Embaixador português deixa Cabo Verde para ser assessor diplomático de António Costa

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Embaixador português deixa Cabo Verde para ser assessor diplomático de António Costa

O embaixador português Bernardo Lucena termina esta semana a sua missão em Cabo Verde, deixando o país para assumir funções como assessor diplomático no gabinete do primeiro-ministro, António Costa.

 Em declarações à agência Lusa a poucos dias da partida, Bernardo Lucena fez um balanço positivo dos quatro anos que passou em Cabo Verde, mas lamentou não ter conseguido concretizar alguns projectos, como a criação de uma escola portuguesa ou a construção do centro cultural no Mindelo.

 "Ficam alguns assuntos pendentes que gostaria de ter resolvido ou pelo menos dei-xado numa fase mais adiantada, como a escola portuguesa e a construção do centro cultural do Mindelo", disse Bernardo Lucena.

 O embaixador, que deixará Cabo Verde logo após a visita do primeiro-ministro, António Costa, ao país, considerou o período que passou na Praia "um ciclo normal".

 "Foram quatro anos que correram bem. Houve programas de cooperação que avançaram, houve algumas inovações nessa área, como o programa de pós-graduação em ciência avançada ou o lançamento do curso de Medicina. Houve várias coisas que fo-ram além da rotina da cooperação, que correram muito bem", disse.

 Bernardo Lucena destacou a excelência das relações políticas entre os dois países, com a realização neste período de uma visita de Estado, duas cimeiras e a assinatura de um Programa Indicativo de Cooperação (PIC).

 "Vamos agora, com a visita do primeiro-ministro, António Costa, lançar as negociações para o novo ciclo de cooperação. Correu tudo normalmente e tenho o orgulho do dever cumprido", afirmou.

 Admite que "houve um ou outro processo que exigiu uma gestão mais arrastada no tempo", como a prorrogação da linha de crédito da habita-ção social, considerando, no entanto, que "não vale a pena inflacionar problemas que são absolutamente normais".

 "Quando as relações são in-tensas não se pode querer que corra tudo a 100%, sete dias por semana, 365 dias por ano", acrescentou.

 Como principais desafios para o próximo embaixador, Bernardo Lucena aponta a negociação e assinatura do programa de cooperação 2016-2020, que estima que possa estar concluindo até final do primeiro semestre deste ano, e a preparação de uma cimeira entre os dois paí-ses, que deverá decorrer em Cabo Verde.

 Bernardo Lucena destacou ainda a "boa integração" da comunidade portuguesa no país.

 "Não há choque cultural, não há barreira linguística, nem sequer futebolística. Os portugueses integram-se muito bem no tecido social e há um fenómeno grande até de casamentos mistos e de dupla nacionalidade", disse.

 "A escola portuguesa é a grande ambição não concretizada da comunidade, mas fora isso é uma comunidade que não oferece nenhum problema em particular", acrescentou.

 Num registo mais pessoal, Bernardo Lucena disse que leva de Cabo Verde sobretudo amigos, mas também o conhecimento de um país rico e complexo".

 "Achava que sabia alguma coisa sobre Cabo Verde, mas depois de ter cá estado quatro anos, reconheço que de facto sabia muito pouco exactamente devido a essa complexidade e riqueza", disse.

 O embaixador agradeceu ainda às pessoas com quem trabalhou na embaixada e as autoridades e administração cabo-verdiana por lhe terem facilitado o trabalho.

 "A interlocução em Cabo Verde é fácil e para um embaixador de Portugal é facílima. Fui sempre bem tratado", considerou.

 Bernardo Lucena terá ainda que ser exonerado formalmente e, até à nomeação de um novo embaixador, a missão diplomática será liderada por Conceição Pilar, que ficará como Encarregada de Negócios.

 Bernardo Lucena, 54 anos, assumiu o cargo de embaixador de Portugal em 2011, depois de exercer o cargo de secretário-geral adjunto do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português, desde 2009.

 Bernardo Fernandes Homem de Lucena, natural de Lisboa, onde nasceu a 22 de Agosto de 1960, é licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa. Entrou na carreira diplomática em 1986, tendo exercido vários cargos no MNE e passado por postos como Paris, Maputo ou Roma.