Dia do Padrão na APF de Vanderbijlpark encerrou celebrações do Dia de Portugal na área consular de Joanesburgo

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 No domingo, 16 de Junho, na Associação Portuguesa de Vanderbijlpark (APF), decorreu o encerramento das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas com um almoço convívio de celebração do Dia do Padrão e também comemoração do Dia do Pai na África do Sul.

 A cerimónia começou pelas 13 horas com o cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo, Francisco-Xavier de Meireles a acender em conjunto com os escuteiros do 1° Agrupamento de S. Jorge, a Chama da Pátria. As bandeiras da África do Sul, de Portugal e da APF foram hasteadas ao som dos hinos nacionais dos dois países e da associação.

 Os convidados encaminharam-se para o interior do salão de festas da associação onde o almoço foi servido. Primeiro, com o prato da sopa, caldo-verde servido pelos jovens membros do rancho folclórico da APF. Uma vez findo o primeiro prato, o buffet do almoço foi aberto com pratos típicos portugueses como carne de porco à alentejana e frango grelhado na brasa.

 A primeira actuação da tarde foi a do rancho folclórico da APF, constituído apenas por jovens, momento alto da tarde e que orgulhou os associados da colectividade.

 O apresentador da tarde foi José Luís da Silva, que co-meçou por afirmar “dia da ju-ventude, não podemos esquecer Hector Pieterson e outras vítimas que faleceram na manhã do dia 16 de Junho 1976.” Continuou declarando, “também há três dias se celebrou o desembarque das tropas Aliadas na Normandia. Onde muitos pagaram com o sacrifício supremo a liberdade que hoje nós temos. A todos que morreram neste país, vítimas da violência criminal, repito, todos sem exclusão, vamos também dedicar um minuto de silêncio em suas memórias”.

 Foi então cumprido um minuto de silêncio em memória de todos os que perderam a vida devido ao crime e pelo sacrifício das tropas na Normandia na Segunda Guerra Mundial.

 José Luís da Silva agradeceu as presenças e desejou a todos uma tarde agradável.

 Chamou depois ao palco Quintino Valente, presidente da assembleia-geral da APF, “é com orgulho que olho para este salão recheado de tantas caras. É isto que a APF agradece. Quando eu digo a APF, são os directores desta casa. As pessoas que mantêm a chama viva desta casa. Eu, em representação desta casa, vos digo é com grande honra que olho para esta casa e vos agradeço. Sem vocês, não há APF, um muito, muito obrigado pela vossa presença.”

 Quintino Valente prosseguiu agradecendo aos directores da associação, dinâmicos e por serem o motor da casa, para os quais pediu uma salva de palmas.

 “Também ao nosso pessoal, esta casa tem seis funcionários permanentes, que são quem mantem a casa. Abrem, limpam e olham por isto tudo. A eles, obrigado”.

 “Não podia deixar de agradecer aos directores passados, a todos eles, a todos os associados e simpatizantes que durante os anos fizeram com que esta casa tivesse a vida que tem e que teve, o historial que teve, também a eles a nossa profunda gratidão.”

 “Hoje, estamos a celebrar três datas, primeiro o Dia do Pai, porque sem pai não havia Portugalidade. O Afonso Henriques teve um pai e se não tivesse tido um pai, se calhar não era o rebelde que foi e não tinha feito o nosso país. Aos pais, uma salva de palmas.

 Celebramos também o Dia de Portugal, a encerrar os festejos do 10 de Junho. É para nós uma grande honra receber todos os anos, já se tornou uma tradição, o encerramento do Dia de Portugal ser feito aqui na nossa casa. A todos, muito obrigado por nos darem a honra deste evento.

 E, por último, o Dia do Padrão. É uma marca portuguesa, uma marca que nos distingue do resto dos europeus. Porque fomos nós, com as nossas raízes cristãs que viemos e marcámos a nossa presença não só na África do Sul, mas por todo rande que foi. Temos uma alma grande e isso ninguterritório onde passaram os nossos marinheiros, que muito sofreram para fazer Portugal gém nos pode tirar.

 Espero que tenham uma boa tarde e que continuem a honrar a pátria-mãe, que é Portugal”, concluiu Quintino.

 A discursar em seguida foi o comendador José Quintal. “Senhoras e senhores, como diz o Quintino eu venho de longos anos. Entrei com o pé direito ou com o pé esquerdo, em 4 de Março de 1963, numa associação e aqui estou, ainda estou aqui. Não desisti.

 Isto dá muito trabalho, quando se olha para o palco e para o salão, a decoração e dou os meus parabéns ao presidente da assembleia-geral e à direcção que o acompanha. Lembro-me muito bem quando a APF estava na cidade, que não era fácil e lembro-me muito bem da vinda para aqui e depois da inauguração des-te salão.

 Continuamos a trabalhar em prol da Comunidade e eu nunca irei abandoná-la. Quero agradecer à APF pelo convite de estar aqui hoje”.

 Em seguida, falou Alexandre Santos, presidente da Federação das Associações Portuguesas na África do Sul. “Boa tarde a todos, cidadãs e cidadãos portugueses. É com imenso orgulho que estou aqui presente e quero agradecer o convite que me foi formulado pela direcção da APF, que não é apenas o encerramento dos festejos do Dia de Portugal como também o Dia do Padrão.

 Como sabem, julgo eu, o Padrão deve ser o único que foi erigido em qualquer associação portuguesa aqui na República da África do Sul. E por isso eu acho que é um motivo de muito orgulho para todos nós, não apenas pelo símbolo que o padrão representa, como também porque é um reflexo da Comunidade desta área no que diz respeito ao seu portuguesismo e em relação à História de Portugal.”

 “Não posso deixar de felicitar esta associação pela forma excelente de como esta sala foi decorada. Proponho uma grande salva de palmas.”

 “Ao mesmo tempo, felicitar uma vez mais, um rancho que foi criado há menos de um ano a forma como eles dançaram perante vós, alguns deles em estreia, o que é extremamente louvável. Quero felicitar não apenas a direcção como também os ensaiadores por isso.”

 “E não posso deixar de lamentar, uma vez mais, o encerramento da escola de Português nesta área. Mas enfim, haverá razões que eu não compreendi, mas não posso por isso deixar de lamentar, porque na realidade ao vermos o entusiamo com que estes jovens dançaram aqui, certamente se merecia a continuação da escola de Português nesta área.

 E para terminar, quero também uma vez mais agradecer a todos vós, portugueses, estarem aqui presentes para com esta associação felicitarmos a sua direcção e dizermos bem alto, viva Portugal. Viva a APF”, concluiu Alexandre Santos.

 Por fim, o último discurso oficial foi feito pelo cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo, Francisco-Xavier de Meireles. “Boa tarde a todos. Vou falar bastante em Inglês, mas queria dirigir umas primeiras palavras em Português, porque acho que são devidas e este, já que não tenho outro, é o palco em que eu quero publicamente reconhecer o esforço, a dedicação, a contribuição e o empenho de famílias sem as quais esta associação não seria o que é hoje.

 Queria desde já pedir desculpa, se deixo alguma de fora, mas queria agradecer publicamente e para eles peço aplauso à família Tavares, família Flora, família Dias, família de Carlos Vicente, de Daniel Santos e de João Encarnação que nas palavras do João Quintino são verdadeiros pilares da APF em Vanderbijlpark.”

 Foi para estas famílias dada uma forte ovação. O diplomata prosseguiu com a sua intervenção, “nem sempre é possível traduzir o reconhecimento das autoridades em medalhas ou em comendas ou em gestos públicos de reconhecimento. Isto depende de uma série de factores que não estão sempre nas mãos dos cônsules e dos embaixadores. Mas isso não quer dizer que nós não estamos atentos, gratos, reconhecidos e teremos presente quando for oportuno, o contributo que vocês vão dando na medida das vossas possibilidades.

 Quero também agradecer à Nela e ao Pedro Relvas, pelo trabalho e dedicação com o grupo de folclore que permitiu que aqui nos tivessem encantado desta forma brilhante com apenas um ano de existência. Não há dúvida que estes miúdos que aqui estiveram, sentem o orgulho das tradições portuguesas e dançaram com encantamento as nossas danças tradicionais. Quero também ainda, especialmente, mencionar a Jackie da Silva e a filha do senhor João Quintino, sem as quais estas fardas não estavam aqui e estiveram tão bem a representar Portugal.”

 “Dito isto e reconhecendo e observando todo o protocolo aplicável”, continuou em Inglês o cônsul-geral de Portugal, “quero dizer algumas coisas que espero que sejam inclusivas e por causa disso di-lo-ei em Inglês.”

 “Ninguém tem mais orgulho da língua portuguesa do que eu. Mas temos 876 anos de História e isto é a contar com o reconhecimento oficial de Portugal no Tratado de Zamo-ra, como o nosso nascimento, porque estávamos lá antes disso. Estamos a chegar perto do nosso nono século e em quase toda a nossa História, Portugal tem sido um exemplo de inclusão.

 O simples facto de que os nossos padrões contêm tanto a Coroa como a Igreja, exemplificam que a nossa História é uma marca de inclusão na forma de que trouxemos con-nosco as nossas tradições, as nossas crenças, a nossa Fé. Ser português é ser parte des-sa tradição. Não pode, não deve e não deverá ser reduzido à habilidade de falar Portu-guês.”

 “É importante, é uma mais-valia, abre portas e oportunidades, é uma língua valiosa. É a sexta língua mais falada no Mundo e estamos muito orgulhosos disso. Mas, não pode ser transformada num elemento de exclusão. Se os vossos filhos, os vossos netos não falam Português, não são menos portugueses do que vocês. São parte dos muitos milhões de portugueses que foram forçados a abandonar a nossa pátria e procurar um futuro melhor para eles e para os filhos. Não se pode falar de Portugal sem falar da nossa epopeia no estrangeiro. E para clarificar a minha afirmação, a nossa primeira entrada em África foi em 1415, quase três quartos da nossa História, a nossa presença em África é uma constante.

 Tem sido parte desta presença, a propagação da nossa Fé, a transmissão da nossa Cultura e a preservação da dita Cultura. É por isso que ser-se um luso-sul-africano não é o mesmo que ser qualquer outra tribo na África do Sul. Estamos aqui desde que os povos que estavam aqui e havia gente aqui quando cá chegámos, nem sequer so-nhavam em ter um país, muito menos um país multidiversificado como a África do Sul. Baptizámos muitas das áreas e cabos e para vos dar um extraordinário exemplo, o clima do continente subsariano, é determinado por duas correntes marinhas que possuem nomes portugueses. A corrente das Agulhas no Este e a corrente de Benguela na costa Oeste. Fala-se com quem quer se seja que tenha estudo o clima no sul de África e todos mencionam isto. Isto mostra o quanto pertencemos a esta terra. E quero enfatizá-lo e estou a dizê-lo em Inglês de propósito porque quero que vocês, os jovens, o futuro da Comunidade portuguesa na África do Sul, que saibam o porquê de serem diferentes e sentirem-se orgulhosos disso.

 Agora, não gosto de falar de direitos sem falar de responsabilidades. É verdade que partilhamos esta enorme res-ponsabilidade desta herança e que é nosso direito. Nascemos portugueses. É como a lei o define. A responsabilidade é partilhar a nossa Cultura no que tem de grandeza e isso é não haver descriminação, inclusão, não há diferenciação em relação à raça, cor, credo, religião ou o que seja. Nós temos que contribuir para a construção da “Nação Arco-Íris” que a África do Sul tenciona ser.

 E, dou-vos um exemplo que li nas notícias, 55,5% dos jovens entre as idades de 15 e 24 anos, estão desempregados neste país. Não se pode esperar que um país viva em paz quando 55,5% dos jovens não encontram emprego. E isto é um problema do país, é um problema que os portugueses têm ajudado a reduzir por muitas gerações e estou certo e conto convosco, iremos continuar até este problema ser reduzido a uma proporção mais adequada.”

  Finalizou a intervenção em Português ao declarar, “tendo dito isto, estou muito, muito orgulhoso de termos podido encerrar mais uma vez as celebrações do Dia de Portugal aqui em Vanderbijlpark, é um orgulho enorme vir aqui. É a terceira vez que venho, sinto o esforço que vocês fazem e quero aplaudir o exemplo que esta associação, que esta casa de Portugal em Vanderbijlpark no Vaal é. Aqui, todos somos portugueses quer sejamos da Madeira, do Benfica ou do Boavista, como eu. Isso é que é o importante.

 Portanto, quero aplaudir-vos, quero vos desejar continuação dos esforços que estão a fazer em relação à passagem das nossas tradições através do rancho folclórico, quero esclarecer que as escolas portuguesas não existem só quando o Estado paga. Não há nada que vos impeça de fazer uma escola aqui. Acho até, que se têm esse anseio, deviam organizar-se para fa-zê-lo porque eu sei que há aqui uma professora com capacidade para dar aulas. E um dia os vossos resultados podem ser reconhecidos pelo Instituto Camões. Outra coisa é ter o apoio do Estado, infelizmente no momento actual, foi aberto um horário que cobria Vanderbijlpark e não apareceram candidatos. A professora que aqui existe não tem condições e vocês conhecem melhor do que eu, para fazer um horário completo, porque não tem condições de ir a Joanesburgo dar aulas. E é por essa razão que o Instituto Camões não está a apoiar a escola de Português aqui em Vanderbijlpark. Mas volto a dizer e vocês são exemplo do muito que se fez nas Comunidades portuguesas na África do Sul, nos anos passados, sem ficar à espera de apoios do Estado, da Região Autónoma, fosse de quem fosse.

 Se vocês quiserem, a escola portuguesa em Vanderbijlpark pode acontecer e o cônsul será o primeiro a apoiar. Muito obrigado, viva Portugal”, concluiu o diplomata.

 Foram entregues lembranças, pelas crianças da APF, aos pais presentes no salão. Um gesto tocante que agradou a todos os presentes, por ser uma surpresa.

 O buffet das sobremesas foi servido e o jovem artista Jason da Costa actuou para todos os presentes, pela tarde adentro.