Empresários portugueses foram a Londres vender turismo de saúde e bem-estar

0
49
Empresários portugueses foram a Londres vender turismo de saúde e bem-estar

Uma missão empresarial portuguesa representativa do sector da saúde e bem-estar deslocou-se ao Reino Unido para apresentar a oferta turística portuguesa nesta área, que um estudo aponta poder render 400 milhões de euros anuais.

 A iniciativa insere-se no projecto da Associação Empresarial de Portugal (AEP) Healthy’n Portugal, que tem vindo a ser executado com o apoio do Health Cluster Portugal para “potenciar a capacidade instalada do país nas áreas médica, hospitalar e hoteleira” nos mercados internacionais, adiantou o presidente da AEP, Paulo Nunes de Almeida, à agência Lusa.

 Segundo explicou, o grande objectivo do projecto é “dotar a cadeia de valor de uma orientação estratégica que refor-ce a atractividade de Portugal tanto no turismo de bem-estar, como no turismo médico” e “rentabilize a qualidade dos profissionais e serviços de saúde” portugueses.

 A qualidade e diversidade da oferta, as competências dos profissionais de saúde, o nível dos serviços prestados nas instituições de referência do país, a relação custo/benefício dos actos médicos praticados, o parque hoteleiro e a predisposição dos pacientes de grande parte dos países do Norte e Centro da Europa são, para o dirigente associativo, “argumentos que Portugal tem de rentabilizar a seu favor no mercado global”.

 Segundo um estudo recente das consultoras Neoturis e Accenture, a que a agência Lusa teve acesso, a captação de turistas estrangeiros para tratamentos de saúde ou programas de bem-estar pode render a Portugal cerca de 400 milhões de euros anuais.

 O estudo aponta sete mercados-alvo para o sector português de saúde – Reino Unido, Alemanha, França, Espanha, Holanda, Suécia e Áustria – e realça a competitividade da oferta portuguesa em matéria de cirurgia às cataratas, an-gioplastia coronária, artroplastia da anca, colecistectomia, hérnia inguinal e femoral, artroplastia do joelho e prostatectomia.

 Entre outras instituições de saúde e operadores económicos, estiveram representados na missão empresarial ao Reino Unido o Centro Hospi-talar e Universitário de Coimbra, a Santa Casa da Misericórdia do Porto, a Porto Business School, a Tecsam e os três principais grupos privados de saúde a operar em Portugal: Mello, Luz e Lusía-das.

 Apoiado pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e pela Embaixada de Portugal em Londres, o programa da missão incluiu a realização de um seminário no Imperial College, em que estiveram representados hospitais, seguradoras, operadores turísticos, sociedades científicas, empresas de serviços de ‘ageing’, clínicas de reabilita-ção e centros de medicina estética, entre outros.

 Houve ainda encontros de negócios bilaterais na Embai-xada portuguesa na capital britânica e uma visita ao London Bridge Hospital.

 De acordo com a AEP, “para além das boas condições (climáticas, de infraestruturas turísticas e hoteleiras, de mo-bilidade, de equipamentos e serviços de saúde, de espa-ços de lazer, etc.) para o tratamento de várias doenças e um envelhecimento activo, foram realçadas as aptidões de Portugal nos domínios da infertilidade, estética, odontologia e recuperação desportiva”.

 E, nestes âmbitos, o estudo aponta que, para além dos sete mercados referenciados, existem outros países não europeus onde Portugal pode capitalizar os investimentos públicos e privado, que tem feito nas últimas décadas em matéria de saúde e bem-estar, nomeadamente Angola, Moçambique e o Brasil.

 Para Dezembro o projecto Healthy’n Portugal tem programada uma missão inversa, com a deslocação a Portugal de representantes de vários operadores de saúde britânicos.