Embaixada no Panamá quer reforçar presença portuguesa na América Central

0
79
Embaixada no Panamá quer reforçar presença portuguesa na América Central

A embaixada de Portugal no Panamá, que abriu em Outubro de 2015, quer reforçar a presença portuguesa na América Central e incentivar oportunidades de negócios, disse o embaixador português Pedro Pessoa e Costa.

 O representante de Portugal disse que a abertura da embaixada foi um “importante passo nas relações bilaterais diplomáticas, políticas, culturais e económicas” entre os dois países.

 “É inegável a localização geoestratégica privilegiada do Panamá, assim como a sua importância no comércio internacional e a sua crescente afirmação na área multilateral. Com a recente inauguração do Canal Ampliado, onde muitos portugueses e empresas portuguesas trabalharam e deixaram marca, esta importância resulta reforçada”, disse o embaixador.

 Com o crescimento para 2016 previsto em cerca de 6%, o Panamá é um país importador e um centro de negócios para a América Central e, para o embaixador português, apresenta oportunidades de negócios nas áreas de serviços, inovação, agroalimentar (incluindo azeites e vinhos), energias renováveis, construção e obras públicas, engenharia, arquitetura, saúde, TICs, calçados, têxteis e turismo.

 Para promover Portugal no Panamá, a embaixada e a residência do embaixador irão expor obras de artistas plásticos portugueses. “Portugal é pouco conhecido no Panamá. O contexto é muito espanhol e americano, por isso o trabalho resulta maior”, disse o embaixador.

 Pessoa e Costa realçou que já existem programas de cooperação técnica com o Panamá e que, este ano, o go-verno do país centro-americano ofereceu pela primeira vez bolsas em Portugal para estudantes panamianos. O principal objetivo da embaixada na área da cultura inclui a promoção da língua portuguesa no país.

 

* Comunidade portuguesa no Panamá inclui  migrantes da Venezuela e terceira geração de madeirenses

 

 A comunidade portuguesa no Panamá inclui migrantes recentes da Venezuela, expatriados portugueses ligados a empresas ou organismos internacionais, e famílias da ilha da Madeira que já estão na segunda ou terceira geração no país.

 A comunidade portuguesa no país latino-americano está estimada em 3.000 pessoas e de acordo com o embaixador de Portugal, Pedro Pessoa e Costa, é um número que terá de ser revisto em breve, uma vez que há procura da nacionalidade portuguesa por judeus sefarditas panamia-nos.

 O chef Alejandro Vilhena, 28 anos, é um dos luso-descendentes nascidos na Venezuela que migrou para o Panamá há cerca de um ano e meio, devido a "novas oportunidades de crescimento profissionais e pessoais".

 "Não é fácil, como não foi para o meu pai no momento em que chegou à Venezuela. Mas, se a gente se esforça e deixa o negativismo de lado, percebe que está num país com costumes, sabores e climas muito similares aos da Venezuela", afirmou.

 A crise política e económica na Venezuela provocou a migração de luso-descendentes tanto para o Panamá como para a Colômbia. Mi-grante de Caracas para a Cidade do Panamá há três meses, Adriana Carolina Pe-reira Alves, 27 anos, está a tentar estabelecer-se com a sua marca de assessórios.

 "O país oferece-me a oportunidade de continuar na minha linha de ação, de seguir com meu empreendimento na área que gosto, que é a moda e o desenho."

 Também empresária, a portuguesa Tânia Mesquita, 39 anos, de Vila Nova de Famali-cão, percebeu no Panamá uma oportunidade de internacionalização de uma empresa de materiais de construção e, há três anos, trocou o norte de Portugal pela Cidade do Panamá, onde vive com o marido português e os dois filhos, de 4 e 1 ano.

 Recentemente, abriu também a loja A Portugueza, para comercializar produtos e artesanato português, como carteiras de cortiça, bolsas e almofadas de têxteis. "É caro investir no Panamá, mas num processo de internacionalização é preciso paciência, ir devagar", recomendou.

 Tanto os luso-descendentes da Venezuela como os filhos e netos dos migrantes da Ilha da Madeira que vivem no Panamá já possuem tem, na maioria, o espanhol como pri-meira língua, enquanto os expatriados mais recentes, como Tânia Mesquita, estão a renovar o português no país.

 “Faltam professores de português, chegamos a abrir es-ses espaços [de ensino], mas não foi constante”, afirmou o cônsul honorário Edwin de Souza, 50 anos, filho de um madeirense que se mudou para a América Central em 1915 e se estabeleceu anos depois no Panamá, primeiramente como pescador.

 O cônsul honorário é casado com uma panamiana e tem quatro filhos, entre 8 e 18 anos, que já são a terceira geração de portugueses. Em 2005, abriu o restaurante Portogalo, que conta ser o único de comida portuguesa na Cidade do Panamá.

 "Temos pratos como bacalhau, espetada madeirense e arroz de pato, mas alteramos um pouco as receitas para o gosto local”, disse.