Está ultrapassado perigo de ruptura da união monetária da zona euro

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Está ultrapassado perigo de ruptura da união monetária da zona euro

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, assegura numa entrevista ao semanário alemão ‘Der Spiegel’ que o perigo de ruptura da união monetária está já praticamente superado.

 “A crise não está superada, mas há muitos sinais anima-dores”, afirma Draghi, recordando que a economia está a recuperar em muitos países, ao mesmo tempo que os de-sequilíbrios no mercado europeu estão a diminuir.

 “Isto é mais do que podíamos esperar há um ano”, considera o presidente do BCE, citado pela agência espanhola EFE.

 Na entrevista, Draghi manifesta-se ainda satisfeito por não se terem confirmado os receios que a sua política despertou entre alguns economistas alemães e banqueiros.

 “Havia o temor perverso de que as coisas evoluiriam para o pior”, recorda, congratulando-se com o facto de ter sucedido o oposto, com uma descida da inflação e uma diminuição da desconfiança.

 Mario Draghi refuta ainda que a política de baixas taxas de juro do banco central prejudique os aforradores e assegura que o facto de os rendimentos das aplicações nem sequer igualarem a inflação “não é culpa do BCE”.

 “Especialmente nos últimos anos não pudemos controlar os juros a longo prazo, porque os investidores estavam altamente inseguros devido à crise”, sustenta Draghi.

 Por outro lado, o presidente do BCE considera que não se justifica uma nova descida da taxa de juro de referência, já que não é sentida, “neste momento, nenhuma necessidade imediata de atuar”.

 Na entrevista ao semanário alemão, Mario Draghi mostra-se também tranquilo relativamente à decisão da Reserva Federal americana (Fed) de diminuir a compra de obrigações.

 “Até agora as reações do mercado mostraram que o anúncio da Fed não teve grandes efeitos. A capacidade de resistência dos mercados é maior do que há um ano atrás”, conclui.

 

* LETÓNIA ADERE AO EURO

 

 Desde  quarta-feira, 1 de Janeiro de 2014, a Letónia é o 18º membro de um clube que, mesmo em crise, continua a captar novos Estados. Depois da  Estónia, em 2011, a Letónia é o segundo país do Báltico a aderir ao euro e, se tudo correr como o previsto, em 2015 será a vez da Lituânia.

 Para estes três Estados do Báltico, a adesão ao euro é fundamentalmente o corolário do que os levou a entrar na União Europeia e na NATO: consolidar a independência, apenas reconquistada em 1991, face a Moscovo.

 Em 2008, no rescaldo da cri-se financeira, a Letónia, que acumulava um enorme défice externo superior a 20% do PIB, viu-se a braços com uma tremenda crise bancária e, privada de financiamento, foi forçada a pedir um empréstimo de 7,5 mil milhões de euros à União Europeia e ao FMI. 

 Contra a recomendação de muitos, o Governo manteve a moeda do país atrelada ao euro, com uma margem de flutuação de apenas 1%, como decidira em Maio de 2005, e optou por restaurar o equilíbrio externo através de uma desvalorização interna,  seguindo uma rigorosa receita de austeridade, levada por vezes além do que prescreviam os credores.

 Depois de ter caído 3,3% em 2008, a economia afundou 17,7% em 2009 e mergulhou mais 0,9% em 2010, mas desde então tem crescido acima de 4%, sendo o mais veloz dos países europeus.

 O défice externo passou de mais de 22% para menos de 2%, tendo o saldo sido pontualmente positivo nos anos mais agudos da recessão. O défice orçamental passou de 9,8% em 2009 para menos de 2% em 2011.

 Em contrapartida, muitos jovens abandonaram o país, as desigualdades sociais acentuaram-se e o desemprego permanece elevado, em torno de 13%, valor que ainda duplica o dos níveis pré-crise, em-bora esteja já distante do “pico” de 20,5% atingido em 2010.

 Os mercados recompensaram a disciplina orçamental e a manutenção dos planos de adesão à Zona Euro que significou a eliminação do risco cambial: os “juros” da dívida pública a cinco anos passaram de 12% em Março de 2009 para um mínimo histórico de 1,7% no final de 2012.

 Aproveitando as condições favoráveis do mercado, Riga emitiu dívida que lhe permitiu pagar a totalidade do empréstimo pedido ao FMI com qua-se três anos de avanço.

 As sondagens sugerem que a maioria da população está contra o abandono do lat, mas o Parlamento recusou a possibilidade de realização de um referendo pelo facto de a entrada no euro estar prevista no quadro da adesão à própria União Europeia em 2004, que foi precedida de consulta popular.

 A população do país é composta por letões (59% ) e russos (29%), mais de um terço dos quais vivem na capital, Riga. Entre os letões mais famosos conta-se o pintor ex-pressionista Mark Rothko.

 A entrada no euro surge no contexto de alguma instabilidade política. Valdis Dombrovskis , primeiro-ministro desde Março de 2009, está demissionário – e sem sucessão à vista – desde o final de Novembro, quando assumiu as “responsabilidades políticas” pela tragédia do desabamento da cobertura de um supermercado em Riga que provocou a morte de 54 pessoas.