Crise social na Venezuela pode influenciar política regional

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Crise social na Venezuela pode influenciar política regional

A actual crise política e social na Venezuela não diz respeito apenas ao país, e seu resultado, seja a vitória do governo ou da oposição, pode ditar uma tendência política regional, segundo especialistas em relações internacionais.

 "Uma vitória da direita na Venezuela, fortalece a direita em todos os regimes da região, e uma vitória da esquerda, fortalece a esquerda", afirmou Igor Fuser, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC, na região metropolitana de São Paulo.

 Segundo Fuser, a crise vivida na Venezuela é um conflito social que também ocorre nos outros países da América do Sul que optaram a partir do ano 2000 por governos de esquerda, como a Bolívia e o Equador, ou centro-esquerda, como o Brasil, o Uruguai e a Argentina.

 "Os actores contrários e a favor dos governos são os mesmos. Mas, no Brasil, esse conflito é mais ameno e, na Venezuela, mais radical. Mas existe uma semelhança e um cenário sistémico", afirmou o professor, acrescentando que, da mesma forma, o resultado das eleições de Outubro no Brasil também terá impacto sobre a região.

 Fuser citou também uma semelhança entre a oposição de forças atual na Venezuela e à que culminou na deposição do ex-presidente Fernando Lugo, no Paraguai, em Junho de 2012.

 Alberto Pfeifer, membro do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da Universidade de São Paulo, considerou que a crise na Venezuela enfraquece os países alinhados, como os membros da ALBA (Aliança Bolivariana para os povos da Nossa América).

 "A expansão actual do bolivarianismo está prejudicada. Regimes alinhados, como Equador e Bolívia, terão de flexibilizar as suas posições, ou correrão risco de serem derrotados em futuras elei-ções", afirmou.

 Pfeifer acrescentou que o desenlace da crise venezuelana vai ser acompanhado "de perto" pelos outros países e, caso o governo da Venezuela se flexibilize, e passe a confrontar menos o empresariado local e estrangeiro, eles deverão seguir a mesma tendência.

 Os dois investigadores concordaram que a ausência de Hugo Chávez influencia a região. Pfeifer disse que a morte do ex-presidente da Venezuela "retira ímpeto à iniciativa" bolivariana.

 Já Igor Fuser, também colaborador da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, afirmou que a integração regional latino e sul-americana se ressente da ausência de figuras com carisma, como Chávez, mas também como os ex-presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Argentina, Néstor Kirchner, que fundaram a Unasul.