Dificuldades políticas portuguesas poderão afectar cimeira bilateral – disse MNE português em Maputo

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Dificuldades políticas

Dificuldades políticasA actual crise política portuguesa poderá afectar a realização da primeira cimeira Portugal–Moçambique, prevista para o primeiro semestre deste ano, reconheceu em Maputo o ministro Luís Amado, após um encontro com o Presidente moçambicano, Armando Guebuza .

 “Dei lhe conta da preparação da primeira cimeira entre o Estado português e o Estado moçambicano, mas dei lhe também conta das dificulda-des políticas que, neste momento, o nosso país atravessa e das consequências que não deixarão de ter na realização dessa cimeira, no seu calendário”, disse na quinta-feira Amado, à saída da reunião.
 O chefe da diplomacia portuguesa, que efectuou uma visita de dois dias a Moçambique, referiu que na cimeira prevista para Lisboa serão “tidos em consideração todos os capítulos da cooperação”, que, disse, tem-se intensificado, muito em particular ao longo da última década.

 “A cimeira procurará dar um novo impulso às relações bilaterais, em particular em tudo o que tem a ver com o esforço que o Governo de Moçambique está a fazer para combater a pobreza no país e criar as condições para um desenvolvimento económico sustentável”, acrescentou Amado.
 O ministro adiantou que no encontro com Armando Guebuza, foram igualmente abordados temas regionais e acções diplomáticas do Presidente moçambicano que efectuou uma visita à Suazilândia e na terça-feira recebeu em Maputo o primeiro-ministro do Zimbabwé, Morgan Tsvangirai.

* Amado diz que entrada de FMI em Portugal “não se coloca de momento”

 O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, recusou na quinta-feira avaliar os efeitos da eventual entrada do FMI em Portugal nas relações com os países africanos, afirmando que tal questão não se coloca de momento.
 “Não colocamos essa questão neste momento, vamos ver como é que durante os próximos dias se desenvolve o processo político interno”, disse Luís Amado após uma audiência em Maputo com o Presidente moçambicano, Armando Guebuza.

 A mesma prudência foi usada pelo chefe da diplomacia portuguesa para comentar uma eventual renúncia do primeiro-ministro, José Sócrates, caso o Plano de Estabilidade e Crescimento não seja aprovado no parlamento.
 “Essa questão colocar-se-á esta semana no debate sobre as condições de apoio ou de rejeição das medidas previstas para o PEC que será apresentado a Bruxelas”, disse, distribuindo responsabilidades para os partidos da oposição.

 “Temos um Conselho Europeu muito importante a 24 e 25 de Março, que deverá aprovar um conjunto de medidas muito importantes para a estabilidade do euro e para a gestão da zona euro, vamos ver em que condições no parlamento a oposição se posiciona para dar ou não garantias de continuidade a esse trabalho”, acrescentou.

 Luís Amado efectuou uma visita de trabalho a Moçambique, no âmbito da preparação da primeira cimeira bilateral, prevista para o primeiro semestre deste ano.