Escândalos de corrupção à volta de covid-19 agitam Governo e partido no poder

0
66

Um esforço do presidente Cyril Ramaphosa e seus apoiantes para que o ANC desencoraje dirigentes do partido de permitir que seus familiares façam negócios com o Estado caiu em ouvidos surdos na reunião do comité executivo nacional (NEC).

  Ramaphosa, durante a reunião virtual do NEC, lembrou aos dirigentes do partido no poder que o povo esperava mais do seu desempenho e que a liderança vem de um sacrifício.

  Membros do NEC, disseram ao News24, que Ramaphosa teve o cuidado de apresentar uma sugestão para fortalecer a política e chamar atenção aos familiares que fazem negócios relacionados com concursos de trabalho com o Es-tado, já que esse argumento foi abafado por alguns políticos que se opuseram.

 A reunião virtual não quis comprometer os líde-res provinciais a fazer uma lista dos implicados em actos ilícitos nas suas províncias, deliberando sobre o que deve acontecer.

  A propósito, os defensores do secretário-geral do ANC, Ace Magashule, criticaram qualquer afirmação de que seus filhos teriam beneficiado de certos negócios do Estado.

  O mesmo foi dito sobre a ex-ministra de Assuntos Ambientais, Nomvula Mokonyane, cuja filha teria recebido contratos da província de Gauteng.

  “Dissemos que Ace não é portador de um escritório. Se ele também quer fazer negócios com o Estado, ele pode fazê-lo. Não há nenhuma lei que o proibe”, disse um membro do NEC, fiel a Magashule.

  Dois outros membros do comité executivo do partido disseram que constava que o Estado era o maior fornecedor de bens e serviços, e era in-justo pedir aos familiares de políticos que não negociassem com ele.

  Ramaphosa tentou invocar a liderança ética, mas enfrentou resistência.

  “Afirmaram que Nomvula não estava no cargo, por isso, se a filha receber uma proposta, não constitui crime. Não é o mesmo que acontece com a porta-voz do presidente (Khusela Diko). Ela está no cargo e há um conflito de interesses”. Disse a fonte, que é um conhecido rival de Ramaphosa, .

  Isso em referência a Khusela Diko, porta-voz de Ramaphosa, depois de uma empresa do ma-rido ter conseguido um concurso escandaloso junto do departamento de Saúde de Gauteng.

  O mesmo membro do NEC acrescentou que o filho de Ramaphosa, Andile, é também acusado de ter beneficiado de negócios do Estado

  Acrescentou que os esforços de Ramaphosa para mudar a política sobre quem recebe propostas do Estado, para evitar qualquer percepção de conflito, foram um “exercício nulo”.

  No seu boletim semanal, Ramaphosa disse que se os funcionários públicos e aqueles com cargos políticos levam a sério a restauração da confiança pública, que foi severamente corroída pela corrupção, eles devem evitar até a percepção de um conflito de interesses.

  “Se, como funcionários públicos e titulares de cargos políticos, realmente nos preocupamos com o público cujos interesses pretendemos re-presentar, devemos permitir que membros comuns que tenham interesse em fazer negócios com o governo, tenham uma conjuntura justa de concorrer a essas ocasiões de negócios, em vez de transmitir informações privilegiadas sobre oportunidades aos famílias e amigos”, disse Ramaphosa.

  O presidente sublinhou que regulamentos, como a divulgação financeira anual, que desencoraja os funcionários públicos que fazem negócios com o Estado, não são suficientes.

  “Enquanto todos na África do Sul têm o direito de se envolver em actividades comerciais, en-frentamos o problema real de famílias e amigos de cargos políticos ou funcionários públicos que recebem contratos do Estado.

  “Nem toda a conduta desse tipo é necessariamente criminosa, mas contribui para uma percepção e uma cultura de nepotismo, favoritismo e abuso.

  “E isso prejudica a confiança do público na integridade das nossas instituições e processos”, disse o chefe de Estado sul-africano.