Empresas portuguesas tornaram-se mais prudentes com agudizar da crise na Grécia

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crise na GréciaAs empresas portuguesas presentes na Grécia tornaram-se mais prudentes com o agudizar da crise que o país enfrenta e debatem-se com a burocracia, afirmou o embaixador de Portugal em Atenas.

 “Toda esta situação [que se vive na Grécia] criou problemas às empresas e aos investimentos portugueses”, admitiu Alfredo Duarte Costa, em declarações aos jornalistas, em Atenas.
O diplomata disse que, actualmente, “há alguma prudência” por parte das empresas portuguesas que estão presentes na Grécia, como a Martifer, a Sonae Distribuição ou o Millenium BCP.

 No entanto, segundo o embaixador, as empresas que já estão no mercado grego “vão continuar”.
 Entre os problemas que as empresas portuguesas enfrentam, o embaixador apontou a burocracia, exemplificando com a Sonae Sierra, que enfrenta algumas dificuldades, “nomeadamente ao nível das autorizações para começar obras”.
 O diplomata recordou ainda uma situação vivida pelo Millenium BCP, há cerca de dois anos: o banco pagou os impostos e depois o governo grego criou um imposto retroactivo que obrigou ao pagamento de mais 1,5 milhões de euros.

 Há cerca de três anos e meio em Atenas, Alfredo Duarte Costa afirma que “foi enorme” o impacto da crise.
 “No início de 2008, quando cheguei, encontrei um país diferente. As pessoas viviam nas ruas, nos restaurantes. Hoje, as pessoas saem menos, gastam menos”, disse, acrescentando que há ruas em Atenas que “uma em cada cinco lojas faliu”.
 O diplomata afirmou que “praticamente todos os dias há greves sectoriais, acompanhadas de manifestações”, e que, desde 2009, ocorre-ram, pelo menos, 11 greves gerais.

 Alfredo Duarte Costa considerou que a Grécia tem uma situação económica e financeira “mais grave” do que Portugal, mas refere que tanto as famílias gregas como as portuguesas “têm de se habituar a viver com menos”.
 O diplomata disse ainda que a evasão fiscal é “muito mais grave na Grécia do que em Portugal” e que é “mais difícil impor regras e leis” aos gregos do que aos portugueses.