Empresa construtora portuguesa com contratos na América Central

0
18

A construtora Gabriel Couto assinou em Dezembro o terceiro contrato, de 15 milhões de dólares, para obras públicas na América Central, região onde entrou há dois anos com uma garantia da Compa-nhia de Seguros de Crédito (COSEC).
Em entrevista à Lusa, o director da construtora, Tiago Couto, explicou que a intervenção da COSEC foi fundamental para garantir o cumprimento dos prazos no primeiro projecto, nas Honduras, e que depois disso a empresa já abriu mais dois novos mercados, Nicarágua e El Salvador.
“Sendo uma obra em que o financiador é o Banco Europeu de Investimento, segundo as regras é necessária a apresentação de garantias bancárias, e foi aqui que a COSEC nos deu uma ajuda preciosa, ao conseguir efetuar seguros de crédito com garantia do Estado, o que permitiu à Ga-briel Couto apresentar garantias bancárias no significativo valor de 25 milhões de euros”, disse o responsável.
Em causa estava um projecto de obras de reabilitação da Estrada do Oeste, localizada na região de Copán, num investimento total de 94 milhões de dólares (cerca de 84 milhões de euros), que foi já concluída e inaugurada pelo Presidente das Honduras.
“Foi com esta operação nas Honduras que iniciámos a actividade na América Central, e hoje já abrimos mais dois mercados. No início de 2019 ganhámos um contrato na Nicarágua, com financiamento da linha de crédito espanhola, na área do saneamento e abastecimento de água, e em Dezembro assinámos um novo contrato em El Savador, de 15 milhões de dólares [cerca de 13,4 milhões de euros], para a construção de um posto fronteiriço”, disse o diretor da Gabriel Couto.
Questionado sobre a impor-tância da COSEC para desbloquear as garantias neces-sárias para concorrer ao financiamento do BEI, Tiago Couto reconheceu que sem esta agência dificilmente teria ganhado o contrato que resultou em três novos mercados, para além de Portugal e dos cinco países africanos onde a empresa está presente.
“A presença da COSEC permitiu desbloquear o apoio da banca comercial em tempo recorde, e se não fosse isso teríamos demorado mais tem-po e com um custo acrescido, e a maior preocupação seria o eventual não cumprimento dos prazos, que são muito apertados para o financiamento do BEI”, explicou o gestor.
“Ao ter dado este apoio im-portante para o contrato, quer para mobilizarmos os fundos dos contratos, quer para os adiantamentos para o arraque da empreitada, a COSEC foi absolutamente fundamental, e concluirmos a obra nas Hon-duras com sucesso serviu de carta de apresentação nos mercados vizinhos, o que nos permitiu a implementação noutros países”, disse o res-ponsável da Gabriel Couto, que há três anos começou a buscar alternativas a África, em crise devido à quebra dos preços das matérias primas desde 2016.
Para a COSEC, uma das ra-zões para a prestação das ga-rantias foi a pouca disponibilidade da banca para apostar nas empresas em mercados encarados como de risco.
Numa nota enviada à Lusa, a seguradora de crédito explica que, entre os fundamentos para a cobertura com garantia do Estado português está “a reduzida disponibilidade da banca portuguesa na concessão de garantias desta natureza, particularmente para países de risco considerado moderado ou elevado”.
Para além disso, acrescentam, a “capacidade técnica da empresa exportadora em executar o projeto e a importância do mesmo, numa altura em que o mercado interno se encontra em contração”, o financiamento multilateral, que “mitiga o risco da operação”, e “a componente nacional importante, aliado ao mérito da GABRIEL COUTO na identificação de oportunidades de desenvolvimento do seu ne-gócio internacional, sendo uma empresa essencialmente exportadora”, fizeram a COSEC envolver-se.
A Gabriel Couto é uma construtora civil portuguesa, existente há 71 anos, com actividade em Portugal, em África – Angola, Moçambique, Senegal, Zâmbia e Suazilândia -, e agora na América Central – Honduras, Nicarágua e El Salvador.