Eleições para a presidência do PSD/Madeira

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Eleições para a presidência do PSD/Madeira

Miguel Albuquerque, o candidato mais votado sexta-feira nas eleições internas do PSD/ Madeira, obteve 2.992 dos votos (47,2%) e vai disputar uma segunda volta com Manuel António Correia, informou fonte oficial do partido na região.

 Nesta corrida à liderança do PSD/M estiveram seis candidatos: Miguel Albuquerque, Manuel António Correia, João Cunha e Silva, Miguel de Sousa, Sérgio Marques e Jaime Ramos

 Segundo os dados oficiais divulgados pelo PSD/Madeira, Manuel António Correia reuniu 1.819 votos (28,7% por cento das intenções de voto), João Cunha e Silva 996 (15,7%), Sérgio Marques assegurou 335 (5,3%), Miguel de Sousa ficou-se pelos 144 (2,3%) e Jaime Ramos foi o menos votado, alcançando apenas 47 votos (0,7%).

 O PSD/M adianta que foram apurados também 40 votos brancos e 24 nulos.

 Na mesma informação refere que se registou nestas directas uma “afluência às urnas de 89% dos militantes com capacidade electiva, tendo votado 6.373 dos 7.164 militantes constantes nos cadernos eleitorais”.

 A estrutura regional dos sociais-democratas madeiren-ses aponta que Miguel Albuquerque ganhou em 10 dos 11 municípios da Madeira e que o segundo candidato mais votado, Manuel António Correia, foi vencedor no concelho da Ponta do Sol, na zona oeste da ilha da Madeira. 

A segunda volta das eleições internas do PSD/Madeira realiza-se a 29 de dezembro e o congresso está agendado para 10 de janeiro.

 Miguel Albuquerque, ex-autarca do Funchal, já defrontou umas internas no PSD/Madeira, em 2012, tendo sido derrotado nessa altura por Alberto João Jardim por uma diferença de 142 votos. Na altura, o carismático líder, no poder há cerca de quatro décadas, obteve 1.768 votos, num universo de 3.859 votantes.

 Miguel Albuquerque tem 53 anos, é licenciado em Direito e foi durante vários anos (1994-2013) presidente da principal autarquia da Madeira, a Câmara Municipal do Funchal, sendo também conhecida a sua paixão pela escrita, a música (jazz) e as rosas.

 Durante muito tempo, o ex-autarca foi considerado como um dos delfins de Jardim, mas foi-se demarcando do líder e apoiou o actual presidente do PSD nacional, Pedro Passos Coelho, contra a posição assumida pela estrutura regional da Madeira.

 Já Manuel António Correia, considerado o candidato apoiado por Jardim, tem 49 anos, também é advogado, sempre trabalhou na Administração Pública regional e, desde 2000, que é o secretário do Ambiente e Recursos Naturais do executivo insular.

 No final do acto eleitoral de sexta-feira, Albuquerque mostrou-se satisfeito com a sua vitória.

 «Esta vitória é concludente, porque em 54 freguesias a [minha] candidatura venceu 42, em 11 concelhos venceu em 10 e tivemos uma percentagem de 47,5 por cento, com seis candidatos», declarou o político social-democrata.

 «O que aconteceu nestas eleições é a prova de que estas eleições internas serviram para romper com o status quo e os militantes vieram dizer que não querem mais do mesmo e querem a renovação do partido», acrescentou.

 Por outro lado, Manuel António Correia espera alcançar um resultado diferente no próximo escrutínio.

 «A todos deixamos uma certeza, vamos lutar pela vitória na segunda volta», disse o secretário do Ambiente e Recursos Naturais.

 Os outros candidatos à liderança do partido, Miguel de Sousa, João Cunha e Silva, Sérgio Marques e Jaime Ramos, ainda não se pronunciaram sobre quem vão apoiar na segunda volta eleitoral.

 

* Jardim admite arregaçar as mangas na segunda volta

 

 Antes do acto eleitoral de sexta-feira, o presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, admitiu participar, como militante, se houver uma segunda volta nas eleições internas do PSD.

 "Como vêem, eu tenho estado calmo em relação a esta primeira volta, só respondo quando se metem comigo mas, se for preciso arregaçar as mangas para a segunda volta, eu sou militante do partido e tenho o mesmo direito que os outros", disse.

 Em declarações à comunicação social à saída do Paço Episcopal, Alberto João Jardim referiu que teve "aqui [Paço Episcopal] um grande empurrão" para a vida política no tempo do Bispo D. Francisco Antunes Santana (1974- 1982) mas, confidenciou, que a sua primeira participação pública "foi aos seis anos de idade".

 "Foi no dia da Paróquia de São Pedro, eu tinha seis anos de idade e a minha mãe era lá da Acção Católica e era preciso arranjar uma criancinha para usar da palavra nesse dia", contou, acrescentando que quando deu por si "estava em cima do estrado do salão paroquial que não sei se ainda existe e lá botei as minhas primeiras palavras".

"E, agora, vejam as coincidências da vida, como sabem, a minha família, do lado materno, era política também e, no final de eu usar da palavra, o doutor Juvenal de Araújo, [ no tempo do Estado Novo, foi deputado à Assembleia Nacional entre 1935 e 1945] , coitado sem saber o futuro, foi ao meu pai e disse "muitos parabéns, mais um orador na família". "Não sabia ele o que isto ia dar!", riu.