Esperança e confiança marcaram entrada em vigor do Tratado europeu de Lisboa

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Durão Barroso

Durão BarrosoVotos de esperança e de confiança, num pano de fundo do Tejo e da Torre de Belém, marcaram terça-feira a entrada em vigor do Tratado de Lisboa, que para sempre unirá a capital portuguesa à construção europeia.

 “Hoje é um dia de esperança para os europeus. Um dia para a história da construção europeia”, defendeu o presidente da República, Cavaco Silva, na cerimónia que contou com os principais líderes europeus.
 “Hoje, a Europa fica mais apta, mas simultaneamente mais responsável, para dar resposta aos grandes desafios que tem pela frente. Melhor preparada para enfrentar a crise económica e financeira e as suas consequências sociais”, em particular o desemprego, disse.
 Para José Sócrates, marcou-se “um novo começo” no processo de integração europeia: “Este dia é o dia do Tratado de Lisboa. É também um novo começo”, uma das datas fundamentais do projecto europeu.

 “Um novo começo com o re-forço das regras de transparência, de controlo democrático e de eficácia na tomada de decisões (…) para uma Europa mais forte na afirmação dos valores europeus”, sublinhou.
 Para Durão Barroso, a entrada em vigor do texto é um “símbolo de uma Europa reunificada, livre e democrática”, que conclui “um ciclo de 20 anos da história da Europa” e o “símbolo de uma Europa reunificada, livre e democrática”.

 António Costa recordou a história de Lisboa como ponto de partida de grandes viagens, e que hoje é um ponto de partida para uma nova viagem, desta feita dos 27, que deve ser tomada com “ambição, confiança e determinação.
 “É caminhando que vamos mais longe, é unidos que so-mos mais fortes, partilhando todos enriquecemos”, disse o presidente da câmara.
 Dois anos depois de ser aprovado em Lisboa, “uma cidade mais europeia que nunca”, como a definiu o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, a capital portuguesa volta a marcar o nascimento de uma Europa “mais forte e sólida” que pode recuperar “forma, vitalidade, energia e visão”.

 Espanha, que assume a presidência europeia a partir de 1 de Janeiro, quer que os 27, “os amigos e sócios” da UE, participem nessa tarefa, numa Europa “grande” e que agora “cresceu e enriqueceu” com novos líderes e instituições reforçadas para o “projecto mais ambicioso desde o nascimento da democracia”.

 Para Jerzy Buzek, presidente do Parlamento Europeu, o Tratado de Lisboa torna “mais eficientes” as estruturas comunitárias, dando aos cidadãos da UE a possibilidade de exigirem à Comissão Europeia que debata determinados assuntos, desde que a petição reúna um milhão de assinaturas.
 “Um dia histórico” e “um novo começo” para todos os que acreditam numa Europa forte e transparente, na opinião do primeiro-ministro sueco e presidente em exercício da Fredrik Reinfeldt para quem o Tratado permite “mostrar ao mundo que a União Europeia está mais bem preparada para enfrentar os desafios”.

 E que para Herman Van Rompuy, presidente indigitado da UE – e na sua primeira intervenção oficial -, marca “uma nova fase na construção da Europa”: um “Tratado de oportunidades, uma poderosa ferramenta para enfrentarmos os desafios do nosso tempo”.
 Todos intervenientes saudaram o trabalho da presidência portuguesa para conseguir, durante o segundo semestre de 2007, a aprovação do Tra-tado de Lisboa, um documento que vai marcar o futuro europeu.

 A cerimónia arrancou com uma interpretação do “Hino da Alegria” pela Orquestra Metropolitana de Lisboa.
 Rodrigo Leão apresentou um primeiro momento musical, “Misterium”, a que se seguiu um filme sobre o Tratado de Lisboa, fechado na capital portuguesa durante a presidência de Portugal, no se-mestre em 2007.
 Depois dos discursos oficiais, Rodrigo Leão regressou ao palco para interpretar, com o acompanhamento da Orquestra Metropolitana, vários temas do seu álbum “Mãe”.
 A cerimónia encerrou com um espectáculo de fogo de artifício.