De Londres para Lisboa: Eduardo Stock da Cunha sucede a Vítor Bento como presidente do Novo Banco

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De Londres para Lisboa: Eduardo Stock da Cunha sucede a Vítor Bento como presidente do Novo Banco

O Banco de Portugal confirmou ontem à tarde em comunicado que Eduardo Stock da Cunha foi o escolhido para suceder a Vítor Bento na liderança do Novo Banco, depois de o último ter pedido para deixar o cargo na semana passada.

 "O Fundo de Resolução e o Banco de Portugal convidaram para assumir a presidência do Conselho de Administração do Novo Banco o dr. Eduardo Stock da Cunha, que está mandatado para formar e liderar uma experiente equipa motivada para o projecto de desenvolvimento e criação de valor para o banco", lê-se no documento divulgado ontem em Lisboa pelo supervisor.

 Stock da Cunha conta com quase 30 anos de experiência na banca, tendo ocupado lugares de destaque em instituições financeiras em Portugal e no estrangeiro.

 Actualmente, o futuro líder do Novo Banco estava a trabalhar no banco britânico Lloyds, liderado pelo português António Horta Osório, gestor com quem tinha estado na ori-gem do Santander Portugal.

 Aos 51 anos, Stock da Cunha vai abraçar o desafio que o Banco de Portugal, com o acordo do Governo, lhe lançou para ultrapassar o pedido de saída da gestão do Novo Banco apresentado também na semana passada por Vítor Bento (presidente), José Ho-nório (vice-presidente) e João Moreira Rato (administrador financeiro).

 A preparação da venda do Novo Banco é a missão que o responsável vai abraçar nos próximos tempos. Stock da Cunha esteve nos últimos dias dedicado à escolha da equipa que vai passar a liderar na instituição financeira resultante da cisão do Banco Espírito Santo (BES).

 A equipa de gestão do Novo Banco liderada por Vítor Bento confirmou no sábado, em comunicado, que durante a semana apresentou ao Fundo de Resolução e ao Banco de Portugal a intenção de renunciar aos cargos desempenhados na administração da entidade.

 "Em face da especulação mediática sobre o assunto, confirmamos que durante esta semana comunicámos ao Fundo de Resolução e ao Banco de Portugal a intenção de renunciar aos cargos desempenhados na administração do Novo Banco, dando tempo para que pudesse ser preparada uma substituição tranquila", lê-se no documento assinado pelos três administradores demissionários.

 "Gostaríamos de salientar que não saímos em conflito com ninguém, mas apenas porque as circunstâncias alteraram profundamente a natureza do desafio com base no qual aceitáramos esta missão em meados de julho", sublinham os responsáveis.

 Em reacção, no sábado, o Banco de Portugal assegurou que estava a trabalhar para garantir que o futuro Conselho de Administração do Novo Banco vai permitir concretizar o projecto de desenvolvimento e criação de valor para a instituição financeira.

 "O novo Conselho de Administração do Novo Banco, que será conhecido logo que concluídos os procedimentos prévios exigíveis, garantirá a concretização do projecto de desenvolvimento e criação de valor para o banco", informou em comunicado a entidade liderada por Carlos Costa.

 No dia 3 de agosto, o BdP tomou o controlo do Banco Espírito Santo (BES), depois de o banco ter apresentado prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, e anunciou a separação da instituição em duas entidades distintas.

 No chamado banco mau (‘bad bank’), um veículo que mantém o nome BES mas que está em liquidação, ficaram concentrados os activos e passivos tóxicos do BES, assim como os accionistas.

 No ‘banco bom’, o banco de transição que foi chamado de Novo Banco, ficaram os acti-vos e passivos considerados não problemáticos.