Dívida pública portuguesa só deverá estar abaixo dos 60% na década de 2020

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Dívida pública O economista do ISEG, Miguel St. Aubyn, afirmou que “só na década de 2020”, na melhor das hipóteses, a dívida pública portuguesa estará abaixo dos 60 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

 “Com as minhas contas, mesmo num contexto em que o Orçamento de Estado português se encontre em equilíbrio a partir de 2015 – admitindo uma diminuição progressiva a partir de 2011 -, só na década de 2020, na melhor das hipóteses, teríamos uma dívida pública abaixo dos 60 por cento do PIB”, disse o professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).
 Miguel St. Aubyn disse que acredita que as políticas governamentais a serem seguidas no futuro próximo serão “desejavelmente de maior rigor”, comentando a advertência do relatório anual do FMI sobre Portugal, em que diz que se o país não tomar mais medidas de consolidação orçamental, a dívida pública poderá aproximar-se dos 100 por cento do PIB dentro de quatro anos.

 A prosseguir a situação de aumento da dívida pública, o Fundo Monetário Internacional (FMI) avisa no relatório anual sobre a economia portuguesa que Portugal estará mais próximo de “um cenário de ruptura económica brusca”.
 Miguel St. Aubyn considerou que “as projecções do FMI, ou outras que sejam feitas, têm assim a virtude de mostrar a importância da actuação no sentido da contenção da dívida pública. Não convém, na verdade, testar os limites da do “rating” da República Portuguesa…”, sugeriu.
 Os mercados começaram recentemente a penalizar a dívida pública portuguesa também pelo contágio da Grécia. O mercado duvida cada vez mais que o Estado grego consiga pagar a sua dívida externa, depois de vários alertas de agências de notação de risco e de instituições internacionais.

 O economista João César das Neves, da Universidade Católica, disse que o aviso do FMI “não traz nada de novo” e baseia-se numa “possibilidade”: “a situação da Grécia é como a nossa, mas muito mais grave”, garantiu, adiantando que “a Grécia está avisada. Nós temos mais tempo, mas temos de tomar juízo”.
 Já Jorge Braga de Macedo, da Universidade Nova de Lisboa, referiu que Portugal não pode “estar sujeito a ser confundido” com qualquer coisa que não é.

 “Nem com a Grécia, nem com a Espanha”, explicou.
 Neste sentido, o antigo ministro das Finanças diz que há um problema interno e externo e que o Governo dever dar sinais claros de algumas medidas de consolidação.
 “O Orçamento de Estado para 2010 é muito importante e estamos no momento de negociar um plano a médio prazo para reduzir a dívida pública”, concluiu.