiamento através do seu plano de ajustamento da parte do Estado, tendo 15 anos para pagar o empréstimo a uma taxa de juro igual à da ‘troika’.

 De acordo com o discurso do presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, o empréstimo vence em 2031, mas a Madeira só tem de começar a amortizar capital daqui a quatro anos, ficando assim com 15 anos para pagar o empréstimo.
 A taxa de juro cobrada à Madeira por este empréstimo será igual à cobrada pela ‘troika’ no dinheiro emprestado a Portugal, no âmbito do Programa de Assistência Económica e Financeira.

* Jardim nega que  tenha enganado a  população, assumindo que se vergou  às “exigências”

 O presidente do Governo da Madeira negou que tenha enganado a população, mas admitiu que se teve de vergar às “exigências” do plano de assistência financeira.
 “Eu não enganei os madeirenses porque disse aos madeirenses que não ia haver portagens nem ia haver taxas moderadoras e, de facto, não há, há um processo de racionalização de despesas na saúde”, declarou Alberto João Jardim na conferência de apresentação do plano de assistência financeira.

 “E quando eu disse que eu não queria aumentar os impostos nem retirar o subsídio de insularidade era a minha intenção, agora devo-lhe dizer, tem razão que tive que me vergar às exigências”, afirmou, justificando: “Ou ficava sem plano de ajustamento financeiro ou então tinha mesmo que ceder alguma coisa para poder garantir o futuro da região”.

 O responsável reiterou que não se arrepende do que fez.
 “Muitos dos que me estão a atacar foram os que ainda exigiam que eu fizesse mais do que aquilo que fiz e agora vêm todos armar-se em virgens santificadas e dizer que não se devia ter feito o que se fez”, observou, reconhecendo que “a vida política democrática tem destas coisas”. 
 Questionado se considera que se o plano fosse conhecido antes das eleições regionais de 9 de Outubro os madeirenses lhe tinham dado a vitória, Alberto João Jardim respondeu: “Não sei, porque as eleições últimas, principalmente, foram viciadas por muitos dos seus colegas da comunicação social”.

 Relativamente ao tecto de investimento de 150 milhões de euros, Alberto João Jardim esclareceu: “Estou convencido de que o Governo perante a opinião pública quis manter com firmeza este teto dos 150 milhões”.
 A este propósito assegurou que o ministro das Finanças admite que “em certas condições excepcionais e bem fundamentadas se possa fazer uma revisitação de tudo isto”.
 Sobre as privatizações, o presidente do Governo regional disse não ter “qualquer preconceito em relação ao investimento estrangeiro”, sublinhando que se vive “num mundo de economia global”.

 “Pode vir quem quiser, desde que o poder político se exerça e obrigue ao respeito de todos”, defendeu, lembrando: “Eu não me deixo desobedecer, de modo que pode vir quem quiser”.
 Aos jornalistas, Jardim acrescentou que a sua intenção “é cumprir o mandato”.
 “Até para não fazer a vontade a todas as pressões que foram feitas antes e depois das eleições regionais e depois as eleições regionais, algumas até dentro do PSD nacional, para que eu hoje não estives-se hoje aqui sentado, nem que seja para chatear essa gente”, afirmou.
 O presidente do Governo da Madeira destacou, ainda, o “acompanhamento permanente” do Presidente da República neste processo, assim como da “vontade enorme” do Governo de Lisboa de encontrar um acordo na quarta-feira.

 Sobre o primeiro-ministro, acrescentou: “Nunca tive má opinião sobre ele. (…) Quando se discorda de uma pessoa isso não é uma guerra. Como líder do partido, nunca mais me viu a andar aqui a criar problemas internos, a situação do país tem que ser a de um por todos, todos por um e mesmo assim vai ser muito difícil”.

* Problemas financeiros provam necessidade de “prudência”- Paulo Portas

 O ministro dos Negócios Estrangeiros e presidente do CDS, Paulo Portas, considerou que a crise de endividamento madeirense exemplifica a necessidade de governar com prudência financeira, no dia da apresentação do programa de assistência financeira para a região.
 “Os madeirenses foram obrigados a pedir assistência, do ponto de vista financeiro, para que pudesse haver dinheiro para pagar as coisas mais básicas, e isso é uma grande lição sobre como os países e as regiões devem ser governados. Com respeito pela prudência do ponto de vista financeiro”, afirmou Paulo Portas.

 Portas, que falava aos jornalistas à margem da conferência “Portugal e a América Latina, uma parceria estratégica para o século XXI”, afirmou ainda que “a governação regional na Madeira, ao longo de anos, exagerou na despesa e exagerou no endividamento e isso teve um custo enorme para os madeirenses”.