D. Manuel Monteiro de Castro nomeado Cardeal pelo Papa

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D. Manuel Monteiro de Castro nomeado Cardeal pelo Papa

Está a decorrer desde sábado, no Vaticano, um Consis-tório, para a criação de 22 no-vos cardeais, nos quais se inclui o português D. Manuel Monteiro de Castro, penitenciário-mor da Santa Sé.

 O rito de entrega do barrete e do anel cardinalícios, bem como a atribuição de uma igreja de Roma (título ou diaconia) a cada cardeal, ocorreu na manhã de sábado na Basílica de São Pedro.
 Após a celebração, o Consistório público ordinário prosseguiu com a análise de sete causas de canonização, com destaque para a primeira beata indígena norte-americana, Kateri Tekakwitha, nascida em 1656 e falecida em 1680, no Canadá.
 Esta foi uma cerimónia em latim, com momentos de oração, relativa à decisão sobre proclamar como santos alguns fiéis católicos cuja vida esteve em análise, por parte da Santa Sé, após ter sido aprovado um milagre atribuído à sua intercessão.

 Após a apresentação da biografia de cada beato, o Papa convidou os cardeais a manifestarem a sua decisão sobre os processos e, se não houver impedimentos, anuncia a data da cerimónia de canonização.
 Ainda no dia 18 tiveram lugar as visitas de cortesia aos no-vos cardeais, que, no caso de D. Manuel Monteiro de Castro, decorreram na sala régia do Palácio Apostólico do Vaticano.
 Bento XVI convocou os membros do colégio cardinalício e os cardeais designados para um encontro de “reflexão e de oração”, na sexta-feira, em volta do tema ‘O anúncio do Evangelho hoje, entre missão ad gentes e nova evangelização’.

 O debate sobre esta questão foi introduzido por uma intervenção do cardeal designado D. Timothy Dolan, arcebispo de Nova Iorque, Estados Unidos da América. Segundo comunicado da sala da imprensa da Santa Sé, durante os trabalhos houve ainda uma comunicação sobre o ‘ano da fé’, que se inicia em outubro, a cargo de D. Salvatore Fisichella, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização.
 Ontem, domingo, o Papa presidiu à missa com os novos cardeais, na Basílica de São Pedro.
 Hoje, ainda no Vaticano, Bento XVI profere um discurso aos novos cardeais, acompanhados pelos seus familiares e os peregrinos idos para o consistório.

 D. Manuel Monteiro de Castro, de 73 anos, nasceu em Prazins-Santa Eufémia, Guimarães; foi ordenado padre em 1961 e bispo em 1985.
 O novo cardeal português tem uma longa experiência diplomática ao serviço da Santa Sé, que o fez passar pelo Panamá, Guatemala, Vietname, Austrália, México, Bélgica, Trindade e Tobago, África do Sul e Espanha, onde permaneceu entre 2000 e 2009.
 Está na Cúria Romana desde julho de 2009, quando assumiu o cargo de secretário da Congregação para os Bispos, tendo sido posteriormente nomeado por Bento XVI como consultor da Congregação para a Doutrina da Fé e secretário do Colégio Cardinalício, antes de, em janeiro, passar a ser o responsável máximo pela Penitenciaria Apostólica, um dos três tribunais da Cúria Romana.
 A 6 de janeiro, Bento XVI anunciou publicamente a sua criação como cardeal.

* Novo cardeal português pede esforço conjunto por «um mundo melhor»

 O novo cardeal português, D. Manuel Monteiro de Castro, mostrou-se muito satisfeito com a nova missão que recebeu de Bento XVI, deixando apelos à construção de um “mundo melhor”.
 “Não é só o pequeno mundo, é o grande mundo, e é nesse sentido que eu me sinto muito contente e feliz na missão que o Santo Padre me confiou e que procurarei realizar o melhor que possa”, disse, em declarações aos jornalistas.

 D. Manuel Monteiro de Castro, penitenciário-mor da Santa Sé, recebeu cumprimentos de centenas de pessoas, ao longo de mais de duas horas, na sala régia do Palácio Apostólico do Vaticano, por onde passaram, entre outros, o secretário de Estado de Bento XVI, cardeal Tarcisio Bertone, que lhe deixou os seus parabéns, e o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas.
 D. Tarcisio Bertone gracejou com os familiares do cardeal português, a respeito das suas funções na Penitenciaria Apostólica, um dos três tribunais da Cúria Romana, pedindo “misericórdia”.

 O cardeal Monteiro de Castro entregou aos presentes uma pagela, agradecendo ao Papa por um “dom tão grande”, com a imagem de Nossa Senhora de Fátima, para recordar uma “mensagem muito rica e precisa”.
 O penitenciário-mor da Santa Sé aludiu, em particular, às passagens das aparições de 1917, na Cova da Iria, que se referiam à conversão da Rússia, identificando sinais de maior aceitação da dimensão religiosa nesse país, como a introdução de uma disciplina obrigatória para o ensino de religião
 “Nossa Senhora veio trazer uma mensagem a todos nós portugueses e ao mundo inteiro, devemos sentir-nos muito felizes por termos uma mãe tão carinhosa, tão próxima, tão vizinha”, acrescentou.

Para este responsável, “o mais importante na religião não é apenas saber”, mas também “procurar entender, viver e transmitir aos outros”.
 Aludindo à experiência diplomática e religiosa que tem ao serviço da Igreja, o cardeal Monteiro de Castro destacou a universalidade da Virgem de Fátima, cuja devoção se estendeu a localidades recônditas do Vietname, como pôde constatar pessoalmente.