Deputado pelo circulo da emigração José Cesário terminou visita à África do Sul

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Deputado pelo circulo da emigração José Cesário terminou visita à África do Sul

O deputado parlamentar pelo círculo da emigração, José Cesário, ex-secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, esteve na África do Sul para uma visita a várias empresas e locais da Comunidade portuguesa radicada em Joanesburgo. Cesário terminou o périplo de alguns dias com uma visita às empresas portuguesas Paramount Trailers e MF Autobody. A manhã foi passada na empresa do comendador Fernando Marques, numa visita às instalações de fabrico de atrelados e atrelados combinados.

 De seguida, ao fim da manhã, José Cesário acompanhado sempre pelo comendador Silvério Silva, chegou às instalações do MF Autobody em Boksburg. Nesta empresa de reparação de carroçarias automóveis, José Cesário acompanhado pelo fundador mestre Manuel Figueiredo e seus filhos, Armando e João Figueiredo, percorreu as instalações da empresa do sector automóvel. Visitou as estufas e áreas de pintura, o laboratório de mistura de cores e a zona de preparação de tintas. Foi mostrado a José Cesário a área de bate-chapas onde os automóveis são reparados e submetidos a rigorosas medidas, medições também tiradas a raios-lazer para garantir a segurança e fiabilidade dos trabalhos.

 Ao percorrer a oficina, José Cesário testemunhou o segundo projecto de reparação e reconstrução de um Ferrari. O segundo automóvel deste género que o mestre Figueiredo concerta. Trata-se de um Ferrari 458 Itália Scuderia, sinistrado e que ficou com a parte frontal destruída.

 Visivelmente impressionado e satisfeito com a quantidade e qualidade do trabalho, o deputado pela emigração mostrou regozijo de fazer nova visita à oficina MF Autobody. O mestre Manuel Figueiredo e os seus filhos explicaram com tempo cada processo de reparação da carroçaria automóvel e o volume de trabalho que têm semanalmente.

 Seguiu-se um almoço nas instalações da mesma, com a família Figueiredo a dividir a mesa com José Cesário e o comendador Silva, todos oriundos de Viseu, Portugal. Dali, José Cesário partiu para o aeroporto de Joanesburgo para regressar a Portugal.

 

* José Cesário em declarações ao Século de Joanesburgo

 

 Michael Gillbee: José Cesário, deputado parlamentar pela emigração, qual é o balanço que faz desta visita à África do Sul? Vai daqui com que notas?

 José Cesário: Bom, eu verifiquei que a Comunidade portuguesa aqui atribui muita importância ao contacto, à relação com as autoridades portuguesas. Está-se a criar aqui um sentimento de algum isolamento, devido aos poucos contactos que tem havido nestes últimos tempos. Sobretudo com membros do governo, é evidente. Portanto, fico satisfeito de verificar que há uma ligação tão forte a Portugal, mas evidentemente que tenho de constatar que é preciso fazer um pouco mais, todos nós, quer os que estão no Governo, quer os que não estão no sentido de nos mantermos próximos da Comunidade. É uma Comunidade que tem especificidades, não é igual a outras. É uma Comunidade que foi muito marcada pelos factos que condicionaram as vidas dos seus membros: a descolonização para os que vieram de Angola e Moçambique, o fim do Apartheid, as vicissitudes do processo democrático na África do Sul, o processo de integração social e racial. Tudo isso, evidentemente, atribui a esta Comunidade características muito próprias. Em todo o caso, é uma que mantem uma faixa bastante empreendedora e com sucesso visível e, também é bom dizer, há um sector muito significativo sobretudo com pessoas de mais idade, que estão numa situação mais delicada do ponto de vista social, passando até por dificuldades. Nuns casos económicas e noutros casos, tem haver com o seu isolamento.

 MG: Fala portanto no isolamento dos idosos?

 JC: [enfatiza] Dos idosos! Que estão sozinhos em casa, abandonados muitas vezes. E portanto, isto faz com que seja muitos importante apoiar e incentivar o voluntariado e a acção de instituições que consigam ajudar e enquadrar essa gente. Portanto, o que eu vim aqui encontrar – em síntese – foi: uma grande ligação a Portugal, uma grande vontade de ter uma relação com o seu cantinho lá, mesmo de alguns luso-descendentes com quem fui contactando, mas uma realidade que é muito díspar. Desde as pessoas que tem muitas dificuldades às pessoas que têm visivelmente mais sucesso.

 MG:  Gostou de encontrar obras feitas. Lançou a primeira pedra na nova Enfermaria do Lar Rainha Santa Isabel. Viu nascer o projecto que acarinhou e ajudou a lançar, o centro de dia “Coração de Maria” no Núcleo de Arte e Cultura. Satisfá-lo a si ver obra feita, obra a ser utilizada?

 JC: Tive o grato prazer, muito gosto em ver algumas das coisas que lançámos enquanto estávamos no Governo e citou aí várias, há outros casos aí. Eu por exemplo não fui ao Lar de Pretória da igreja de St. Maria dos portugueses, tal como não fui às unidades que apoiamos em Durban e no Cabo, mas fiquei nesses casos concretos, feliz por ver que estão concretizados e a funcionar muito bem. [enfatiza] E agora há que lhes dar continuidade!

 MG: Ficou satisfeito de ver que os dinheiros foram bem empregues?

 JC: Os dinheiros não foram parar ao bolso de ninguém e além disso, estão a gastar muito mais do que aquilo que era a espectativa inicial.

 MG: Preocupa-o a procura do centro de dia?

JC: Eu tive a oportunidade de explicar, quando lançámos a ideia, se aparecerem mais quatro ou cinco unidades daquelas em Joanesburgo, vão encher. Não tenho dúvidas nenhumas sobre isso! Tal como no Cabo, Durban, tal como noutras cidades de me-nor dimensão também. Aliás, acho que no movimento associativo, é urgente que reconverta os seus espaços parcialmente, para actividades deste género, porque é maneira de lhes dar utilização.

 MG: Visitou várias empresas de conterrâneos seus, enche-o de orgulho ver que patrícios seus estão a fazer muito sucesso na África do Sul e que são montras do que os portugueses são capazes?

 JC: Sim, é verdade. Fico muito feliz por isso e até fico muito feliz por ver outros, que não são de Viseu, que até estão a pensar investir e noutros casos vir a viver lá. Em todo o caso, é um mero pormenor serem de Viseu ou não. Eu visitei várias unidades empresariais com grande sucesso, que é revelador de que há uma faixa de portugueses que estão a ter resultados extraordinários da sua acção como empresários.

 MG: Falou que é provável estar de volta daqui a uns meses. Tem uma data prevista?

 JC: Não tenho. Quando fizer o planeamento de 2017, espero incluir a África do Sul. Só há uma certeza, quando cá voltar espero ir a outras cidades que não apenas a estas cidades de Joanesburgo e Pretória. Já desta vez era para o ter feito, simplesmente algumas das pessoas com quem ia contactar não estavam cá e eu só me apercebi disso depois de ter marcado a viagem.

 MG: Uma mensagem aos portugueses na África do Sul.

 JC: Deixo uma mensagem de forte confiança no Futuro, forte confiança na relação entre eles e Portugal e portanto espero, que quem tem problemas os consiga ultrapassar e que a relação com Portugal seja importante para isso.