Crise na Orquestra Sinfónica Brasileira: espectáculos cancelados e mais de 30 músicos despedidos

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Orquestra Sinfónica Brasileira

Orquestra Sinfónica BrasileiraA crise que assombra a Orquestra Sinfónica Brasileira (OSB), uma das mais importantes da América Latina, obrigou ao cancelamento de vários espectáculos desde o início do ano e levou à demissão de quase metade dos músicos.

 O descontentamento é generalizado na orquestra fundada em 1940 e formada por 79 instrumentistas, 33 dos quais foram despedidos por recusarem um processo de avaliação imposto pelo director artístico.
 A crise já dura há seis anos, desde a entrada, em 2005, do director artístico e maestro ti-tular, Roberto Minczuk, que não foi aceite pelo corpo de músicos.

 Em Janeiro deste ano, o maestro decidiu reavaliar todos os músicos da OSB, que teriam que passar por um grupo de avaliadores internacionais.
 Ao todo, 44 recusaram submeter-se às avaliações, o que resultou num incidente inédito na história daquela formação brasileira e levou à demissão de 33,
 “A orquestra hoje conta com 35 músicos efectivamente. A avaliação de desempenho é de caráter demissional. Ten-tam vender a ideia de avaliação como algo comum numa empresa que tem o direito de avaliar seus empregados, como se fossemos uma fábrica”, afirmou a presidente do sindicato dos músicos do Rio de Janeiro, a violista Déborah Cheyne, de 42 anos, que está há 19 na OSB.

 A posição de grande parte dos músicos que compõem a orquestra sinfónica é unâni-me. “É preciso mudar a estrutura e tirar o maestro. Não há a menor condição de retornar ao trabalho com esse maestro”, anunciou Cheyne numa conversa que manteve com a imprensa estrangeira.
 O descontentamento em relação ao director artístico e regente é anterior a esse im-bróglio e já havia sido manifestado pelos músicos com o pedido de afastamento de Minczuk a 22 de Outubro de 2008.

 “No primeiro ano como maestro, ele demitiu 14 músicos em 2006 que receberam um telegrama de demissão na véspera de natal. A justificativa para o afastamento daqueles músicos é apenas por um critério artístico dele, mas a comissão de músicos não foi consultada e deveria ter sido”, explicou a presidente do sindicato.

 “O grande impasse hoje é o maestro Minczuk, ele é o maior entrave”, criticou o violinista Ubiratã Rodrigues, de 47 anos e há 20 na OSB.
 Ele foi um dos 33 músicos demitidos a 30 de Março, após recusar comparecer na avaliação de desempenho.

 “A avaliação individual fere o procedimento utilizado em todas as orquestras do mundo, não é um procedimento adoptado em orquestra nenhuma. Isso realmente era uma maneira de tirar os músicos que não são bem vistos de dentro da orquestra por questões políticas”, criticou Rodrigues.
 Para o violinista demitido, não é possível aferir a qualidade do músico de orquestra apenas por uma prova individual.
 “Ela é feita para um jovem que está a entrar na orquestra. Nos recusamos a participar disso. Eu me lembro do desejo do maestro de colocar um limite de idade para os músicos até aos 60 anos”, destacou.

 Por sua vez, o maestro Roberto Minczuk, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, no último dia 10, criticou a grande resistência à mudança.
 “Os últimos quatro regentes foram praticamente tirados pelos músicos. Não é só uma avaliação de desempenho, mas algo muito maior, muito mais abrangente. É um projecto artístico e também administrativo, que envolve um novo contrato, uma nova proposta, um novo regimento interno”, declarou ao diário brasileiro.

Após a intensa mobilização dos músicos da orquestra contra os planos de reestruturação, alguns dos maiores no-mes da música erudita brasileira, como o pianista Nel-son Freire, cancelarem as suas participações em concertos da OSB.