Eskom anuncia prejuízo de 11,2 biliões de randes e diz que não pode resolver situação financeira com a venda de activos

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 A estatal de energia eléctrica sul-africana, Eskom, anunciou quarta-feira prejuízos de mais de 11.2 biliões de randes (800 milhões de dólares) no exercício financeiro corrente, afirmando que a venda dos activos da empresa não ajudará a resolver a precária situação financeira em que se encontra, sendo preferível uma injecção de capital por parte do Estado. 

 A Eskom, que é tida como a maior empresa pública de energia no continente africano, confronta-se com o desafio de reverter uma década de declínio negativo acentuado da sua gestão, em que as receitas provenientes da electricidade vendida caíram e a sua dívida subiu exponencialmente, num período em que a empresa estatal se envolveu em megaescândalos de corrupção.

 A Eskom fornece mais de 90% das necessidades energéticas da África do Sul, sendo por isso uma entidade es-sencial para o equílibrio da economia nacional, estimada em 340 biliões de dólares.

“A Eskom encontra-se num estado de gravíssima dificuldade financeira, … estamos amarrados a uma posição deficitária de prejuízo”, afirmou na passada quarta-feira aos jornalistas o administrador da empresa Jabu Mabuza, em conferência de imprensa em Joanesburgo.

 “Todos os activos que poderíamos vender são aqueles que ninguém está interessado em comprar”, disse Mabuza, acrescentando que “existem outras opções, como o resgate financeiro, uma injecção de capital pelos accionistas ou uma espécie de alívio da dívida”.

 Por seu lado, o director-geral Phakamani Hadebe disse que as opções de apoio do governo podem ser através de “uma injecção de capital ou transferência de parte da dívida da empresa para o balancete do Estado”.

 “Os nossos níveis de endividamento atingiram um determinado patamar que deixou de ser sustentável”, afirmou Hadebe.

 No início do ano, o Presidente Cyril Ramaphosa nomeou um novo conselho de admnistração na Eskom, naquela que foi uma das suas primeiras medidas como chefe de Estado após substituir no car-go e na líderança do Congresso Nacional Africano, Jacob Zuma, afastado pelo partido governante por alegado envolvimento em inúmeros escândalos de corrupção. Ramaphosa serviu como vice-presidente no mandato do seu antecessor. 

 Todavia, e de acordo com a agência financeira Reuters, os esforços para alterar para po-sitivo o quadro financeiro da empresa estatal de energia eléctrica, “têm sido afectados por severas restrições fiscais, distúrbios laborais e pela escassez de combustível que afectam cerca de dois terços das suas fábricas de energia a carvão”.

 Segundo a Reuters, no anúncio de quarta-feira a Eskom anunciou um lucro de 671 milhões de randes no segundo semestre do ano, até ao final de Setembro, mas salvaguardou que “o desempenho da empresa nos próximos seis meses será afectado por um acordo salarial com os sindicatos e o aumento dos custos de manutenção operacional”.

 A dívida total da Eskom subiu para 419 biliões de randes no final de Setembro, de 367 biliões no ano anterior, adiantou.