Deputado José Cesário conviveu na ACPP em almoço mensal da Academia do Bacalhau de Pretória com a comunidade portuguesa

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 Com uma presença a ultrapassar as sessenta pessoas, entre as quais o deputado do PSD à Assembleia da República pelo círculo da emigração fora da Europa, José Cesário; o Frei Gilberto Teixeira da Igreja de Santa Maria dos Portugueses; o secretário da embaixada, Eduardo Rafael; os comendadores Joe Quintal, Estevão Rosa, Mário Ferreira e Silvério Silva; a comendadora Paula Caetano; a conselheira da Comunidade eleita por Pretória, Helena Rodrigues, e em presidentes, o da Academia do Bacalhau de Joanesburgo,  Manuel Arede; pela ACPP o honorário Manuel José, e o novo da Direcção Tony Oliveira, da Casa da Casa Social da Madeira, Augusto Baptista Rosa; da Academia da Ferrugem em Joanesburgo, Rogério Nascimento; e João Paulo de Sousa do Mercantile Bank, teve lugar na tarde da última quarta-feira, 29 de Janeiro, no restaurante da ACP de Pretória, mais um dos almoços mensais da Academia do Bacalhau de Pretória.

 Com as boas-vindas e agradecimentos do presidente desta Academia do Bacalhau, Tony Barbosa, a todas as comparências, de modo particular ao visitante, já que nestes casos são geralmente reveladas algumas das novidades relacionadas com a política decorrente no nosso país, assim como outras de interesse na área das comunidades portuguesas fora da Europa, círculo em que se integra esta nossa da África do Sul, foi convidado a proferir algumas palavras o deputado José Cesário, que começando por saudar com amizade todos os que consigo tomaram parte no almoço, viria depois a referir no seu improviso:

 “É um prazer imenso ver aqui tantos amigos, pessoas que vou encontrando ao longo de todos estes anos, e fui aprendendo desde a primeira vez em que aqui vim, isto em 2002, e nessa ocasião na passagem por Moçambique visitar a Casa do Gaiato que era suportada pela Academia do Bacalhau, de lá e certamente com apoio das daqui, e foi nessa altura que comecei a entender a dimensão deste movimento, de facto extraordinário, que me permite juntar valores culturais e de solida-riedade, cada vez mais importantes para todos nós.

 Eu vim dar a volta a esta co-munidade da África do Sul, no âmbito destas funções que exerço, como deputado eleito per este círculo fora da Europa, e para começar escolher duas comunidades que considero em situação mais débil, como são a da Venezuela e a da África do Sul.”

 

* Ordenado mensal actual de um professor universitário

na Venezuela é apenas de onze euros

 

 “Quanto à da Venezuela é um caso que devemos ter sempre presente. Onde durante muitos anos tivémos uma comunidade enorme e extremamente poderosa sobre vários pontos de vista, e economicamente fortíssima, com grandes médicos, grandes professores, investigadores, músicos e comerciantes extraordinários. Foi uma comunidade que viveu muito longe e afastada de Portugal por razões diversas, e que a partir de certa altura começou a atravessar uma situação extraordinariamente dramática, so-bre o ponto de vista económico e de segurança, e para te-rem uma ideia, eu tive uma reunião com vários professores universitários, e o salário desses professores, traduzidos em euros, é apenas de onze mensais, com o preço dos produtos alimentares em lojas e supermercados altíssimos, a serem pagos em dólares ou euros, provoca como devem calcular uma situação dramática.

 Eu tive reuniões em muitos locais e vi pessoas à minha frente, da minha idade ou mais velhas a chorar, porque a terra deles é aquela, é lá que têm os filhos e os netos, é lá que compraram casas e têm os seus negócios, onde hoje nem há empregos, os negócios não dão lucros, e aquela gentinha aguenta ali, porque se saírem de lá perdem tudo.

 Hoje muitos deles, estima-se que tenham saído do país mais de cinco milhões de pessoas, isto numa população perto de trinta milhões, incluindo a portuguesa e a de muitos outros países, por razões que até se prendem com a língua, os que foram para Portugal, muitos deles não tendo a nacionalidade, obrigando o estado a fazer um es-forço enorme.

 O que me surpreende é que Aqui na África do Sul, com muitos que vieram de Angola e Moçambique, com muita gente em dificuldades, como é que eu encontro muita gente por aí, praticamente em idênticas circunstâncias à da Venezuela, pais que não registaram os filhos, com os netos a queixarem-se do mesmo, sem a nacionalidade portuguesa, e agora para o conseguirem, além de terem de gastar  dinheiro, terem de esperar meses e por vezes até anos, tudo isto podendo ser evitado, uma vez com direito à dupla nacionalidade.

 Mas não é só aqui e na Venezuela, por exemplo na América do Norte, com meio milhão de portugueses, quase todos de origem açoriana, estando lá desde o século dezanove, as pessoas mostram o passaporte português caducado há vinte anos, porque acham que com o passaporte americano podem fazer tudo.

 Na Venezuela também era assim, exactamente a mesma coisa. Temos que pôr a mão na consciência, com certamente alguns aqui presentes nessas circunstâncias, há que chamar à atenção das pessoas para tratarem com tempo dessas coisas.

 Uma criança não pode estar sujeita a isso, porque os pais ou os avós não a registaram. Foi sempre assim, com este governo ou anteriores, se os nossos portugueses falham muitas vezes, por não atenderem adequadamente as pessoas, se bem que por vezes damos más informações, por outras os serviços não funcionam com a rapidez que é desejável, às vezes por culpa de quem manda, também é verdade, isto tudo tem que funcionar doutra maneira.

 Todos temos que fazer um esforço, até porque nós sabemos muito bem, eu não me canso de dizer isto, se nós significamos alguma coisa no mundo do nosso Portugal, devemo-lo aos portugueses, porque espaço físico não temos.

 Temos muito mar, dois arquipélagos com uma zona económica impressionante, mas território, espaço físico já tivémos, mas hoje não temos, temos sim presença, pessoas a viver em todo o mundo, em todo o lado, em todos os graus da sociedade, com grande capacidade, capazes de divulgar e valorizar o país, e com esse espírito de entre ajuda as Academias do Baca-lhau, tal como as Misericórdias e outras de  beneficência são prova disso, agora nós valemos por tudo isso, disse-o em Welkom, Durban, Joanesburgo, e repito hoje aqui, não me canso de agradecer a todos aqueles que nos ajudam a superar a crise tremenda que tivémos em 2010/2011, em que o país foi completamente lá abaixo, em que estivemos em banca rota, e resolvemos o problema com a ajuda do português emigrante.

 Outra razão da saída da crise foi o turismo, com as pessoas a irem mais a Portugal, porque ser um país seguro, que faz as coisas melhor, porque foi divulgado, o que demonstra que quando nos unimos conseguimos superar as dificuldades, e com esse espírito continuar a construir um país de que nos orgulhamos, e com o apoio de todos contribuir para um futuro mais promissor aos mais novos.

 Felicito-vos por continuarem a aparecer a estres convívios, no fundo em apoio aos mais idosos e carenciados, embora com o andar dos tempos há menos pessoas a comparecer, daí o grande trabalho que temos de fazer chegar aos mais novos, com muitos a ignorarem as nossas colectividades, por razões que todos conhecemos, daí terem que pensar muito bem, como é que podem mobilizar hoje a juventude, sem excluir os mais velhos, finalizando o seu improviso com estas palavras:

Agradeço o modo como sempre me receberam desde a primeira vez que aqui vim, a verdade é que mesmo com as críticas, temos que as saber ouvir, por vezes custa mas temos que as ouvir. Fui sempre tratado de uma forma extraordinária, que nunca esquecerei e sempre divulgarei o que esta comunidade é e fez aqui, com a certeza que continuará a fazer.”

 Sendo em obediência à simpatia que ao longo dos anos soube granjear desta nossa comunidade, Cesário foi agraciado por Tony Barbosa com a oferta de prato típico de artesanato sul-africano, uma camisola desta Academia do Bacalhau e um chapéu com o emblema da mesma instituição.

 Também o presidente da Academia de Joanesburgo, Manuel Arede, fez questão de agradecer à amiga Academia do Bacalhau de Pretória, o ter estado presente no último congresso anual das Academias, realizado na cidade do Porto, e ali ter aceite organizar o próximo na capital sul-africana, a quem desejou mui-ta força e o maior sucesso, enaltecendo no seu improviso o governo português, por nas pessoas do Presidente da República, do primeiro-ministro, do ministro dos Negócios Estrangeiros e do secretário de Estado Luís Carneiro, classificarem as Academias do Bacalhau como salão nobre de Portugal em pessoas de bem-fazer, sendo muito saudável que depois de cinquenta anos em que foi fundada a Academia-Mãe, em Joanesburgo, termos hoje mais de sessenta espalhadas por todo o mundo, agradecendo a terminar o seu improviso a presença do deputado do PSD à Assembleia da República no convívio, e à ajuda que José Cesário tem prestado às comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.

 Depois do leilão de alguns artigos oferecidos, feito por Tony Barbosa, e das multas da praxe aplicadas pelo nomeado “carrasco” no bom sentido da palavra, Mário Jorge, foi com um gavião do penacho encerrado o convívio, continuando-se no entanto ali a conviver em agradável ambiente até bastante tarde.