Croácia tem a esperança nos pés de Modric, Rakitic e Mateo Kovacevic

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Croácia tem a esperança nos pés de Modric e Rakitic e o meio-campo criativo pode ainda fazer estragos com o talento de Mateo Kovacevic

A selecção da Croácia, vai participar na Cerimónia de Abertura do Campeonato Mundial – Brasil 2014, em São Paulo, quando defrontar a equipa anfitriã, o Brasil, uma das favoritas à conquista do título.

 Longe vão os tempos das experiências tácticas sem sentido que levaram ao despedimento de Igor Stimac em Novembro, antes do “play-off” de apuramento para o Mundial com a Islândia.

 Ao contrário do impopular antecessor, o novo seleccionador croata, Niko Kovac, pretende jogar em 4x2x3x1 com a tendência para o 4x1x4x1, tal como proclamou desde que assumiu o lugar.

 Esta táctica tem como base tirar o melhor partido do duo de criativos composto por Luka Modric e Ivan Rakitic, mas não resolve dois problemas antigos: a falta de qualidade dos extremos e a necessidade de equilibrar a criatividade com uma presença mais física no meio-campo.

 Apesar da boa época de Danijel Subasic no Mónaco, Stipe Pletikosa (35 anos) continua a ser a primeira escolha para guarda-redes. Mais confiável do que espectacular, segura a baliza croata há quase quinze anos.

 O capitão Darijo Srna, do Shakhtar Donetsk, é o incontestado lateral-direito, en-quanto Vedran Corluka (Lokomotiv Moscovo) e Dejan Lovren (Southampton) deverão formar a dupla de centrais.

 O flanco lateral esquerdo tem sido um constante ponto fraco e foi por isso que Kovac chamou o quase esquecido Danijel Pranjic, agora no Panathinaikos.

 Modric (Real Madrid) e Rakitic (Sevilha) vão controlar o jogo na zona central, mas será necessário encontrar um lugar para a estrela em ascensão Mateo Kovacevic (Inter Milão), embora não se saiba onde.

 É o mesmo dilema que Miroslav Blazevic teve com a geração que ganhou a medalha de bronze em 1998, quando existia a tentação de usar os três médios criativos Zvoni-mir Boban, Robert Prosinecki e Aljosa Asanovic.

 Embora o trio actual seja inteligente tacticamente e capaz de roubar bolas, não possui o músculo, para além de que demasiado trabalho defensivo poderá retirar-lhe espaço para a criatividade.

 Talvez a opção mais segura seja adicionar um especialista em missões mais defensivas, como o experiente e muitas vezes questionado Ognjen Vukojevic (Dynamo Kiev).

 Neste caso, o jovem Kovacevic deverá ser relegado para uma das alas, o que se ajusta muito melhor do que fazer o mesmo com Rakitic, que já foi (mal) usado nessa posição em jogos da selecção.

 Essa mudança concreta está entre as hipóteses a serem consideradas por Kovac para o jogo de abertura com o Brasil, a 12 de Junho, uma vez que o avançado Mario Mand-zukic não vai poder ser utilizado devido a suspensão por ter visto o cartão vermelho na segunda mão do “play-off” com a Islândia.

 O jogador do Bayern de Munique será substituído por Eduardo (Shakhtar Donetsk) ou pelo veterano Ivica Olic (Wolfsburg).

 Este último tem sido utilizado muitas vezes nas alas, mas é mais natural na zona central do ataque. Ivan Perisic, colega de clube de Olic, deverá estrear-se no outro flanco.

 Vale a pena referir que praticamente todos estes jogadores tiveram boas épocas nos seus clubes e atravessam boa forma, podendo atingir o pico durante o Mundial.

 Que jogador pode surpreender no Campeonato do Mundo?

 Numa equipa cheia de experiência, o muito dotado Mateo Kovacic é pelo menos cinco anos mais jovem do que qualquer outro titular, mas o seu papel pode ser essencial para lidar com as curtas aspirações croatas.

 O jogador de 20 anos foi relativamente negligenciado pelo treinador do Inter de Milão, Walter Mazzari, até que finalmente começou a florescer, culminando com uma grande exibição no jogo de despedida de Javier Zanetti em San Siro, quebrando a defesa da Lázio com três assistências na vitória por 4-1.

 Kovacevic é um jogador tecnicamente dotado e explosivo, com grande poder de drible e uma excepcional visão de jogo, o que lhe permite recuperar bolas e fazer passes para os avançados.

Tem fragilidades no jogo aéreo e não é tão compacto como Modric, precisando de mais espaço para desenvolver o seu jogo. Pode vir a ser uma das revelações do torneio.

 E que jogador pode desiludir as pessoas no torneio?

Dejan Lovren:

 Tinha muitos admiradores em Inglaterra quando se estreou na Primeira Liga, mas nunca conseguiu destacar-se na selecção. É por isso que em certa medida é desvalorizado no país, mas o Campeonato do Mundo pode ser a oportunidade ideal para provar a sua qualidade. Lovren é particularmente criticado pela sua indisciplina, cometendo demasiadas faltas desnecessárias em zonas perigosas, pelo que um erro desse género no Mundial sairá demasiado caro à Croácia.

 Qual é a expectativa real para a selecção no Mundial?

 Devido à dimensão do país, ao nível da liga local e tudo pelo que tiveram de passar durante a qualificação, ultrapassar a primeira fase já seria um grande feito, mas também é verdade que têm uma equipa potente e experiente, com jogadores-chave no pico da forma. México e Camarões não são melhores do que a Croácia e podem, mesmo dar luta ao Brasil. Por isso, seguir para a segunda fase pela primeira vez desde 1998 é um objectivo realista. Depois disso qualquer coisa pode acontecer nos jogos a eliminar.

Curiosidades e segredos da selecção

 Mario Mandzukic:

 Aparentemente Mandzukic nunca quis ser outra coisa que não fosse jogador de futebol e todo o seu tempo foi dedicado a esse objectivo.

 Quando escolheu a escola só pediu para ser o mais próximo de casa para não passar muito tempo em viagens e aproveitar para jogar à bola durante várias horas todos os dias. O tipo de educação foi muito simples: para além de ser futebolista profissional recebeu competências como oleiro. Esta maneira de estar mantém-se até aos dias de hoje, em que o avançado continua a centrar todas as suas atenções no futebol e o tempo livre é para a família.

 Robert Kovac (treinador adjunto):

 Muitos jogadores namoram ou casam com modelos e normalmente são as grandes estrelas da equipa que ficam com as mais famosas WAG.

 No caso da Croácia esse papel cabe ao técnico adjunto, que é casado com Anica Kovac, segunda classificada no concurso de beleza Miss Mundo, em 1995. Robert também é o irmão mais novo do seleccionador.

 Dejan Lovren:

 O defesa dirige a sua própria marca de roupa com o nome  “Russel Brown” e até já recebeu o apoio de nomes de peso, como os compatriotas Luka Modric e Mario Mandzukic, para além de Karim Benzema e Franck Ribéry.

 Eduardo da Silva:

 Se entrar em campo no jogo de abertura do torneio conseguirá algo único: estrear-se num Mundial no país de nascença, jogando contra a equipa do seu país de origem. O avançado foi para a Croácia aos 16 anos e construiu o seu nome no Dinamo Zagreb antes de se transferir para o Arsenal. Apesar de ser o segundo melhor marcador da história da Croácia esta será a primeira vez que vai jogar um Mundial.

 Darijo Srna:

 Quando disputou a final da Taça UEFA com o Shaktar Donetsk, em 2009, Srna alugou um avião para levar ao jogo 125 dos seus amigos mais chegados e familiares. Na Ucrânia é usual oferecer bilhetes de jogo a crianças orfãs e financia as suas viagens ao estádio.

 Chegou a pagar a deslocação a 920 de uma só vez. O pai de Srna foi uma criança orfã durante a segunda Guerra mundial.

 Todos os verões a pequena localidade fronteiriça de Moehlin ganha vida por um dia para celebrar as estrelas que convivem com o mais famoso filho da terra: Ivan Rakitic.

 O médio é proprietário do clube local, o NK Pajde, que milita nas divisões secun-dárias e é totalmente gerido pela sua família: o pai é presidente, o tio é director de futebol e o irmão é jogador-treinador.

 Uma vez por ano, durante as férias, Rakitic convida alguns dos amigos futebolistas para visitaram a sua terra-natal para um jogo de exibição contra o Pajde.

 O rumor que corre por lá é que alguns dos ex-companheiros, como Manuel Neuer (com quem jogou no Schalke 04), também contribuem para o orçamento do clube.

 Moehelin é muito importante para ele, pois foi aí que ele se apaixonou pelo país dos seus pais, vendo a Croácia jogar o Mundial de 1998.

 “Quando Robert Prosinecki marcou contra a Jamaica fiquei tão contente que corri até à varanda e saltei a grade em euforia.

 Morávamos no primeiro andar e caí, mas acabou por não ser muito grave”, contou numa entrevista recente.

 Foi também nessa localidade que aos 16 anos viu o seu pai, Luka, rejeitar uma proposta que podia ter mudado a sua vida, quando um dos elementos da equipa técnica de José Mourinho tentou convencê-lo a mudar-se para Londres com o filho para representar o Chelsea.

 Nessa altura Ivan já jogava nas camadas jovens do Basileia e a família recusou educadamente a oferta.

 Foi sensivelmente na mesma altura que Rakitic informou o seu pai que tinha tomado a decisão de representar a Croácia, o que levou Luka a chorar de alegria.

 Não foi uma decisão fácil, até porque a família sofreu uma enorme pressão diária, recebendo telefonemas e cartas anónimas, até ameaças de morte, para tentar levá-los a aceitar a proposta da Suíça.

 Este ano a festa em Moehlin vai ter de esperar pelo fim do Mundial, onde Rakitic tentará conduzir a Croácia para a glória, ou pelo menos ajudar a passar a fase de Grupos.

 Jogador-chave na equipa, forma com Luka Modric a dupla criativa mais excitante da Croácia desde a geração de 1998.

 Após uma época fantástica em Sevilha, este será um Verão de grandes decisões para o médio de 26 anos.

 Os rumores falam na possibilidade de transferir-se para um dos grandes clubes europeus, com Real e Atlético Madrid à cabeça, mas também existe o interesse de Mancheter United, Chelsea e Liverpool, da Primeira Liga inglesa.