Escola Portuguesa de Díli reabre este mês com regras de segurança sanitária

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  A Escola Portuguesa de Díli abre o ano lectivo a 17 deste mês de Setembro, com apertadas regras de segurança sanitária, incluindo uso permanente de máscaras e distanciamento social, e ainda sem a chegada de todos os professores de Portugal.

  “As primeiras semanas vão ser de consolidação do material aprendido em ensino à distância, para questões mais comportamentais, de cidadania e de adaptação à nova realidade”, explicou Acácio de Brito, director da Escola Portuguesa de Díli (EPD).

  Condicionado pelas regras de prevenção da pandemia de covid-19, o ano lectivo começa com apenas 23 dos 66 docentes previstos, com os restantes a viajarem de Lisboa apenas a 19 de Setembro.

  Estes docentes, que incluem 20 novos professores, vão aproveitar um voo que está a ser organizado pela EuroAtlântico para contornar o isolamento em termos de ligações aéreas com que Timor-Leste vive desde Março.

  À chegada a Díli, os professores terão ainda de cumprir duas semanas de quarentena, podendo trabalhar apenas depois de testes negativos à covid-19 realizados em Timor-Leste.

  Acácio de Brito reconhece os desafios que o novo ano coloca, quando são esperados mais de 1.100 alunos nos vários níveis de ensino, notando que a escola está “preparada para o pior, mas ansiando para que tudo corra bem”.

  A abertura do ano lectivo marca o retomar das actividades com alunos, que foram suspensas a 13 de Março, devido às cheias que danificaram significativamente a infraestrutura, entretanto re-cuperada e até, em alguns casos melhorada.

  A pandemia impediu que as actividades lectivas presenciais fossem retomadas mesmo depois das obras concluídas, com o último ano lectivo a ser concluído à distância, salvo no caso dos exames do 12º ano.

  O plano prevê pontos diferentes para entrada e saída da escola, com medição de temperatura, sendo que todos – alunos, professores, funcioná-rios, visitantes e encarregados de educação – têm de “obrigatoriamente utilizar máscara co-brindo a boca e o nariz durante toda a sua permanência na escola”.

  Esta regra só não se aplica às crianças da educação pré-escolar, do primeiro ciclo e do novo projecto “Ano Zero”, uma iniciativa que se estreia este ano para apoiar alunos que, à chegada à escola, tenham maiores dificuldades com o português.

  À entrada e saída das salas de aula ou dos espaços de ensino e aprendizagem, todos os alu-nos e professores devem proceder à lavagem das mãos com água e sabão ou com gel desinfectante.

  “Nas salas de aula, é obrigatório aos alunos e docentes o uso continuo da máscara de proteção e, dentro do possível, devem os alunos manter uma distância social adequada. Na sala de aula não é permitida a partilha de material escolar”, referem as novas diretrizes.

  “No sentido da prevalência do distanciamento social, nos corredores da escola não serão permitidos ajuntamentos de alunos sem o necessário distanciamento social (1,5 metros)”, acrescentam.

  Acácio de Brito pede a colaboração de pais e encarregados de educação, tanto para o fornecimento das máscaras para os alunos – hoje tornaram-se comuns em Timor-Leste as máscaras reutilizáveis –, como no que toca a explicar e implementar as novas regras de segurança sanitária.

  Ainda que a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) seja no sentido do uso de máscara pelos alunos a partir dos seis anos, no caso da EPD essa regra aplica-se a partir dos 10 anos, com “rigoroso” controlo de temperatura à entrada e a desinfecção de mãos.

  O refeitório vai abrir durante mais tempo para acomodar uma redução de 50% na lotação.

  Haverá ainda desinfecção reforçada de todos os espaços escolares.

  No que toca ao ensino, e entre as inovações deste ano, a EPD estreia o “Ano Zero”, com “crianças identificadas como não falantes da língua portuguesa, com enormes dificuldades de integração em grupo do pré-escolar, que tenham cinco anos de idade, mas que não se encontrem em situação de ingressar no 1º ano do 1.º ciclo do ensino básico”.

  Essa turma funcionará com um horário de 20 horas semanais de aprendizagem da língua portuguesa, mais cinco horas destinadas às áreas de conteúdos de Formação Pessoal e Social e Expressão e Comunicação.

  “Para que os alunos se sintam motivados para a aprendizagem da língua e assimilem os conteúdos previstos mais facilmente, procura-se que, maioritariamente, os recursos a utilizar sejam lúdicos e didácticos, recorrendo a canções e áudios com o vocabulário estudado, apresentações multimédia, jogos de mímica e memorização, favorecendo a interacção e expressão oral dos alunos”, explica a EPD.