Empresas de luso-descendentes devem apostar na sua singularidade diferenciada de mercado sul-africano – afirmam especialistas

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O mundo está a mudar. As constantes mudanças sócio-políticas, culturais e tecnológicas que hoje por nós deslizam a uma velocidade vertiginosa, impõem descernimento e humanismo. E com um universo de 150 milhões de negócios para 7.4 biliões de consumidores globais, procurar por uma empresa ou serviço é quase como procurar por uma agulha num palheiro!

 A solução está na inovação, diferenciação e qualidade de liderança, nomeadamente em mercados como África, onde uma aposta na singularidade e qualidade naquilo que é “ser únco”, aliada a uma forte componente empreendedora sócio-cultural e humana, já por si enraizada no DNA deste país, como é o caso da Lusofonia, pode marcar a diferen-ça para melhor.

 O conselho foi dado na passada quarta-feira, por três especialistas internacionais em liderança e empreendedorismo, durante um seminário organizado pela Câmara de Comércio Luso-Sul-Africana (SAPCC) e que juntou no Wanderers Club, em Joanesburgo, mais de centena e meia de empreendedores e líderes de negócios portugueses e luso-descendentes residentes na África do Sul.

 O encontro, muito animado e facilitado pelo irlandês Mark Peters, serviu para partilhar “o melhor aconselhamento de sempre” com base na experiência humana, profissional e de melhores prácticas obtidas pelo painel de especialistas junto de líderes globais como Richard Branson e Bill Gates, e ainda de CEO´s de empresas globais Fortune 500.   

 Sobre a África do Sul, que representa cerca de 1% da população mundial, o trio foi unâ-nime ao afirmar que “é um país de futuro com muitas e grandes oportunidades. De-pende da forma como olhamos para as coisas e o que queremos da vida”, acrescentando que a comunidade empresarial portuguesa deve continuar a apostar num posicionamento “único e diferenciador de qualidade” no mercado.

 “A comunidade portuguesa na África do Sul desfruta de um sentimento contagiante de realização e ambição nos negócios e se, adicionarmos a essa força cultural e conhecimento empresarial e regional, um forte espírito de empreen-dedorismo, acredito que é uma fórmula de sucesso”, disse ao Século o britânico, Mi-chael Jackson, especialista em estratégia de negócios e marketing.

 “As empresas portuguesas tem que se destacar no mercado. Tém que encontrar a sua singularidade, apostar naquilo que as diferencia e prestar níveis de serviços que o consumidor moderno reque-re hoje em dia. Finalmente, é necessário apostar em doses intermináveis de marketing, por forma a promover cons-tantemente a marca e os ser-viços no mercado, de todas as formas e formatos possíveis.”, adiantou.

 Allon Raiz, CEO da Raizcorp, a maior entidade privada sul-africana de incubação de ne-gócios e empresas em África, actualmente com mais de 500 empresas à sua responsabilidade, acrescenta que é também necessário ser relevante no mercado de hoje.

 “A Comunidade Portuguesa na África do Sul sempre conseguiu vingar em qualquer tipo de circunstância, quer seja boa ou adversa. E por isso, julgo que na base desse sucesso, reside o facto de existirem sempre oportunidades em todas as circunstâncias”, refere Raiz ao nosso jornal.

 “Só temos que ter a atitude certa ou o que eu chamo de, olhos de oportunidade, para as vêr à nossa frente. Temos sempre a opção de escolher entre o negativismo da realidade que reportam os média ou de perguntar a nós pró-prios qual é a oportunidade?. E se fizermos essa pergunta, logo à partida começamos por ter uma perspectiva diferente e do que é positivo e meritório”, afirma.

 “Pessoalmente, considero que o mais importante para uma empresa é manter-se sempre relevante no mercado e perante os seus clientes”, adianta Allon Raiz que, em 2008, recebeu o prémio Young Global Leader do Fo-rum Económico Mundial.

 Robin Banks, reconhecida autoridade em matéria de li-derança pessoal através do poder da mente, afirma, por seu lado, que as empresas e os negócios são como a mente humana e ao reconhecermos a mente como “solo fértil”, qualquer semente que se plante num solo fértil, ao ser cuidada, irá crescer.

 “A mente é como um jardim. E ao pensarmos em algo positivo ao acordar cada manhã e reconhecer que tudo na vida começa por um pensamento, isso quer dizer que os nossos pensamentos passam a realidade. Temos de saber o que queremos antes de recebermos”, afirma.

 De acordo com Robin Banks, que desde os 18 anos dedica a sua vida à transformação do “consciente global”, o ser humano nunca é “um produto das circunstâncias em que vive”.

 “O que nos define é o conjunto de valores em que acreditamos. Para mim, todas as pessoas são importantes. E é importante dar a conhecer e celebrar a nossa unicidade. O sucesso ajuda muitas pessoas mas as derrotas não ajudam ninguém. É portanto, nosso dever alcançar sucesso na vida.”, sugeriu aos empreendedores e líderes de negócios portugueses, Robin Banks, em declarações ao Século, no final do encontro da SAPCC , em Joanesburgo.