Elaine de Gouveia faz as concorrentes a Miss South Africa suarem

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Elaine de Gouveia faz as concorrentes a Miss South Africa suarem antes no ginásio para poderem brilhar depois em palco

O Século de Joanesburgo descobriu que há mais portuguesas envolvidas no Miss South Africa, para além das concorrentes e vencedoras do concurso de beleza. Nos bastidores, há quem trabalhe para manter e enaltecer a beleza natural das lusas que nele competem. Elaine de Gouveia é uma dessas pessoas.

 Casada com um português e com filhos luso-sul-africanos, tem orgulhosamente o seu apelido luso. Trabalha como profissional do mundo do “fitness” onde competiu e dá treinos a clientes no ginásio.

 Elaine sentou-se com o Século de Joanesburgo em Sandton para explicar o que é que o seu trabalho envolve, de onde veio a ligação lusa e que conselhos pode dar. Isto foi o que nos revelou…

Michael Gillbee: Elaine, primeiro que tudo, explique-nos de onde vem a ligação portuguesa?

 Elaine de Gouveia: Fui casada com um português. Fiz parte da Comunidade Portuguesa durante muito tempo, na verdade, enquanto o casamento durou. Fui a inúmeros eventos comunitários, clubes, casamentos e festas portuguesas. Estive muito, muito inserida na Comunida-de Portuguesa em Joanesburgo.

 MG: E com que olhos é que vê a Comunidade?

 EG: Encontro que é muito especial. Muito acolhedora, a vida familiar é fantástica. Famí-lias muito unidas e com valores morais, sociais e religiosos, valores de trabalho muito antigos e fortes que são passados de geração em geração.

 MG: Como é que começou no mundo do “fitness” e do “personal training”?

 EG: Eu era uma dona de casa e pensei que gostaria de fazer alguma coisa. Eu sempre fui muito activa e sempre treinei, deixava as crianças na escola e depois ia ao ginásio treinar e um dia, alguém sugeriu que eu fizesse um curso de “personal trainer”.

 E assim foi, a partir daí nunca mais olhei para trás. É uma coisa da qual gosto muito, porque inclusive já treinava e por isso, este foi o passo lógico.

 Fiz o curso mas depois não o utilizei durante um ano, mas quando comecei a competir nas provas de “fitness”, comecei também a dar treinos e a ter clientes de “fitness”. Conheço o dono do Planet Fitness, ginásio onde trabalho e foi ele que me convidou para trabalhar lá.

 MG: E onde é que trabalha?

 EG: No Planet Fitness Platinum, no hotel Radisson Blue em Sandton. Adoro o que faço e tenho clientes fantásticos que me motivam!

 MG: Em termos de competições, que prémios é que ganhou?

 EG: Em 2008 ganhei a Miss South Africa Fitness, na categoria em que competi, a categoria de mais de 35 anos de idade.

 MG: Há quanto tempo é que trabalha com as candidatas a Miss South Africa?

 EG: Só há alguns meses. Eu fui recrutada já quase mesmo no fim do processo. No entanto, quando a Liesl regressar do Miss World, vamos conti-nuar a treinar.

 MG: Neste momento é apenas a Liesl Laurie, Miss South Africa 2015 que treina ou há mais concorrentes?

 EG: Sim, de momento é apenas com a Liesl que trabalho. No entanto, há fortes possibilidades de vir a trabalhar com todas as concorrentes.

 MG: E o que é que envolve o trabalho de fitness para uma candidata a Miss South Africa?

 EG: Com a Liesl foi tonificação, desenvolvimento muscular e essencialmente tonificar o corpo. Olhar para áreas do corpo que precisem de ser mais trabalhadas, reduzir o índice de massa gorda do corpo.

 Tive alguns meses de trabalho, mas o Planet Fitness só entrou numa fase já adiantada da competição e foi por consequência quando eu entrei também.

 MG: É um trabalho apenas físico e cardiovascular ou há algo mais?

 EG: Não. Eu dei-lhe também um plano de dieta para a Liesl Laurie seguir, acoplado ao treino com pesos para tonificar o corpo e o treino cardiovascular.

 MG: Já trabalhou com mulheres portuguesas?

 EG: [pensa um pouco] Não creio.

 MG: Na Comunidade Portuguesa já houve várias vencedoras do Miss South Africa. Vanessa Carreira, Marylin Ramos, para citar dois exemplos. Como “personal trainer” e muito envolvida no mundo da beleza, há características especiais na mulher portuguesa?

 EG: Pessoalmente, adoro o cabelo e a pele mais escura. Acho que a mulher portuguesa tem uma pele fantástica. Em geral, têm um corpo muito bom e olham por ele, cuidam-se bem! As gerações mais jovens, para além de trabalhar – algo que eu admiro muito – conseguem conciliar com os filhos e conseguem manter-se em forma.

 MG: Teve algum contacto de trabalho com a Sarah Botes?

 EG: Não, para além de travar conhecimento no evento de despedida da Liesl, não.

 MG: Alguns conselhos que pode dar?

 EG: Bem, 90% do trabalho de “fitness”, é a nutrição. Se vamos ao ginásio e queimamos 700 calorias mas depois ingerimos 2000, não se chega muito depressa aos objectivos. É matemática simples, se ingerimos mais do que gastamos, há um défice de calorias a mais que não estão a ser queimadas nem utilizadas na manutenção saudável do corpo.

 O cardiovascular também é importantíssimo, no mínimo 40 minutos por dia e isso ajudará muito no queimar de ca-lorias e no bom funcionamento do coração e respiração. Treino com pesos é muito bom para as mulheres, sobretudo por causa dos ossos. Aliás, consegue-se moldar a figura de uma mulher no ginásio, de forma natural e sau-dável.

 MG: Treina também homens ou só mulheres?

 EG: Dou treino a ambos.

 MG: O que é mais difícil?

  EG: Penso que as mulheres porque gostam de falar muito [solta uma gargalhada]. Os homens são mais focados na tarefa de treinar.

 MG: Até ao momento, qual foi para si o maior desafio?

 EG: Foi um senhor que, curiosamente foi o meu primeiro cliente, tinha vários problemas de saúde e tive que conside-rar várias lesões. Com este cliente foi torná-lo saudável e ajudá-lo a fazer coisas simples que as pessoas tomam como garantidas, como entrar e sair facilmente de um carro.

 MG: Manteve o apelido português. Porquê?

 EG: Bem, porque gosto de ser portuguesa! Apesar de não ter nascido em Portugal, gosto muito da Comunidade e do meu apelido e gosto de tudo que a Cultura e Tradição de Portugal tem.

 Na nossa entrevista, Elaine de Gouveia respondeu a to-das as questões amavelmente e disponibilizou muita informação. Esclareceu qualquer dúvida que houvesse e falou com entusiasmo e paixão da sua profissão e da competição Miss South Africa. Mais um exemplo de trabalho de bastidores na Comunidade Portuguesa que faz sucesso a nível nacional.