Depois de 60 anos de vida religiosa em África, Henriqueta Teixeira regressa a Portugal

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Henriqueta Teixeira

Henriqueta Teixeira Em missa vespertina do passado domingo, 21 de Março, celebrada na igreja de Santa Maria dos Portugueses, foi a religiosa Maria Henriqueta Teixeira, alvo de carinhosa despedida dos paroquianos dessa mesma igreja católica de Pretoria West, onde nestes últimos dez anos foi em dois períodos responsável pela administração do Centro de Dia S. Francisco de Assis, que ali funciona para idosos da comunidade.

 Na ocasião foram as referências elogiosas a Henriqueta Teixeira feitas em púlpito pelo presidente do Conselho Paroquial da igreja de Santa Maria, Ivo de Sousa, que ao agradecer o bom trabalho desenvolvido por esta nossa irmã, nesse lar de terceira idade, e de todas as outras que consigo ali trabalharam, salientou ser com muita pena que via partir do nosso meio, tão dedicada religiosa, ciente de que vai deixar muitas saudades, destacando entre os muitos e nobres dons que lhe conhece, e muito a prestigiam, o facto de se expressar num português tão fluente que dava gosto ouvi-la, pormenor que ficará gravado para sempre na sua mente.

 Em relação ao percurso de Maria Margarida nos muitos anos que perma-neceu em África, diremos que no diálogo que consigo estabelecemos, ficámos a saber que é natural de Vila Verde, concelho de Alijó, onde nasceu a 22 de Setembro de 1927, iniciou a sua vida religiosa no ano de 1942, em Santa Cristina do Couto, de Santo Tirso, onde se manteve até 1945, em que foi colocada no hospital de Aveiro, aí se mantendo até fins de 1950, ano em que veio para Moçambique, com destino à Missão de S. Paulo de Messano.

 Depois dos primeiros dois anos que ali permaneceu, Henriqueta Teixeira exerceu funções noutros locais, nomeadamente na Missão de S. Benedito da Manga, na Beira, aqui por duas vezes, Colégio da então Vila Pery, hoje Chimoio; Missão da Chupanga nas margens do rio Zambezi, aqui até 1973, em que foi de férias com a duração de um ano a Portugal.

 Como nesse período se deu o 25 de Abril em Portugal, com a consequente independência de Moçambique, não lhe permitiram, assim como a muitos ou-tros funcionários que então ali gozavam as suas férias, regressar a essa ex-província portuguesa do Índico, caso não o fizessem nos noventa dias que se lhe seguiram, a partir dos quais não os deixavam entrar nesse novo país africano, com capital no Maputo.

 Impedida de o poder fazer, foi esta religiosa trabalhar no posto médico da Casa do Povo de Vila Verde, sua terra natal, juntamente com mais duas colegas, aí permanecendo até Outubro de 1986, período em que ajudou a preparar a creche para crianças dessa freguesia, e aldeias vizinhas, no Centro Recreativo e Cultural de Vila Verde.

 Em Fevereiro de 1987, regressou a Moçambique, e colocada na Missão da Amatongas, próximo do Chimoio, veio por motivos de segurança, dada a instabilidade que na ocasião se fazia sentir nessa área, a transferir-se para Gôndola, aí continuando até 1989, ano em que se mudou para o Chimoio para uma estadia mais prolongada, até que em 2001 rumou à África do Sul, com destino ao Centro de Dia S. Francisco de Assis, da paróquia de Santa Maria dos Portugueses, em Pretória West, de que seu irmão Frei Gilberto Teixeira era, e continua a ser, o pároco da igreja a que pertence esse lar da terceira idade para idosos da comunidade.

Em Outubro de 2005 é mandada regressar a Moçambique para mais um período de três anos no lar de Nossa Senhora da Conceição, no Chimoio, voltando novamente em 2008 ao Centro de Dia S. Francisco de Assis, em Pretória West, aqui terminando, ao que parece, a sua missão em África, já que por motivos de movimento foi ordenado o seu regresso a Portugal, para onde seguiu em 30 de Março último, e a avaliar pela sua avançada idade, logicamente que por aí ficará na zona do Porto enquanto tiver vigor, porque força de vontade é coisa que não lhe falta, não obstante os seus oitenta e dois anos, apresentando-se com boa vitalidade e, pelos vistos, ainda com muito para dar à sociedade, na sua área de actividade, ficando com o seu regresso às origens, o Centro de Dia S. Francisco de Assis entregue à religiosa Maria Celeste Manuel.

 De sublinhar que além da Henriqueta a que hoje fazemos alusão, pertencente às Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora, seguiram a vida religiosa na família, suas irmãs Maria Luísa falecida em Março de 2009, Maria Gualdina actualmente colocada nos serviços de enfermagem do hospital de Nossa Senhora da Lapa, da cidade do Porto, e seu irmão Gilberto Teixeira, pároco franciscano na igreja de Santa Maria dos Portugueses, da capital sul-africana, onde diga-se tem feito um excelente serviço, daí e em reconhecimento à sua meritória acção, ser condecorado a 10 de Junho de 2009 com a Comenda da Ordem de Mérito, que em nome do Governo português lhe foi entregue pelo Secretário de Estado Adjunto da Indústria e Inovação, Professor Castro Guerra, na Embaixada de Portugal, em Pretória.