Elizabete Soares e Leonete Larisma ensinaram anos sucessivos o Português a diplomatas sul-africanos

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Elizabete Soares e Leonete Larisma ensinaram anos sucessivos o Português a diplomatas sul-africanos

Sempre que nos é possível trazemos com muito gosto às colunas do nosso jornal, figuras da Comunidade que pelo seu talento souberam dignificar as origens, e elevar o nome de Portugal na sociedade em que se inseriram, neste caso na capital sul-africana, onde verdade se diga, deram provas do seu real valor numa área muito nobre e de grande prestígio, como é o ensino, tanto no departamento de línguas romanas da “Unisa”, onde ambas leccionaram, como posteriormente na “Language School” do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Pretória, dedicando-se ali exclusivamente ao ensino de português a diplomatas sul-africanos que iam sendo destacados para paí-ses de expressão portuguesa.

 

* Em funcionamento desde Abril de 1987, eram ali  também ministradas aulas

de francês, espanhol  e alemão, a cargo de  professoras qualificadas

e com experiência no ramo de línguas estrangeiras

 

 Um dos interessantes aspectos desta escola de línguas, em funcionamento desde Abril de 1987, e eram também ministradas aulas de francês, espanhol e alemão, a cargo de professoras qualificadas e com experiência no ramo de línguas estrangeiras, para além de estabelecimento novo nas suas características e concepção didáctica, era o próprio método de ensino usado por todos os professo-res que ali leccionavam, de-signado por “sugestopia” e aliás usado extensivamente e com grande sucesso na especialidade, em várias partes do mundo.

 

* Elizabete Soares

 

 Em relação a Elizabete Soares, natural de Inhambane (Moçambique), onde nasceu a 23 de Outubro de 1957 e estudou até ao 5º ano no Colégio de Nossa Senhora da Conceição, daquela mesma cidade, concluindo depois o curso geral dos liceus na então Lourenço Marques, hoje Maputo, radicou em fins de Outubro de 1974, na República da África do Sul.

 Domiciliando-se inicialmente em Joanesburgo, iniciou em Fevereiro do ano seguinte o curso de letras na Universidade Wits, onde veio a obter o bacharelato no final do ano lectivo de 1977 e, dois anos depois, a sua licenciatura em português e italiano, naquele mesmo estabelecimento de ensino superior.

 Mo mês de Março de 1979 iniciava na “Unisa”, em Pretória, as suas funções como assistente do Dicionário Africanence/Português, que na altura estava a ser elaborado pelo departamento de línguas românicas, e que viria a ficar concluído em fins de 1980, altura em que passou a exercer o cargo de professora de português, naquele mesmo sector universitário.

 Em Abril de 1987, aceitou um honroso convite, era colocada na escola de línguas do Minis-tério dos Negócios Estrangeiros da África do Sul, em Pretória, para se dedicar exclusivamente ao ensino de português, a diplomatas sul-africanos que eventualmente iam sendo destacados para países de expressão lusa, de que na altura era director-adjunto o dr. Pieter van der Westhuizen, nele se podendo inscre-ver qualquer funcionário deste país, independentemente do departamento ou ministério a que pertencesse.

 Era a primeira professora portuguesa a exercer ali aquelas funções, com um método recentemente introduzido no ensino dos mais avançados na época considerado um dos melhores, mais rápidos e eficazes.

 Como defensora da inclusão do português nas escolas sul-africanas, sendo com essa finalidade efectuadas diversas reuniões entre 1985/87, nas cidades de Pretória e Joanesburgo, nas quais participaram activamente, dado fazerem parte do comité, o dr. Luís Leal, e as dras. Elizabete Soares e Hana Louw, juntamente com outros elementos pertencentes ao departamento da educação deste país.

 Dada a sua grande capacidade intelectual, além de examinadora de português para o JMB, (Joint Matricuilation Board) dos alunos que nas escolas sul-africanas faziam o português como 7.ª disciplina na matric, tendo também feito parte do júri de examinadores dos alunos portugueses que frequentavam durante os anos lectivos escolas não oficializadas, ou que eram preparados por professores particulares.

 Como figura de prestígio na comunidade lusa, Elizabete Soares foi por diversas vezes convidada a proferir palestras nas celebrações dos dias nacionais de Portugal e da África do Sul, realizadas em Pretória, alusivas a essas datas históricas, o mesmo chegando a acontecer a 4 de Junho de 1988, no aquartelamento militar de 4VPR, em Walmasthal, subúrbios da capital do país, dia intitulado de “português”, naquela unidade e, mais tarde na inauguração do monumento evocativo a Bartolomeu Dias, que o comendador António Braz mandou construir em Arcádia Park, a fim de ali ficar a perpetuar os feitos dos nossos gloriosos antepassados.

 Elizabete Soares que em 2005 foi coordenadora das celebrações do Dia de Portu-gal em Pretória, desempenhou por último nesta mesma cidade e em anos sucessivos, o cargo de presidente do Sporting Clube de Pretória.

 

* Leonete Larisma

 

 Quanto a Leonete Larisma que em Abril de 1992 substituiu Elizabete Soares na dita escola de língua portuguesa no Ministério de Negócios Estrangeiros, na cidade de Pretória, diremos que natural de Sá da Bandeira (Angola), onde depois de concluir o antigo 7º ano no Liceu Diogo Cão, foi estudar para Coimbra, em cuja universidade se licenciou em Filologia Românica e obteve o diploma do curso de ciências pedagógicas, após o que foi colocada no Algarve, e dois anos depois, em Lisboa, para ali leccionar as disciplinas de português e francês.

Em 1967, já casada, regressou a Angola, tendo como professora dado aulas nos liceus Diogo Cão, do Lubango, e Comandante Peixoto Correia, em Benguela, actividade que interrompeu em 1972, para se dedicar exclusivamente à educação de seus filhos.

 No ano de 1975 emigrou para a África do Sul, e em Pretória, cidade onde praticamente sempre tem residido, começou em 1984 a carreira docente que havia interrompido, para leccionar a disciplina de francês no Loreto Convent, e a de português em regime particular.

 Nos anos de 1988 e 1989 exerceu as funções de professora da língua e cultura portuguesa na escola da Associação da Comunidade Portuguesa de Pretória (ACPP), de cujo ensino secundário foi directora, transferindo-se em 1990 para o departamento de línguas românicas da Universidade da África do Sul (UNISA), onde se manteve em regime de “part time” até ingressar na Languege School do Ministério dos Negócios Estrangeiros, lugar a que anteriormente se havia candidatado.

 Igualmente desde o ano anterior nomeada pelo TED/Department de Educação do então Transvaal, examinadora externa para as disciplinas de língua e cultura portuguesa, dos alunos que frequentavam nos anos lectivos, essas escolas oficializadas, ou que eram preparados por professores particulares, Leonete Larisma traçou em linhas gerais o processo, quanto a si o mais vantajoso e com melho-res resultados para esses cursos intensivos com a duração de três meses aos diplomatas que preparavam em português, transmitir-lhes para além do ensino do idioma, uma rectrospetiva dos principais aspectos culturais e sociais desses mesmos países, como mais próximos da África do Sul, Angola e Moçambique.

 Para tal, um ambiente tipicamente português foi criado na sala de aulas, através da decoração, não faltando o bem conhecido galo típico de Barcelos, a típica chaminé algarvia, os belos azulejos pintados à mão, a afamada toalha de Viana do Castelo, e tantos outros trechos portugueses, a par da música da nossa terra, ritmos e canções brasileiras e africanas, vídeos e slides, eram igualmente apresentados aos estudantes, com a dupla finalidade de facilitar a adaptação, e tornar essa aprendizagem da nossa língua mais atraente e agradável, e ao mesmo tempo contribuísse para um mais rápido rendimento do aluno.

 Tudo, tanto no seu gabinete pessoal, com o na sala de aulas e corredor que lhe dava acesso, nos falavam de Portugal, desde os mapas aos quadros e cartazes expostos por todo o lado, não faltando, inclusive, peças de artesanato e dos nossos trajes regionais, não faltando os do nosso folclore.

 Orgulham-se estas nossas compatriotas da sua nobre missão de ensinar a gente de outras nacionalidades, especialmente aos diplomatas sul-africanos a riqueza da nossa língua e cultura, e orgulhamo-nos nós do seu relevante contributo em prol do prestígio e engrandecimento da comunidade portuguesa na África do Sul.

 A dra. Leonete Larisma, que como apoiante incontestável da Liga da Mulher Portuguesa na África do Sul, disso tendo dado provas desde a sua fundação na cidade de Pretória pela comendadora Manuela Rosa, com a apresentação ao longo dos anos de palestras, além de monitora de cursos de português e francês, fazendo parte na actualidade do clube do livro de literatura portuguesa, ligado a essa mes-ma instituição de carácter feminino.