É necessário controlar “rapidamente” finanças das Regiões Autónomas

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Teresa Ter-Minassian

Teresa Ter-MinassianO programa de resgate da ‘troika’ a Portugal arrisca-se a sofrer de “fatiga de ajustamento”, afirmou a economista Teresa Ter-Minassian, que realçou também a necessidade de Portugal controlar “rapidamente” as finanças das Regiões Autónomas e das empresas públicas.

 “É necessário estabelecer rapidamente os controlos financeiros sobre as entidades públicas autónomas, como as Regiões Autónomas e as empresas públicas”, disse a economista, que negociou as condições para o Fundo Monetário Internacional (FMI) apoiar a economia portuguesa, em 1983 e que enumerou o que disse ser os principais riscos do plano da ‘troika’ para Portugal.

 A economista italiana, que participou numa conferência da Ordem dos Economistas sobre “A Verdade do FMI”, uma comparação entre a actual intervenção do fundo e a de 1983, destacou ainda como um risco interno do programa da ‘troika’ aquilo que chamou de “fadiga de ajustamento”, ao longo dos três anos de reformas que Portugal terá de realizar.

 “O facto de se concentrar muito do ajuste nos primeiros dois anos do programa é fundamental, é preciso mostrar que os esforços dão resultado”, disse Teresa Ter-Minassian que foi, até Novembro de 2010, conselheira especial do director-geral do FMI e agora é consultora independente.
 “É necessário avançar rapidamente na complexa agenda de reformas estruturais. É necessário dar prioridade às reformas mais urgentes e às que tenham resultados imediatos, para aumentar a produtividade e a contenção orçamental”, acrescentou.

 A economista referiu também que, para evitar que os agentes económicos e os mercados pensem que Portugal está a abrandar no ritmo de implementação das medidas definidas no memorando da ‘troika’, será necessário mostrar que não há derrapagens no défice.
 “O Orçamento do Estado de 2012 terá um papel importante, com as medidas do corte da despesa, e para fortalecer a credibilidade dos compromissos de política orçamental”, afirmou.

 A economista insistiu na importância da monitorização da aplicação do programa de ajuda externa, como resposta principal para os riscos da aplicação do memorando de entendimento que Portugal assinou com a ‘troika’ da União Europeia, do Banco Central Europeu e do FMI, em troca da ajuda financeira de 78 mil milhões de euros nos próximos três anos.

 “Uma abrangente e oportuna monitorização da execução dos programas e dos seus resultados (como previsto no memorando) fornecerá às autoridades portuguesas, e cooperação com os parceiros internacionais, a possibilidade de tomar medidas tempestivas de correção ou de modificação do programa, se necessário”, considerou Teresa Ter-Minassian.