Deputados do EFF interrompem discurso do Presidente e levam o caos ao Parlamento

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Deputados do EFF interrompem discurso do Presidente e levam o caos ao Parlamento

O boicote do partido EFF, liderado por Julius Malema, ao discurso sobre o Estado da Nação do presidente da África do Sul, Jacob Zuma, semeou na quinta-feira o caos na ce-rimónia de abertura do ano parlamentar, na Cidade do Cabo, e obrigou as forças de segurança, a pedido da presidente do Parlamento, a retirar os deputados contestatários, para restabelecer a ordem dos trabalhos.

  O discurso de Zuma foi interrompido logo no seu início pelos deputados do partido populista Combatentes pela Liberdade Económica (EFF), que exigiam o direito de colocar perguntas sobre a situação do País e os casos de corrupção que apontam como alegadamente envolverem o Presidente.

  A presidente do Parlamento, Baleka Mbete, lembrou os deputados insubordinados que não havia lugar a perguntas na ordem do dia desta sessão anual mas que haveria cabimento para elas nas sessões dos próximos dias. Perante a recusa dos opositores em aceitar o regulamento, Baleka chamou os serviços de segurança para os retirar da sala.

  Os responsáveis do sinal televisivo do Parlamento – que tem sua sede na Cidade do Cabo – interromperam a transmissão de dentro da sala durante a evacuação do líder do EFF, Julius Malema, e seus colegas de partido.

  Após a saída do segundo maior partido da oposição, os parlamentares da principal força opositora, a Aliança Democrática, também deixaram a sala uma vez que Mbete não esclareceu se os agentes eram dos serviços de segurança do Parlamento ou da Polícia.

  O representante da AD, John Steenhuisen, argumentou que a presença de agentes armados no Parlamento viola a Constituição e intimida os membros da oposição.

  Após a saída dos dois principais partidos da oposição, o Presidente Zuma continuou com seu discurso perante os deputados do seu partido, o governante e maioritário Con-gresso Nacional Africano, e outras formações políticas mino-ritárias.

  Os deputados do EFF já tinham ameaçado, anteriormente, boicotar o discurso de Zuma perante o Parlamento com o grito de "Devolva o dinheiro", em referência aos fundos públicos utilizados pelo na ampliação da sua residência privada na sua terra natal.

  A líder do Ministério Público, Thuli Madonsela, pediu ao Presidente Jacob Zuma, num relatório oficial divulgado no final de 2013, que devolvesse aos cofres do Estado o di-nheiro gasto nas obras que não correspondessem com a pretensa melhoria das medidas de segurança da sua casa.