Economia angolana em recuperação gradual

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Economia angolana em recuperação gradual

Economia angolana em recuperação gradualA economia angolana continua em “recuperação gradual” e com perspectivas de crescimento favoráveis, mas o orçamento de 2011 será um equilíbrio complicado entre as necessidades de acumular reservas e investimentos públicos, alertou o Fundo Monetário Internacional (FMI).

 A conclusão é de uma missão do FMI, chefiada por Sean Nolan, que concluiu uma visita de 11 dias a Luanda, ao abrigo do acordo de “stand by” (SBA) entre Angola e a instituição financeira.
 “A economia angolana está a recuperar gradualmente da crise orçamental e da balança de pagamentos: as reservas em moeda estrangeira estão a recompor-se, o orçamento está em situação de excedente e o nível de pagamentos atrasados foi reduzido desde meados do ano”, referiu o relatório da missão, divulgado em Washington.

 A subida dos preços do petróleo e maior contenção de despesas estão por detrás da melhoria das contas públicas, adiantou.
 O crescimento do PIB ango-lano previsto para este ano é de 2,5 por cento, mas para 2011 o FMI continua a prever uma “retoma sólida do ritmo de crescimento”, à medida que se desanuviam factores temporários como problemas na produção petrolífera.

 Para o FMI, a implementação do programa governamental de estabilização e reforma está a decorrer geralmente como previsto e foram criadas condições para a reconstituição das reservas em moeda estrangeira e resolução de pagamentos em atraso.
 Mais de um terço dos pagamentos atrasados anteriores a 2010 foram saldados, e o res-tante deverá ser saldado nos próximos seis meses, referiu o FMI.
 Está a ser evitada a acumulação de novos pagamentos este ano, e o grosso destes deverá ser liquidado ao longo de 2010, mas o orçamento do próximo ano adivinha-se um exercício complexo.

 “Ao definir o orçamento de 2011, as autoridades angolanas enfrentam o desafio de equilibrar a necessidade de aumentar a despesa em infra-estruturas essenciais em todo o país, com a necessidade de continuar a fortalecer as reservas e a liquidar os pagamentos em atraso a empresas domésticas”, referiu o FMI.
 “O cenário económico global é mais incerto do que o habitual, complicando ainda mais a definição de políticas”, adiantou.
 Entre as prioridades definidas está uma reforma geral do sistema fiscal, e o FMI recomendou também “ações vigorosas” para melhorar o ambiente de negócios no país, com particular enfoque na reforma da legislação empresarial.

 No final de Setembro, o FMI aprovou um crédito de 353 milhões de dólares (262 milhões de euros) a Angola, ao abrigo do acordo de “stand by”, elevando a 882,9 milhões de dólares (cerca de 665 milhões de euros).
 Aprovado em Novembro de 2009, o acordo SBA prevê o desembolso de 1,32 mil milhões de dólares ao longo de 27 meses.
 O programa tem como objectivo ajudar o país a lidar com os efeitos da crise económica e financeira internacional, que em 2009 levaram a quebras do crescimento económico e das reservas externas angolanas.

 A última missão do FMI a An-gola manteve discussões com a equipa económica do governo, incluindo os ministros do Planeamento, Finanças e o governador do Banco Nacio-nal de Angola.
 Estas irão prosseguir nas próximas semanas, até à conclusão da quarta revisão pe-riódica do SBA.