Entregues donativos do Santander Totta à Beneficência

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Entregues donativos do Santander Totta à Beneficência

Teve lugar na quinta-feira, 1 de Dezembro, no restaurante português “Castelo” no The Hill, sul de Joanesburgo, o convívio semanal da Academia do Bacalhau de Joanesburgo. No almoço da tertúlia, desta feita patrocinado pelo presidente José Contente, estiveram 37 compadres e comadres entre eles, o compadre Francisco Meireles,  novo cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo. Foi o primeiro almoço das quintas-feiras ao qual o compadre Meireles, feito membro na Academia da Namíbia, participou.

 Nesta semana, o destaque foi para os cheques donativos do banco Santander Totta, que foram entregues pelo compadre Maciel Pinheiro à presidente da Direcção da Sociedade Portuguesa de Beneficência (SPB), a comadre honorária Isabel Policarpo. A importância de 100.000 randes referente ao Quadro de Honra do Lar da Beneficência, o valor de 10.000 randes referente ao patrocínio do almoço da Academia-Mãe realizado no Refeitório do Lar e no qual foi anunciada a doacção com a presença de directores daquela instituição bancária e um terceiro cheque de 4.000 randes como contribuição para os Cabazes de Natal destinados a famílias portu-guesas carenciadas, numa iniciativa do compadre Manuel Silva sob o patrocínio da Academia do Bacalhau.

 Foi um momento alto da tarde e que pintou um sorriso aberto e radiante na cara da comadre honorária Isabel Policarpo.

 O outro momento alto da tarde foi, sem dúvida, a intervenção do compadre Francisco Meireles. Uma intervenção muito aberta, informativa e inclusiva à Comunidade portuguesa e aos compadres ali reunidos, relativamente às negociações em curso com o proprietário do edifício onde se encontra instalado o Consulado Geral, em Bruma, e que podem ditar a mudança de local. 

 Os compadres e as comadres foram recebidos com bebidas aperitivas, como gin tónico, whiskey e refrigerantes, ameijoas à espanhola e dobrada.

 O almoço foi oficialmente aberto pelas 13h25, com o compadre presidente José Contente a soar o badalo e a pedir que todos carregassem os copos com vinho tinto para o brinde, “Gavião de Penacho”, cujo “tom” foi dado pelo compadre José Luís Rodrigues.

 O presidente deu as boas-vindas a todos, que incluíram o novo cônsul-geral, compadre Francisco Meireles. “Ao compadre Francisco, muito obrigado pela sua presença. Chegou na sexta-feira e logo nesse dia esteve presente no nosso jantar de Natal no Magusto. Estamos muito gratos por poder contar consigo, logo na sua primeira semana de trabalho”, salientou o presidente.

 Antes de se sentar e dar por terminada a sua primeira intervenção, o compadre Contente nomeou para “carrasco” da tarde o compadre Sérgio Oliveira.

 O primeiro prato foi então levado para a mesa, a sopa de caldo-verde. Findo e levantado o primeiro prato, o presidente tornou a soar o badalo para usar da palavra.

 Nesta intervenção o presidente aludiu ao enorme sucesso do Magusto 2016 da SPB. “Das voltas que dei pelo recinto, em todos os lugares que passei, só via gente a soar, a trabalhar nos grelhadores a assar carne e sardinhas, a pedir mais uma cerveja, a servir, a vender bilhetes… e eu não sei, mas não havia ninguém que não fosse ou compadre ou comadre”, afirmou Contente com um enorme sorriso no rosto.

 “E muito bom foi também ver jovens, como o Michael Alves e a esposa, a Sarah, o filho do nosso compadre Hélder Alves, que disseram, vim aqui para trabalhar. Puseram-se a assar carne, a Sarah no bar a servir bebidas e a atender as pessoas”, declarou o presidente.

 O compadre presidente José Contente agradeceu também, de novo, publicamente a todos os intervenientes e patrocinadores.

 Seguidamente, a palavra foi dada à comadre honorária Isabel Policarpo. “Quero agradecer a presença do senhor cônsul, que logo na sexta-feira esteve no nosso Lar. Fica já feito o convite para a festa do Lar, o Natal dos idosos residentes, que será no domingo, dia 11 deste mês. Quero também agradecer a todos que estiveram presentes, agradecer todo o trabalho porque tudo em é prol do Lar e dos nossos residentes e para ajudar aqueles que não têm possibilidades de pagar.

 E claro, das novas obras. Estamos já a concretizar uma nova e a sonhar outras, por-que o Lar não pode ficar parado.

 É só com esforço, como o que houve no fim-de-semana passado e que há todos os dias, que o Lar e a SPB são um sucesso.”

 A comadre acrescentou “quero agradecer ao meu executivo, aos trabalhadores do Lar, ao Board of Trustess e claro, quero dar um especial agradecimento ao compadre Pedro Silva, pela forma eficiente como organizou o Magusto.

 No meu discurso de domingo, não mencionei ninguém porque também não queria ferir susceptibilidades, vamos enviar cartas a agradecer individualmente a quem temos que agradecer. A todos, mais uma vez, muito obrigado” conclui a comadre honorária.

 O presidente também aludiu às revistas feitas para o Magusto, onde tem um capítulo afecto ao processo de criação da SPB e da Academia-Mãe, escrito pela mão do compadre fundador Durval Marques.

 Tiveram intervenções de boas-vindas ao novo cônsul-geral os compadres José Valentim, Rudy Gallego e José Gonçalves, tendo este último anunciado a intenção de oferecer uma estátua de Luís Vaz de Camões ao Consulado Geral. De salientar que José Gonçalves foi o doador da estátua da Rainha Santa Isabel, que se encontra junto ao portão principal do Lar da Sociedade de Beneficência, em Albertskroon.

 O presidente acrescentou que “entretanto, temos aqui no nosso convívio os representantes do Santander Totta, instituição bancária que doou 100.000 randes à Sociedade de Beneficência.

 A palavra foi então dada ao compadre Maciel Pinheiro. “Boa tarde a todos, há umas semanas atrás foi anunciada a nossa contribuição para o Lar da SPB e hoje queria aqui concretizar os donativos que fizémos. Os 100.000 randes do quadro de honra, os 10.000 randes do patrocínio do almoço e também retomar o patrocinio regular de 4.000 randes, que este ano será para ajuda dos cabazes de Natal da Academia”, afirmou o compadre Maciel.

 Foram então entregues os envelopes com os cheques. O compadre Pinheiro acrescentou, “quero agradecer aqui ao compadre Varela Afonso, que faz um trabalho muito importante para os que estão longe, verem através do jornal o trabalho e tudo o que se faz nesta Comunidade portuguesa, facto que muito facilita a sensibilização para a atribuição dos donativos. Para também verem que aquilo que foi dado, foi bem dado e vai para boas e justas causas”, rematou o compadre Maciel Pinheiro, delegado do Banco Santander Totta na África do Sul.

 O prato principal foi então servido, bacalhau assado, com batatas assadas e acompanhado de grão-de-bico. De notar, já apanágio desta casa, que o bacalhau servido foi de postas de tamanho considerável, bem demolhado, assado ao ponto, com o peixe a lascar bem. O que foi do agrado de todos os presentes.

 As conversas paralelas, o barulho dos talheres e as gargalhadas dominaram o ambiente do almoço, prova do ambiente de amizade vivido semanalmente e em todos os eventos da tertúlia. 

 Findo e levantado o prato principal, o compadre presidente pediu que o compadre Meireles dirigisse algumas palavras aos presentes.

 “É com muito gosto e muita honra que aqui estou. Para qualquer compadre é uma grande satisfação fazer parte de um convívio da Academia-Mãe do Bacalhau. Fiz um es-forço muito grande para aqui poder estar e fiz questão de vir na primeira quinta-feira da minha presença em Joanes-burgo.”

 O compadre informou também que “comecei com um prato cheio de trabalho, com as chuvas caíu uma viga no Consulado e com ela parte do tecto. Estamos agora a ver com o proprietário como vamos fazer as obras e as reparações. Creio que teremos que eventualmente mudar de instalações, porque aquilo que estamos a pagar de ren-da não é o apropriado.”

 Adiantou também, “que a par disso, tivémos a triste notícia do conterrâneo nosso que foi assassinado e, como tal, estamos a lidar com esse assunto”.

 “Bem, o trabalho que fazemos não é fácil, porque o orçamento que temos, já com a Luísa Fragoso, foi cortado em 50% e não é fácil manter o nível de serviço e trabalho com estes factores, por isso o trabalho dela foi extraordi-nário. 

 Queria dizer, a título de curiosidade e depois da pergunta que me foi feita, que Meireles há muitos, porque há uma localidade em Trás-os-Montes que se chama Meireles. É assim, porque antes de Portugal ser Portugal completo, vinham os invasores e gritavam “mira ellos, mira ellos” e depois ali, no local onde se deu a batalha, os vencedores foram levados ao rei que concedeu o nome de Meireles àquela localidade.”

 O compadre Meireles contou também uma tradição particular da sua família, em que o anel de noivado, é legado de geração em geração, na parte da mãe, não da parte do pai. Um costume matriarcal.

 “Estive quatro anos na Namíbia, quatro em Moçambique, portanto conheço a África do Sul por dois lados, pela direita e pela esquerda, só não entrei pelo Cabo.

 Estes apenas seis dias confirmaram-me a extraordinária capacidade solidária desta comunidade. A Academia é um grande exemplo, como representante de Portugal, do nos-so país e das suas tradições, é um grande orgulho”.

 O compadre Meireles rematou a sua intervenção ao colocar-se à disposição de todos e mostrou vontade de ajudar, colaborar e estar presente para os portugueses.

 Por fim, porque a tarde já se alongava, a palavra final foi dada ao “carrasco”. O compadre Sérgio Oliveira, num misto de bom humor e brinca-deira, distribuiu os “castigos” aos prevaricadores. Estando as garrafas de whiskey e vinho do Porto servidas, em conjunto com as sobremesas e cafés, o repasto foi dado como terminado com o entoar do refrão da Marcha da Academia e o último “Gavião de Penacho”.

 Vários compadres permaneceram em conversa em torno da mesa e convívio pela tarde adentro.