Escritora Patrícia Reis faz ciclo de conferências na África do Sul

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Escritora Patrícia Reis faz ciclo de conferências na África do Sul

Teve lugar no dia 29 de Setembro na Wiser Seminar Room, da Universidade Wits em Joanesburgo, a conferência da escritora e jornalista Patrícia Reis. Esta a segunda de cinco, dadas na África do Sul. A primeira das quais foi na escola Protea Glenn High School no Soweto.

 Estiveram presentes 11 pessoas na Wiser Seminar Room para assistir à palestra dada pela autora portuguesa, que é a actual editora da revista Egoísta, uma das mais premiadas a nível europeu. Patrícia Reis começou por dar as boas-vindas a todos, agradecer o convite e a possibilidade de estar presente na Wits para falar acerca de livros e da escrita. Afirmou “serem verdadeiramente paixões na minha vida.”

 O tema da conferência envolveu, segundo a autora, “a importância de ser livro”, título que adveio da obra de Oscar Wilde, “The importance of being Ernest”.

 Afirmou que todos os presentes na sala eram em si, livros e que o ser humano por na-tureza, gosta de contar histórias e que é essa característica uma das que nos definem enquanto espécie. Explicou a diferença entre quem escreve ou se intitula como “escritor” e as restantes pessoas.

 Segundo Patrícia Reis, um escritor é alguém que necessita de colocar as coisas nu-ma perspectiva e que necessita colocar por escrito, sentimentos e pensamentos em relação a questões da vida.

 Afirmou também que “os escritores criam personagens para que, de algum modo, possam contar as suas histórias e a sua realidade. Engane-se quem pensar que ne-nhum escritor coloca algo de si na sua escrita”.

 Afirmou que mesmo no séc. XXI nem todas as sociedades utilizam a roda, mas que to-das sem excepção conta histórias.

 Falou na elevada e fundamental importância do seu tio-avô que a influenciou e modelou. Patrícia Reis passou parte da sua tenra infância a ler os grandes clássicos da literatura portuguesa em voz alta, dado que uma tia-avó sua não sabia ler.

 Falou ainda na peripécia, de quando o tio-avó saía, esta parente ia buscar-lhe roman-ces para que Patrícia Reis os lesse em voz alta.

 “Era o nosso segredo”, gracejou com os presentes.

 Atribuíu tudo o que é hoje, como profissional e pessoa a este tio-avô, que a moldou e despertou a curiosidade intelectual. Explicou também que mais tarde percebeu que a li-teratura é uma arte e que é uma forma de expressão que marca as pessoas.

 “Se os livros forem bons ou maus, marcam pela positiva ou negativa, como é obvio”. Patrícia Reis, afirmou que durante tardes inteiras lia Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Júlio Dinis.

 Afirmou que “estes autores, estes escritores, são os fundadores de uma leitora como eu.”

 “Num livro, podemos perder-nos em terras longínquas e sempre pensei que um livro é um bilhete de avião para um terra desconhecida”, afirmou a autora.

 Apaixonou-se por temas que leu, como direitos humanos, paz, democracia, ética, “certo e errado” e claro, o amor. Se-gundo Reis, começou a escrever muito cedo e sempre com a imaginação e criatividade própria das crianças. “Não me lembro de mim sem escrever”, acrescentou também que acredita que não é possível ser escritor sem se ser um leitor primeiro e que os livros, sempre fizeram parte da sua vida e estiveram no seu quotidiano.

 Afirmou também que, de certa forma, os escritores são também historiadores, porque narram as suas histórias e as da sociedade em que estão inseridos, isso é visível nas obras sobre o holocausto feito pelos nazis, o 11 de Setembro de 2001 e outros tantos acontecimentos marcantes da Humanidade ao longo dos séculos.

 Explicou também que a escrita é um processo difícil e moRoso, mas que não deixa de ser fluído. Isto, ilustrado através de uma citação da poetisa Filipa Leal, “as palavras exactas nas quais pensamos, são as mais difíceis de encontrar”.

 Levantou ainda Patrícia Reis a questão do que é que não conhece fronteiras? Isto porque muitos dos melhores au-tores do Mundo não estão traduzidos em idiomas que não o seu original e que isso é não só algo lamentável, mas que ao mesmo tempo não é grave. A dor, paixão, generosidade e inveja, medo e encanto são iguais para todos, independentemente de raça ou credo ou das bandeiras nacionais de cada um.

 Terminou a afirmar que “são sentimentos que nos impelem a escrever. Continuamos a buscar palavras que nos en-cham de conhecimento e solitude, ao que se chama arte. Buscando-as dentro de nós, entre a luz e penumbra da existência, que é o que interessa na plenitude da vida. Aí encontramos os limites da literatura ou da arte, embora a paixão não conheça limites”.

 Houve depois uma pequena sessão de perguntas e respostas, às quais a autora respondeu sentada em cima da secretária, conferindo a esse momento, um sentimento mais intimista e de proximidade.

 Após esta sessão houve um pequeno convívio com pastéis de nata e vinho do Porto, quando onde os presentes puderam confraternizar com Patrícia Reis.

 

* Na Protea Glen no soweto

 

 O Século de Joanesburgo perguntou à escritora Patrícia Reis a sua opinião sobre a escola Protea Glen High School no Soweto. Afirmou-nos que gostou muito da envolvência da escola toda e que lhe colocaram muitas e variadas questões, não só sobre as suas obras literárias, mas sobre o Português.

 Patrícia Reis salientou-nos também que foi uma conferência sem cerimónia e simples, com a presença atenta de todos os alunos e corpo docente da escola.

 A editora da revista Egoísta esteve ainda neste ciclo de conferências, no Merensky II Library da Universidade de Pretória, no Cornwall Hill College, também em Pretória e no Assumption Convent School em Joanesburgo.