Embaixador Fazenda apela aos moçambicanos para estarem atentos e não entrarem em pânico

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Moçambique

MoçambiqueTemos que estar preparados e não entrar em estado de pânico para aquilo que temos vindo a ouvir sobre a xenofobia, assim disse, em Pretória, o alto comissário de Moçambique na África do Sul, Fernando Fazenda, quando se dirigia às dezenas de convidados.

Entre dirigentes das associações moçambicanas, embaixadores ou representantes de alguns países credenciados na África do Sul, com destaque para Portugal, representado pelo secretário da Embaixada, dr. Pedro de Almeida; Angola, na pessoa do embaixador Miguel Gaspar Neto; da Coreia do Norte, Hui Jong An, e do Zimbabwé, Simon Khaya Moyo, e respectivas mulheres, presentes na festa da Independência de Moçambique, que teve lugar na capital sul-africana.

 Com estas afirmações, Fernando Fazenda quis alertar a comunidade moçambicana radicada na África do Sul para o perigo que os ataques xenófobos poderão constituir no seu seio, de acordo com os rumores que têm vindo a circular na praça e criados por grupos de cidadãos locais.
 “Com base na experiência de 2008, onde alguns dos nossos compatriotas perderam os seus haveres e mesmo vida, não podemos ficar de braços cruzados, temos que estar todos atentos, mas não entrar em pânico, para que possamos controlar a situação da melhor maneira”, disse o embaixador moçambicano, veterano militante da Frelimo, partido no Poder.

 Recordou que a embaixada, como representação do governo de Moçambique neste país, tem estado em permanente contacto com o governo central para no caso de haver necessidade de intervenção as coisas serem facilitadas. Apontou neste caso o trabalho de evacuação dos cidadãos moçambicanos que poderá vir a ser feito.
 “Em 2008 aprendemos muita coisa, por isso apelo a todos vós, no caso de qualquer movimentação estranha, façam chegar a mensagem de alerta às autoridades policiais e aos companheiros mais próximos, para que não voltemos a cair naquela desgraça de há dois anos”, afirmou Fazenda.
 Deu ali a conhecer que os moçambicanos que poderão ser afectados pela eventual guerra xenófoba vão contar com o apoio total das autoridades, em todos os níveis.

 Perante a preocupação dos moçambicanos residentes e não residentes na África do Sul sobre esta questão, o embaixador de Moçambique na África do Sul deixou ali uma mensagem de sossego quando se referiu que o moçambicano não deve criar rancor ao povo sul-africano, pois estes actos de criminalidade são cometidos por um grupo de malfeitores, ou seja bandidos, invejosos, ladrões, que nunca se contentam com o bem-estar de outras pessoas.

 De recordar que em 2008, a Embaixada de Moçam-bique, em coordenação com o Consulado-Geral de Moçambique em Joanesburgo, Delegação dos Caminhos de Ferro, entre outras estruturas, organizaram um trabalho de evacuação das famílias moçambicanas que foram afectadas pela xenofobia que eclodiu na África do Sul contra os estrangeiros africanos, no qual morreram mais de 60 pessoas.
 Dezenas de milhar de cidadãos estrangeiros, maioritariamente zimbabweanos, têm vindo a abandonar as suas residências na África do Sul, com o receio de serem atacados pelas populações locais.
 Durante o Campeonato do Mundo de Futebol de 2010 circularam nos bairros negros e nos táxis, rumores que haveria um novo ataque xenófobo aos estrangeiros africanos, após a maior prova futebolística, como forma de reivindicar as promessas não cumpridas feitas pelo governo sul-africano durante a campanha eleitoral.
 A festa da independência de Moçambique, no penúltimo sábado, em Pretória, organizado com um pouco de atraso de calendário, contou ainda com os representantes de empresas com fortes ligações com Moçambique, casos da Coca-Cola, Shoprite, companhias do ramo mineiro, profissionais da comunicação social, funcionários consulares, das Delegações do Ministério do Trabalho e dos Caminhos de Ferro.
 Como de costume, em convívios moçambicanos, os pratos foram tipicamente confeccionados à sabor moçambicano, não faltando a habitual matapa, o camarão e o peixe à maneira moçambicana.