Crise económica poderá ter repercussões na cooperação com Cabo Verde

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Cabo Verde

Cabo VerdeA crise económica em Portugal poderá ter repercussões na cooperação com Cabo Verde, mas é ainda cedo para avaliar um eventual impacto, defendeu a embaixadora portuguesa na Cidade da Praia.

 Graça Guimarães, que cessou funções, após quatro anos de missão, salientou que Portugal “atravessa um período complexo” da sua História, mas acredita que o país saberá encontrar uma saída para a crise.
 “Ainda é cedo para se avaliar o impacte das medidas de austeridade em Portugal na cooperação em Cabo Verde, mas continuaremos empenhados nas relações bilaterais. Tudo isso deverá requerer inteligência, criatividade e novas respostas, adequadas às necessidades de Cabo Verde”, justificou.
 “Não excluo que não haja alguns constrangimentos no futuro, mas a cooperação não deve ser vista só pela frieza, às vezes, dos números. As relações entre os dois países vão muito além dos números”, sustentou.

 Portugal é, segundo esses mesmos números, defendeu, o principal parceiro comercial, bilateral e multilateral, de Cabo Verde e pôs à disposição do arquipélago linhas de crédito no valor global de 600 milhões de euros, para projetos ligados à Habitação (200 milhões), Energias Renováveis (100 milhões), construção de estradas (100 milhões) e de infraestruturas portuárias (200 milhões).
 Segundo Graça Guimarães, a que se destina às energias renováveis está quase toda concluída, o mesmo sucedendo à das estradas e portos, estando mais atrasada a da Habitação, que financia o ambicioso projecto “Casa para Todos”, destinada a colmatar, nos próximos anos, o défice de cerca de 80 mil habitações.

 A diplomata portuguesa, por outro lado, salientou a importância das trocas comerciais entre os dois países, sublinhando a crescente presença de empresas portuguesas em Cabo Verde que, segundo dis-se, já são 200 a laborar no arquipélago e mais de 2700 as exportar para o país.
 Entre Janeiro e Outubro de 2010, as exportações cresceram 21 por cento em relação ao período homólogo de 2009, o que coloca Cabo Verde no 17.º destino das exportações portuguesas.

 No quadro do Investimento Directo Externo (IDE), a evolução tem sido mista, uma vez que teve o seu ponto alto em 2006 (56 milhões de euros), desceu em 2007 (21 milhões), voltou a subir em 2008 (28 milhões), voltou a descer em 2009 (oito milhões) para aumentar no período de Janeiro a Outubro de 2010 (27 milhões).
 Por outro lado, salientou Graça Guimarães, a Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD) portuguesa a Cabo Verde ultrapassou em 2010 os 102 milhões de euros, o que representa 42 por cento do total que o arquipélago tem beneficiado internacionalmente.

 De acordo com a diplomata portuguesa a crescente presença empresarial portuguesa em Cabo Verde tem a ver com o “excelente” clima económico que o país apresenta e com a sua matriz jurídica semelhante à de Portugal.
 “Trata-se, afinal, de um mercado natural para Portugal, sobretudo para as pequenas e médias empresas, que veem no país também uma janela de oportunidade para outros mercados, como, por exemplo, o da África Ocidental”, realçou, admitindo, porém, que a crise portuguesa também tem ajudado ao crescimento empresarial.