Dia de Portugal chegou a ser festejado com içar da nossa bandeira em escola sul-africana

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Dia de Portugal chegou a ser festejado com içar da nossa bandeira em escola sul-africana

Já lá vai o tempo em que na Burgher Right Primary School, de Pretoria West, bairro onde no passado vivia a maior percentagem de portugueses, e dos mais de oitocentos alunos que a chegaram a frequentar nas décadas 70/80, eram filhos de compatriotas nossos, daí e em relação à grande consideração que nos era dispensada, o Dia Nacional Português ser ali assinalado com várias actividades alusivas a essa efeméride, como antes do início das aulas o hastear da bandeira portuguesa por dois jovens alunos da nossa comunidade, perante formatura geral dos alunos de todas as nacionalidades que a frequentavam, e respectivo corpo docente. 

 Em seguida, e no salão destinado a actividades recreativas, eram proferidas pelo director daquele estabelecimento de ensino, Jacobus Nicolas Jager, um bom amigo dos portugueses – que até chegou a acompanhar a preparação da selecção da nossa co-munidade, e aplaudi-la em dias de jogos da chamada Mini-Copa disputada em Fevereiro/Março de cada ano no campo do Arcádia -, e na sua secretária tinha sempre patente a nossa bandeira ao lado da sul-africana, conforme uma das fotos a ilustrar este texto pode testemunhar, palavras de estímulo e apreço pela nossa gente.

 Esta homenagem a Portugal, era sempre realçada pelo então gerente da Secção Consular da nossa Embaixada, vice-cônsul Mário Silva, que sempre se juntava a estas celebrações, como por exemplo na de 1991, em que ao elogiar os responsáveis pela iniciativa, se debruçou sobre o que representava para os que o ouviam, a data do 10 de Junho, dando a conhecer aos jovens presentes, alguns dos feitos notáveis dos nossos antepassados, que com a sua coragem, valentia e alto sentido patriótico, escreveram páginas de ouro na história de que todos nos devemos orgulhar.

“Deus, Pátria e Família”, prosseguiu Mário Silva, -um homem que sempre que se dirigia à comunidade, não deixava de apelar aos pais para em suas casas falarem português, ensinando-lhes a riqueza, e incutindo-lhes o valor da nossa Língua -, são três palavras prioritárias que aprendemos na escola, e pela vida fora devemos respeitar o verdadeiro sentido de cada uma delas, para deste modo podermos ser bons filhos, bons chefes de família e bons cidadãos, e com todo o respeito e amizade que nos merece a África do Sul, país onde muitos dos que o escutavam já haviam nascido, não devemos por outro lado esquecer Portu-gal, terra da nossa origem e em que residem os nossos familiares fraternos, para além do sangue lusíada que nos corre nas veias.

 Que este Dia da Raça Por-tuguesa, finalizou ali Mário Silva nesse 10 de Junho de 1991, irmanados pelo mesmo ideal, seja festejado por todos nós com o mesmo sentido patriótico hoje aqui bem patente, e que outras escolas espalhadas pelo mundo da emigração, sigam o exemplo desta de Pretoria West, para que o nome de Portugal seja cada vez mais elevado, e jamais morra nos cinco continentes.

 Depois de entoados por alunos e professores, os hinos nacionais da África do Sul e de Portugal, assistiu-se à exibição de algumas das nossas danças tradicionais, a cargo das crianças a quem foi dada a prorrogativa de usarem nesse dia os trajes do nosso folclore.

 Para comemorar esta significativa data, alguns dos alunos nossos compatriotas que frequentavam esta Burgher Right Primary School, fizeram-se acompanhar de variados petiscos e guloseimas da nossa gastronomia para ali serem saboreados em perfeito espírito de confraternização.

 Nessa altura esta escola sul-africana, uma das primeiras, senão a mais antiga da capital sul-africana, sempre que promovia actividades de qualquer género, como por exemplo a comemoração dos seus noventa anos ao serviço do ensino, lá estavam os alunos portugueses a participar de forma muito activa nesses eventos, fazendo realçar as suas qualidades nos diversos âmbitos, sempre com uma postura e dignidade a merecer os aplausos de colegas e professo-res, de que passamos a mencionar uma delas.   

 De 19 a 23 de Outubro de 1993, concertos musicais diários denominados por “Arround the World With Burgher Right“, em que cada classe escolhia os seus variados temas respeitantes aos potenciais e culturas da Pérsia, China, Portugal, África, Brasil e América, sendo o dedicado ao nosso país alusivo ao “Galo de Barcelos”, sua história e significado, intercalado com vibrantes danças do nosso folclore e trajes típicos a rigor, deixando surpreendido o director executivo do Departamento da Educação do então Transvaal, hoje Gauteng, dr. K.R. Paine.

 No encerramento dessas inúmeras actividades, a coincidir com o aniversário da escola, houve nos terrenos anexos, estreita confraternização entre professores, alunos, familiares e amigos, onde não faltaram as mais variadas especialidades da nossa culinária, e até o bolo alusivo à efeméride, confeccionado por Maria Couto, rende nas três vezes em que foi leiloado a avultada quantia de 3.600 randes, muito dinheiro nessa altura, sendo nos concursos para eleição de Miss e Mister Burgher Right eleitos respectivamente, Chantel Gonçalves que ali frequentava o St. 5, e Michael Monteiro do St. 4.

 Recorda-se também que muitos dos estudantes que frequentaram esta escola nos tempos primitivos, eram descendentes de holandeses, e por não sabe-rem o inglês, foi ali criada uma classe apenas para os aperfeiçoar nesta disciplina até 1924, data em que a língua holandesa foi extinta na África do Sul, para dar lugar ao “Africa-nense”, introduzida no país como segunda língua oficial, sendo em relação aos da nossa comunidade, que aqui chegavam de Portugal continental, Ilhas adjacentes, ou das ex-províncias ultramarinas, essa tarefa confiada a Olga Chadinha que ali leccionava o St. 2, e a Paula Cristina Moreira da Silva, que a par do ensino que ministrava, era também encarregada da livraria escolar.

Nessa altura em que provavelmente não existiam tantas escolas como hoje, depois de completarem o St. 5, que lhes dava acesso ao ensino secundário, a maior parte dos nossos alunos que deixavam esta escola primária, davam preferência em continuação dos estudos, à Hillview High School, Pretoria Central Technical High School, e Alphen Park, es-ta última mais conhecida por Commercial High School, todos eles continuando nessas escolas a fazer realçar as suas qualidades, alguns chegando a funções de liderança como “prefects” e “head girls”, como disso procuramos sempre dar conhecimento da homenagem dedicada pela nossa Embaixada, por ocasião do Dia de Portugal, aos alunos luso-descendentes, com entrega de diplomas pela sua capacidade de liderança nas escolas sul-africanas que vêm frequentando, numa iniciativa da Coordenação do Ensino de Português na África do Sul.  

 Nesses considerados bons tempos, era frequente vermos os nossos jovens, acompanhados dos familiares, a frequentar as nossas colectividades em dias de festas, e a participar activamente nos ranchos folclóricos da ACPP e Casa do Porto, que entretanto foram ficando pelo caminho, apenas se mantendo em actividade o da Casa Social da Madeira, coisa que infelizmente pouco acontece na actualidade, dado a nossa juventude preferir frequentar hoje outros meios e ambientes, e com isso, isto salvo algumas excepções, até o domínio da nossa língua ir com muita pena nossa, caindo no esquecimento.