Empresas da China sustentam vendas de petróleo de Angola

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Empresas da China sustentam vendas de petróleo de Angola

As empresas da China estão a sustentar as vendas de petróleo de Angola, mesmo numa altura de incerteza, em que diminuem as compras a outros países da região, como a Nigéria, de acordo com dados da agência financeira ThomsonReuters.

 A China International United Petroleum & Chemicals Co. (Unipec) tem sido dos compradores mais activos no mercado à vista, absorvendo a maior parte dos carregamentos petrolíferos angolanos comercializados para o mês de Novembro, ainda de acordo com a mesma agência.

 “Angola está a vender bastante bem, estando as empresas chinesas a comprar grande número de carregamentos de petróleo”, afirmou à agência um operador de mercado.

 Apenas um terço dos 55 carregamentos de petróleo angolano programados para Novembro não foi arrematado na negociação do final de Setembro, contrastando com os nigerianos, que na sua maioria ficaram por arrematar.

 Em Outubro, de acordo com dados da ThomsonReuters, as exportações de países da África Ocidental para a China deverão ter sido as mais baixas dos últimos 4 anos – cerca de 735 mil barris diários.

 A Índia reforçou as suas compras aos países da região, de 475 mil barris para 552 mil barris, tal como Taiwan.

 Angola é o principal fornecedor africano de petróleo à China, o segundo em todo o mundo, com exportações de 806 milhões de barris em 2014.

 Os contractos de fornecimento de longo prazo à China, que começaram a ser estabelecidos sobretudo a partir de 2002, têm vindo a ser considerados uma “almofada” financeira para Angola na actual conjuntura de descida de preços, devido à forma como o preço é definido, favorável a Angola em momentos de flutuação no mercado.

 O Africa Monitor Intelligence, citando altos funcionários do regime angolano, afirmou que a queda abrupta do preço do petróleo é até certo ponto atenuada por estes contractos de longo prazo.

 Segundo números compilados recentemente pela Reuters, o financiamento da China a Angola, incluindo os créditos mais recentes, ascende já a 20 mil milhões de dólares, apoio que tem vindo a tornar-se cada vez mais necessário devido à quebra acentuada das receitas petrolíferas ao longo do último ano.

 Nos últimos anos, as petrolíferas estatais chinesas têm vindo a adquirir participações importantes no mar angolano.

 Em 2005, a aquisição pela China Petroleum & Chemical Corporation (Sinopec) do Bloco 3/80 coincidiu com o anúncio de um novo empréstimo de 2 mil milhões de dólares a Angola e, em 2010, a mesma petrolífera estatal chinesa comprou 50% do Bloco 18, ao mesmo tempo que era desembolsada a primeira parce-la de um empréstimo do Banco de Exportações e Importações da China.

 Também com capital chinês, do China Internacional Fund (participado pela China Sonangol), está a iniciar-se a construção da nova refinaria do Soyo (norte), que deverá estar operacional em 2017, com uma capacidade de processamento de 110 mil barris diários de combustíveis.

 As previsões de crescimento económico angolano têm vindo a ser revistas em baixa, perante a incerteza quanto a uma recuperação dos preços do petróleo, apontando agora o governo para 4,4%, significativamente acima do Fundo Monetário Internacional (3,5% em 2015 e 2016).