Diversificação é chave de nova fase da relação Angola/China

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Diversificação é chave de nova fase da relação Angola/China

A diversificação da economia angolana, apoiada com o apoio técnico e financeiro chinês, assume-se como a chave de uma nova fase do relacionamento entre Angola e a China, lançada com a visita do presidente angolano a Pequim.

 Na conclusão da visita de seis dias à China, as duas partes anunciaram que para “apoiar os esforços” de Angola “em prol da diversificação e desenvolvimento sustentável” foram assinados acordos de cooperação económica e técnica, no domínio da aviação civil e do sector financeiro, tendo sido ainda rubricada a acta da primeira comissão orientadora para a cooperação económica, técnica e comercial Angola/China.

 De acordo com o comunicado final, Angola e China concordaram em “encorajar as em-presas a alargar a cooperação às áreas da indústria, agricultura, pescas, transporte, energia e telecomunicações, através de um entendimento pragmático, de vantagens recíprocas, susceptível de contribuir para a diversificação económica de Angola e para um maior crescimento da China.”

 A China disponibilizou-se a ajudar Angola a estabelecer um centro piloto de tecnologia agrícola, tendo sido assinado um acordo específico que prevê a construção de um centro de formação técnica e profissional para a formação de quadros.

 Angola, refere ainda o comunicado, “considerou que a China pode ser também um parceiro estratégico no domínio da ciência, da tecnologia e da inovação”, como “no de-senvolvimento de projectos de investigação, no apoio a centros de pesquisa e na criação de infra-estruturas de investigação de ponta.”

 A folha de informação Africa Monitor Intelligence noticiou recentemente que a queda do preço do petróleo teve, além de um impacto profundo na economia e contas públicas angolanas, um impacto particular na relação com a China, que é o maior cliente do principal produto de exportação angolano.

 A necessidade de ajuda financeira chinesa foi o “elemento determinante da viagem do presidente angolano”, mas as condições mais recentemente oferecidas pela China para a concessão de crédito já reflectem “a perda de valor do bem de garantia, o petróleo”, adianta a mesma fonte.

 O país foi surpreendido pela forte descida do preço do barril, de que depende para as suas exportações e receitas públicas, tornando ainda mais urgente a diversificação da economia.

 Nas várias intervenções durante a visita, o presidente angolano expressou o interesse de Angola de continuar a manter uma relação privilegiada com a China, realizando acções conjuntas no domínio das infra-estruturas básicas e económicas, e pediu uma moratória de pelo menos dois anos no pagamento da dívida à China e a concessão de novas linhas de crédito ou a ampliação das já existentes.

 Entre os projectos para os quais Angola pretende financiamento está uma central hidroeléctrica com um custo estimado em 4,5 mil milhões de dólares, contracto atribuído à construtora China Gezhouba Construction Group Corporation, que conta já com um financiamento de 840 milhões de dólares do estatal Banco Industrial e Comercial da China (ICBC).

 Sem especificar, o ministro dos Negócios Estrangeiros angolano afirmou que Angola pretende financiamento para “projectos prioritários” nos domínios financeiro, do ensino superior, energia e agricultura.

 Na China, José Eduardo dos Santos reuniu-se com o seu homólogo, Xi Jinping, visitou a Zona Económica Tecnológica de Tianjin e encontrou-se com vários grupos empresariais chineses.