Eskom pode ser forçada a encerrar centrais de energia por poluição

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A empresa estatal de energia eléctrica da África do Sul, Eskom, pode ser forçada a encerrar algumas centrais termoeléctricas se não reduzir emissões de gases poluentes, alertou o director de operações da empresa, aumentando a possibilidade de mais “apagões”.

 De acordo com Jan Oberholzer, citado pela Reuters, a medida poderá significar o corte de um décimo dos 45.000 MW de capacidade de produção energética da empresa estatal.

 Recentemente, o Governo teve de resgatar financeiramente a empresa, endividada e tecnicamente falida, para a mantêr a funcionar.

 A Eskom, a maior empresa de utilidade pública sul-africana, fornece mais de 90% das necessidades energéticas da África do Sul, em grande parte através de centrais a carvão altamente poluentes, sem no entanto gerar receita financeira suficiente para cobrir custos de serviço da megadívida que contraiu nos últimos 25 anos.

 A empresa também é responsável por pelo menos um terço das emissões de gases de estufa no país.

 A modernização tecnológica necessária para que a Eskom possa reduzir as emissões de carbono e enxofre custaria 10 vezes mais do que os 26 biliões de randes que o Tesouro alocou à Eskom no ano fiscal que termina em Março de 2020, como parte de um pacote de 59 biliões randes que a administração do Presidente Cyril Ramaphosa anunciou para os próximos dois anos.

 Além desse resgate, o governo garantiu também um adicional de 23 biliões de randes, por ano, nos próximos três anos.

 “Para resolver neste momento todos os problemas (de emissões), seriam necessários 300 biliões de randes (20 biliões de dólares). Mas não temos dinheiro”, disse o administrador interino da Eskom, Jabu Mabuza.

 De acordo com a Reuters, a Eskom solicitou nesse sentido ao Ministério do Ambiente, o adiamento das suas obrigações para cumprir com os padrões de qualidade de ar e metas de emissões.

 “Se não corrigirmos isso e reduzirmos as nossas emissões, existe o risco de encerramento de algumas centrais”, disse à imprensa Oberholzer que escusou-se a avançar datas.

 As agências de notação citam a Eskom como uma das maiores ameaças ao estatuto de classificação de crédito da África do Sul.

 No primeiro trimestre deste ano, os cortes de energia imputados pela Eskom resultaram numa profunda contração da economia do país.

 Embora a situação tenha melhorado desde Março, devido ao fornecimento estável de carvão e à melhoria na manutenção da rede, Mabuza não descartou novos “apagões”.

 “Embora não possamos garantir que não haverá novos apagões, estamos confiantes de que podemos manter as luzes acesas neste Verão”, afirmou.

 Mabuza referiu que a Eskom tem reservas de carvão para 50 dias, excluindo as centrais de energia de Medupi e Kusile, acrescentando que “a empresa tenciona efectuar a manutenção da central com 5.500 MW de capacidade nos

próximos sete meses”.

 As reservas de carvão encontravam-se pela metade dos níveis regulatórios exigidos de 50 dias ou mais, no início do ano na maioria das centrais,

segundo a Reuters.

 Medupi e Kusile, actualmente em construção e ainda não totalmente operacionais, são das maiores centrais de carvão do mundo, mas desde o início da sua construção, em 2008, que têm sido alvo de avarias e de um escalonamento de custos.

 Estes contratempos agravaram a escassez de energia na África do Sul, assim como a crise de gestão financeira na Eskom.

 Os custos para concluir a construção de Medupi e Kusile aumentaram para 145 biliões de randes e 161 biliões, respectivamente, de acordo com a estimativa apresentada pela Eskom na passada quarta-feira.

 O cumprimento dos padrões de emissão de gases pela central de Medupi poderá adicionar 80 biliões de randes ao seu orçamento de encargos.