Energia, banca e seguros são aposta dos chineses no mercado português

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A China tem reforçado o seu investimento no mercado português, com energia, banca e seguros no topo das preferências, mas os media também são alvo de interesse, com a entrada da KNJ na Global Media, dona dos jornais Diário de Notícias, Jornal de Notícias, DN Madeira, O Jogo, Dinheiro Vivo, Jornal do Fundão, Mais e Rádio TSF.

 As empresas chinesas aproveitaram a ‘onda’ de privatizações em Portugal para refor-çarem a sua presença, já que o país serve de porta de entrada para Europa e para os países de língua oficial portuguesa, isto sem falar na corrida às concessões de vistos ‘gold’.

 O primeiro Fórum Económico Portugal-China, organizado pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa e pela Fundação AIP, arrancou na terça-feira, em Lisboa, e tem como objectivo fortalecer a interacção entre empresas e instituições dos países.

 Ontem, domingo, os chineses da Fosun anunciaram ter investido quase 174,6 milhões de euros para serem o maior accionista do BCP, com 16,7% do capital, uma opera-ção que pretende que reforce a sua presença empresarial na Europa e em África.

“Nos termos do acordo subscrito, a Chiado [uma empresa do grupo chinês] acordou em subscrever 157.437.395 acções a um preço de subscrição de 1,1089 euros por ac-ção a emitir pelo BCP através de colocação reservada à Chiado, equivalente a cerca de 16,67% do capital social do BCP. O montante total da transacção é de 174.582.327,32 euros”, afirma a empresa num comunicado divulgado na sua página de internet.

 No comunicado, a empresa também anuncia que a Chia-do se compromete a não vender durante três anos as acções concedidas no âmbito do aumento de capital do banco.

 Sobre os principais benefícios da entrada dos chineses no BCP, a Fosun destaca a “sólida presença” empresarial do BCP na Europa e em África, nomeadamente em Angola e Moçambique.

 “O Grupo pretende aplicar as suas capacidades de investimento e outros recursos para ajudar o banco a melhorar ainda mais o negócio financeiro global relacionado com a região da grande China e também melhorar a rentabilidade do banco”, afirma no co-municado.

 A Fosun espera ainda que o negócio firmado com o banco português “reforce a capacidade internacional” de serviços financeiros do grupo chinês, incluindo a capacidade de serviços de banca comercial internacional, da banca de investimento e de serviços de banca privada.

 “Espera-se que a transacção reforce ainda mais a presença no mercado financeiro do grupo no mercado português”, conclui a Fosun.

 A entrada dos chineses do grupo Fosun no capital do BCP foi ontem também objeto de um comunicado do banco à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), assim como a suspensão de trabalhos da Assembleia-geral do banco que estava marcada para segunda-feira e vai ser adiada para 19 de Dezembro.

 

* CHINESES NA EDP

 

 A primeira privatização a arrancar, durante o governo de Pedro Passos Coelho, foi a da EDP, em dezembro de 2011, com o anúncio da venda de 21,35% da elétrica portuguesa à China Three Gorges, por 2,69 biliões de euros.

 Em fevereiro de 2012, foi a vez da venda da REN, com os chineses da State Grid a ficarem com 25% do capital, pagando 387 milhões de euros pela posição na empresa gestora das redes energéticas nacionais.

 Posteriormente, a chinesa Fosun comprou a seguradora Fidelidade e a Espírito Santo Saúde.

 No ano passado, o Haitong Bank concluiu a compra do banco de investimento português BESI.

 Em outubro passado, o grupo de Macau KNJ Investment Limited, fundado em 2012, assinou um memorando de entendimento com a Global Media, que prevê que a em-presa macaense passe a controlar 30% da dona do Diário de Notícias (DN) e da TSF, entre outros títulos, através de uma injecção de capital de 17,5 milhões de euros.

 Com a concretização da operação, prevista para 2017, a macaense KNJ tornar-se-á na maior accionista da dona do DN.

 Entre outros investimentos chineses em Portugal, destaca-se a inauguração, em Fevereiro de 2012, do centro tecnológico da Huawei (empresa de telecomunicações) em Lisboa, que representou um investimento de 10 milhões de euros, que se juntou aos 40 milhões de euros que a multinacional chinesa tinha investido no mercado português.

 Além disso, no início de 2012 o Banco Internacional e Comercial da China (ICBC) abriu o seu primeiro escritório em Portugal, mais precisamente em Lisboa.

 Um ano depois, foi a vez do Bank of China escolher a capital portuguesa para abrir um escritório e um balcão de atendimento.

 Também o sector imobiliário é uma aposta da China, com os chineses a liderarem, por nacionalidades, os vistos ‘gold’ em Portugal.

 Desde que o programa dos vistos dourados arrancou, a 8 de outubro de 2012, até final de outubro, 2.926 investidores chineses tinham obtido Autorização de Residência para actividade de Investimento, segundo dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

 No mês passado, o primeiro-ministro, António Costa, realizou uma visita oficial à República Popular da China.