Ensino de Português no estrangeiro está caótico e gera temor quanto ao seu futuro

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Ensino de Português no estrangeiro está caótico e gera temor quanto ao seu futuro

A situação do Ensino do Português no Estrangeiro (EPE) é “caótica” e está a gerar temor entre pais, alunos e professores quanto ao futuro do ano lectivo e do próprio ensino do português na diáspora, disse na sexta-feira em Lisboa uma representante sindical.

 Teresa Soares, secretária-geral do Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas, afirmou à Agência Lusa que existe “uma atmosfera de fundado temor”, entre pais, alunos e professores, sobre o futuro do EPE e do próprio ano lectivo com as medidas tomadas pelas autoridades portuguesas.

 Segundo a sindicalista, cerca de 5.000 alunos do EPE ficaram sem aulas depois de 49 professores (20 em França, 20 na Suíça e nove em Espanha) verem as suas comissões terminadas a 31 de Dezembro.
 No total, desde o início deste ano lectivo, 15 mil crianças estão sem aulas e quase 200 professores foram retirados do sistema de ensino.
 “(As autoridades portuguesas) têm tentado que alguns desses grupos de alunos, dessas turmas que ficaram sem aulas, sejam integradas nos cursos de outros professores, mas isso é muito problemático, porque há incompatibilidade de horários e, além disso, os professores já estão sobrecarregados”, declarou Teresa Soares.

 De acordo com a sindicalista, “neste momento, há professores na Suíça que estão a fazer ou vão fazer deslocações de oitocentos ou até mil quilómetros por semana para poderem acompanhar cursos que ficaram sem aulas”.

 “O problema é que isso está a afectar muito gravemente a qualidade do ensino, porque a coordenação da Suíça e a coordenação de França estão a pressionar os professores para que reduzam as horas com os alunos que já têm para poderem ir dar aulas a outros alunos”, sublinhou.
 Teresa Soares afirmou que os alunos estão a ficar com piores condições de aprendizagem, já que têm menos tempo de aulas, e os professores estão sobrecarregados porque têm grupos maiores e mais níveis para leccionar.
 Sobre a certificação dos cursos de português como língua materna, que o governo pretende estabelecer, a sindica-lista referiu que neste momento não é prioritário.

 “Há certificação de outros tipos. Nós precisamos é de professores, de condições de trabalho, os nossos alunos precisam de condições para aprender e, principalmente, as pessoas precisam de ter um pouco de garantia, um pouco de calma e não estar sempre a pensar que chegando ao fim do ano não se sabe se haverá aulas ou não no ano seguinte. Isso é uma preocupação quase constante, pois nunca se sabe como vai ser ou se vai haver o ano lectivo seguinte”, adiantou Teresa Soares.
 “A formação de língua portuguesa não é certificada, ou seja, nós damos a esses 60 mil alunos o ensino em língua portuguesa e depois não lhes passamos nenhum certificado disso”, referiu, na quinta-feira à Lusa, o secretário de Estado das Comunidades, José Cesário.

 Segundo Cesário, “isso só é feito para o ensino do português como língua estrangeira e não para o ensino do português como língua materna”.
 “O que vamos fazer, a partir de agora, é essa certificação, que é uma coisa que não se faz e é inaceitável. É verdade que há cantões suíços que fazem, é verdade que em França se faz, é verdade que num ou outro sítio se faz, mas em muitos sítios não”, referiu Jo-sé Cesário.