Crise portuguesa afasta regresso para a reforma de emigrantes na América do Norte

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Crise portuguesa afasta regresso para a reforma de emigrantes na América do Norte

Os emigrantes portugueses no Canadá e nos Estados Unidos olham para a crise em Portugal como mais uma razão para não pensarem em regressar, nem sequer para gozar a reforma, num contexto em que o euro está valorizado em relação ao dólar.

 A crise fez aumentar em muito a emigração para o Canadá, estimando-se em mais dez mil portugueses nos últimos dois anos, uma situação que até é incentivada pelo Governo local, à procura de mão-de-obra qualificada

 No Canadá, Bruno Meira, 30 anos, regressou a Toronto há mês e meio, depois de ter sido forçado a fechar um pequeno talho em Castelo do Neiva, devido à situação económica que o país enfrenta, optando por voltar a trabalhar na construção.

Há 10 anos, Bruno Meira já tinha estado no Canadá, mas regressou a Portugal para tentar a sorte, que acabou por se transformar em azar. “No princípio até correu bem, mas com a crise, houve meses que tive menos metade do lucro que tinha no inicio’, explica.

 Ao ver o país “‘cada vez pior”, decidiu regressar ao Canadá e agora já não pensa em voltar tão cedo, nem sequer para a reforma. Os três irmãos que trabalham também em Toronto ajudaram-no a regressar.

 “Estou grato pela oportunidade que me estão a dar pois há muitas pessoas em Portugal que certamente gostariam de vir para cá”, salienta. Agora, “infelizmente, regressar a Portugal só de férias”, diz.

 Em Newark, o empresário Bernardino Coutinho, de 75 anos, diz que “a emigração portuguesa para os Estados Unidos praticamente parou, por causa da valorizacão do euro em relação ao dólar e da enorme dificuldade em conseguir vistos” mas mesmo assim sente os efeitos da crise no outro lado do Atlântico.

 Coutinho, que durante 30 anos foi o responsável pela organização dos festejos do Dia de Portugal em Newark, New Jersey, conhece muitas pessoas que estão a ajudar a sua família em Portugal.

 “Pessoas que perderam emprego, que têm as suas empresas na falência e que se vêem sem outra saída a não ser pedir ajuda aos que estão cá e os podem ajudar”, diz.

 O empresário acredita que esta ajuda “veio substituir as remessas que os emigrantes costumavam fazer, guardando as suas poupanças em Portu-gal, e que deixaram de fazer com a crise do euro.”

 O emigrante, que dirige a Fundação Bernardino Couti-nho desde 1991, diz que a instituição é contactada “todas as semanas por empresas e universidades que procuram parceiros e investidores nos Estados Unidos. Isto acontece com muito mais frequência do que há quatro ou cinco anos.”

O que também mudou, na opinião deste natural de Mar-co de Canavezes, foi o sonho do emigrante, de voltar à terra natal na reforma e construir uma casa com as poupanças de uma vida.

 “A maioria dos meus amigos reformados já não vai para Portugal. Vão para a Flórida, onde o clima é bom, as casas são baratas, os impostos bai-xos e estão mais perto da família”, diz, sublinhando que “muitos chegaram a regressar para Portugal, mas viram como estava a situação e decidiram instalaram-se em Palm Beach.”