Eskom processa Deloitte para recuperar 207 milhões de randes

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 A empresa estatal de energia eléctrica da África do Sul, Eskom, decidiu processar a consultora Deloitte na tentativa de recuperar 207 milhões de randes (14 milhões de dólares) por “contratos indevidamente concedidos” em 2016.

 O administrador da empresa de energia, Jabu Mabuza, adiantou em comunicado que os contratos foram concedidos por executivos anteriores da estatal sul-africana.

 “As informações na nossa posse indicam que a Deloitte manteve actividades injustas que não foram transparentes e competitivas, recorrendo a informação privilegiada de funcionários da Eskom para a elaboração de propostas, e receberam contratos apesar dos orçamentos estarem acima da concorrência”, disse Mabuza.

 Mabuza disse que a Eskom pretende que o tribunal declare “ilegais e inconstitucionais as actividades relacionadas com um lote de propostas, que anule os prémios, e que a Deloitte devolva os montantes que recebeu da Eskom”.

 As investigações começaram em 2016 após a divulgação de documentos que evidenciavam ligações entre a controversa família Gupta e o ex-presidente Jacob Zuma, nos acordos firmados com várias empresas do estado sul-africano, entre as quais a Eskom, além de várias multinacionais como a McKinsey e a alemã SAP.

 A família Gupta e Zuma negaram as acusações.

 No início deste mês, os Esta-dos Unidos decretaram sanções financeiras contra três irmãos da família Gupta por corrupção.

 As investigações despoletaram a demissão de vários executivos de empresas estatais; a realização de um inquérito presidencial sobre grande corrupção no Estado, bem como o afastamento de Jacob Zuma da Presidência da República pelo seu partido, em 2018, meses antes do final do seu segundo mandato.

 Na Eskom, que fornece 90% da electricidade do país, vários elementos da administração da empresa foram rapidamente substituídos pelo Governo do Congresso Nacional Africano (ANC).

 A Eskom, que se encontra tecnicamente falida com dívidas superiores a 450 biliões de randes e dependente de resgates financeiros constantes do Governo para manter as “luzes acesas”, é o epicentro de uma investigação judicial em curso sobre corrupção nas empresas estatais, além de várias outras investigações sobre má administração da empresa.